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Segurança agride cadeirante em frente a loja no Centro

Imagens mostram homem derrubando e chutando cadeirante após desentendimento; caso causa revolta nas redes sociais

As imagens, com menos de um minuto de duração, mostram o momento em que o cadeirante é derrubado ao levar um soco e, mesmo no chão, recebe um chute na região do estômago. Em meio ao desespero, a vítima implora para que as agressões cessem. “Ô meu irmão, não faz isso, não… Me ajuda, pelo amor de Deus… Olha o que você fez comigo”, diz, visivelmente machucado e sem conseguir se levantar.

A situação foi acompanhada por diversos pedestres, entre eles o motorista Marcelo dos Santos, de 41 anos, que aguardava o ônibus no momento do ataque. “Foi do nada. Ele [agressor] se identificou como segurança da loja. A gente tentou entender o que estava acontecendo, mas o cadeirante não conseguia falar direito, estava machucado e sangrando. Nunca tinha visto uma cena tão violenta”, relatou Marcelo, ainda abalado.

O vídeo circulou rapidamente nas redes sociais e causou indignação pública. A gravação se tornou um dos assuntos mais comentados do dia, levantando discussões sobre violência contra pessoas com deficiência e abuso de autoridade.

Contradições nas versões

Após a repercussão do vídeo, o homem envolvido na agressão entrou em contato com a imprensa e negou ser funcionário da rede Americanas. Ele afirmou atuar como vigilante e justificou sua ação com base em um histórico de supostos furtos cometidos pelo cadeirante.

“Esse cadeirante é conhecido na região por furtar lojas. Ele estava tentando roubar quando eu o abordei. Não trabalho nessa loja, apenas agi porque já conhecíamos ele de outros episódios. A gente aprende que ladrão não tem sexo, idade nem cor”, disse o agressor, que não teve seu nome divulgado.

A declaração foi recebida com críticas por internautas e especialistas, que reforçam que, mesmo diante de uma tentativa de furto, o uso da força deve ser proporcional e dentro dos limites legais — o que claramente não ocorreu, conforme mostram as imagens.

Posicionamento da empresa

Procurada para comentar o caso, a assessoria de imprensa da Americanas emitiu uma nota oficial repudiando veementemente o episódio de violência. A empresa informou que o homem envolvido nas agressões foi desligado e que está colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos.

“A Americanas repudia qualquer tipo de violência dentro ou fora de seus estabelecimentos. O funcionário envolvido foi imediatamente desligado. A companhia segue apurando os detalhes do ocorrido e está à disposição das autoridades competentes para contribuir com a investigação”, afirma o comunicado.

A nota, no entanto, não deixou claro se o agressor era efetivamente contratado direto da empresa ou terceirizado, o que levanta questões sobre a responsabilidade da loja na escolha e treinamento de seu corpo de segurança.

Repercussão e indignação

A cena gerou uma onda de protestos virtuais, com pedidos por justiça e maior proteção às pessoas com deficiência. Entidades de direitos humanos, movimentos sociais e ativistas manifestaram repúdio à violência, classificando o ato como covarde e desproporcional.

A Polícia Civil já foi acionada e deve ouvir testemunhas nos próximos dias. A identidade do cadeirante ainda não foi revelada, mas ele deve ser encaminhado para exame de corpo de delito e assistência médica. Até o momento, não há informações atualizadas sobre seu estado de saúde.

O caso segue sendo investigado e gerando desdobramentos na cidade, com promessas de apuração rigorosa por parte das autoridades. A população, por sua vez, aguarda respostas e, acima de tudo, justiça.

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Autoria: Sarah Pacini

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