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Santa Casa suspende cirurgias e cobra repasse de R$ 26,5 milhões

Santa Casa suspendeu cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais diante da crise financeira - Foto: Leonardo de França, Jornal Midiamax

Santa Casa suspendeu cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais diante da crise financeira - Foto: Leonardo de França, Jornal Midiamax

Hospital relata falta de insumos, atraso no pagamento de médicos e risco de desligamento coletivo de equipes

Santa Casa de Campo Grande suspendeu cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais diante do agravamento da crise financeira. Em manifestação encaminhada à Justiça, o hospital cobrou o pagamento de R$ 26.564.109,41 que seriam devidos pelo Município de Campo Grande e pelo Governo de Mato Grosso do Sul.

Do valor solicitado, aproximadamente R$ 15,3 milhões seriam de responsabilidade da prefeitura e R$ 11,1 milhões do Estado. A cobrança considera a correção monetária dos repasses pelo IPCA entre dezembro de 2025 e julho de 2026, segundo os documentos apresentados pelo hospital.

Hospital relata falta de materiais

A Santa Casa afirma que enfrenta dificuldades para comprar medicamentos, insumos e materiais cirúrgicos, além de atrasos nos pagamentos de médicos contratados como pessoas jurídicas e profissionais autônomos.

A suspensão atinge procedimentos que não são considerados urgentes. Os atendimentos de urgência e emergência continuam sendo realizados, assim como serviços considerados essenciais para pacientes de maior complexidade.

Entre os procedimentos eletivos interrompidos estão cirurgias gerais, pediátricas, cardíacas, cardíacas pediátricas e vasculares.

As equipes de hematologia, oncologia e transplante renal devem manter os atendimentos devido à condição clínica dos pacientes.

Médicos avaliam desligamento coletivo

Profissionais de cardiologia intervencionista, urologia, ortopedia, radiologia intervencionista, ultrassonografia e psiquiatria estão entre os grupos afetados pela falta de pagamentos e de materiais.

Segundo a direção clínica, as equipes poderão pedir desligamento coletivo caso a situação não seja regularizada no prazo de 30 dias. A medida poderia comprometer outros atendimentos realizados pelo maior hospital de Mato Grosso do Sul.

A ameaça de desligamento ainda não representa uma demissão efetivada. Trata-se de um alerta apresentado pelos profissionais diante da continuidade da crise.

Santa Casa pede prorrogação de contrato

Como não houve acordo para um novo contrato, a instituição pediu à Justiça que prorrogue por mais 30 dias o convênio atual, permitindo o recebimento dos valores referentes a agosto.

O hospital condiciona a continuidade do acordo à regularização dos R$ 26,5 milhões cobrados.

A Santa Casa está há cerca de 20 meses funcionando por meio de contratos temporários prorrogados enquanto Município, Estado e hospital discutem novas condições para o atendimento pelo Sistema Único de Saúde.

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul já reuniu processos envolvendo a instituição, a prefeitura, o governo estadual e o Ministério Público para tentar encontrar uma solução conjunta. O Judiciário reconheceu que o contrato está defasado, mas registrou que ainda existem divergências entre as partes.

Município questiona cumprimento de metas

A Prefeitura de Campo Grande mantém os pagamentos com base no convênio anterior, renovado sucessivamente por decisões judiciais.

O Município sustenta que a Santa Casa não estaria cumprindo todas as metas contratadas, citando redução em exames e internações. O hospital, por outro lado, afirma que os valores repassados não acompanham o aumento dos custos.

A instituição calcula um déficit aproximado de R$ 20 milhões durante o período de contratos extraordinários.

Hospital pede aumento do repasse mensal

Para tentar equilibrar as contas, a Santa Casa solicita que o repasse mensal conjunto passe dos atuais R$ 32,7 milhões para R$ 45.946.359,89.

A diferença representa um aumento de aproximadamente R$ 13,2 milhões por mês.

O pedido ainda depende de negociação entre as partes ou de nova determinação judicial. A apresentação da cobrança à Justiça não significa que o pagamento integral já tenha sido autorizado.

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