Rapper e magnata da música é acusado de abuso sexual sistemático ao longo de 20 anos; vídeo de agressão e depoimentos de quatro mulheres serão usados como prova no tribunal.
Começou nesta segunda-feira (5), em Nova York, o aguardado julgamento criminal de Sean “Diddy” Combs, artista multimilionário e um dos nomes mais influentes da indústria musical nas últimas quatro décadas. Acusado de tráfico sexual, conspiração para extorsão e transporte para prostituição, Combs responde por uma série de crimes sexuais e abusos cometidos, segundo a promotoria, entre 2004 e 2024.
A primeira fase do julgamento foi dedicada à seleção do júri, formado por 12 jurados e 6 suplentes. As declarações iniciais estão marcadas para o dia 12 de maio, e o julgamento deve se estender por pelo menos oito semanas, segundo informações do tribunal federal dos EUA.
As acusações contra Diddy
O artista, de 55 anos, se declarou inocente de todas as acusações. O Ministério Público afirma que ele construiu, ao longo dos anos, uma rede estruturada de aliciamento, coerção, abuso físico e chantagem para explorar sexualmente diversas mulheres. Os promotores alegam que Combs usava sua influência, prestígio e riqueza para manter um esquema que incluía eventos apelidados de “freak offs”, onde vítimas seriam drogadas e forçadas a participar de atos sexuais com profissionais do sexo.
Entre as acusações mais graves estão:
- Conspiração para extorsão
- Duas acusações de tráfico sexual com uso de força ou coerção
- Duas acusações de transporte de vítimas com fins de prostituição
As autoridades acrescentaram duas novas acusações no mês anterior ao início do julgamento, ampliando o escopo da investigação.
Além disso, os promotores afirmam que Diddy utilizava métodos como sequestros, incêndios criminosos e agressões para intimidar e silenciar as vítimas. Um dos elementos centrais do caso é o vídeo de segurança que mostra o rapper agredindo Cassie Ventura, sua ex-namorada, em um hotel de Los Angeles, em 2016. A imagem foi divulgada recentemente pela CNN e deverá ser exibida ao júri.
Provas e testemunhas
Quatro mulheres que acusam Combs deverão testemunhar em juízo, mas seus nomes foram mantidos em sigilo por questões de segurança. Além do vídeo de agressão, a promotoria pretende apresentar mensagens, documentos e testemunhos de funcionários e associados que estariam envolvidos ou teriam conhecimento do esquema.
A defesa, por sua vez, afirma que o caso se baseia em uma narrativa distorcida de atos consensuais entre adultos e alega que algumas das relações envolviam trios com acompanhantes contratadas com consentimento mútuo.
Envolvimento de Cassie Ventura
Cassie Ventura, cujo nome verdadeiro é Cassandra Ventura, manteve um relacionamento de mais de dez anos com Combs. Foi o processo movido por ela, em 2023, que deu início a uma série de outras denúncias públicas. Cassie alegou que foi estuprada, drogada e mantida sob controle psicológico ao longo do relacionamento. Seu caso não é o único em análise no julgamento atual, mas serviu como estopim para o colapso da reputação pública de Diddy.
Quem são os envolvidos no julgamento
O caso está sendo julgado no tribunal federal sob responsabilidade do juiz Arun Subramanian. A acusação é conduzida por uma equipe de oito procuradores, a maioria mulheres, incluindo Maurene Comey, filha do ex-diretor do FBI, James Comey, que também atuou no caso Ghislaine Maxwell, associada de Jeffrey Epstein.
A defesa de Diddy é liderada pelo advogado Marc Agnifilo, conhecido por atuar em casos criminais de grande repercussão. Também integra a equipe Brian Steel, que representou o rapper Young Thug em um processo de associação criminosa.
Combs está preso e será julgado presencialmente
Desde sua prisão, em setembro de 2024, Combs está detido em uma penitenciária federal no Brooklyn. Seu visual, antes sofisticado, mudou: ele está com cabelos grisalhos e comparecerá ao tribunal sem uniforme de presidiário, autorizado a usar roupas civis discretas durante o julgamento.
Por determinação da Justiça, nenhuma imagem ou vídeo do julgamento será permitido, mas artistas de tribunal estão autorizados a produzir ilustrações da sessão.
Outras acusações e figuras envolvidas
Nos últimos meses, mais de 30 pessoas – entre mulheres e homens – moveram ações civis contra Combs, alegando abuso sexual ou físico em festas organizadas por ele. Algumas dessas ações mencionam a presença de outras celebridades, embora nenhuma dessas figuras tenha sido oficialmente incluída no processo criminal atual.
Os promotores optaram por limitar o caso às acusações com provas mais robustas, como gravações em vídeo e testemunhos diretos. Ainda assim, o julgamento poderá repercutir de forma devastadora na indústria do entretenimento, uma vez que Diddy é visto como um dos últimos grandes empresários da era de ouro do hip hop.
Combs nega todas as acusações, mas, caso seja condenado, poderá enfrentar décadas de prisão federal. O caso é tratado como um dos maiores escândalos de abuso sexual já enfrentados pela indústria musical dos Estados Unidos, e deverá atrair atenção internacional ao longo das próximas semanas.
Para mais notícias sobre o que acontece no mundo dos famosos, confira o Portal E-Brasil.
Autoria: Sarah Pacini