Evento pioneiro no mundo, idealizado em Campo Grande, destaca moda acessível, protagonismo de pessoas com deficiência e abre inscrições para concurso nacional de looks inclusivos
Criada em Mato Grosso do Sul por dois estilistas engajados em transformar o setor da moda, a Semana de Moda Inclusiva se consolida como o primeiro evento do mundo com foco exclusivo em acessibilidade, inclusão e representatividade no design de roupas. Após uma primeira edição de sucesso em 2024, realizada em Campo Grande, o evento chega à sua segunda edição com ampliação de espaço, nova programação e alcance internacional.
Idealizada por Luane Sales e Eduardo Alves, fundadores do Projeto Bocaiuva, a iniciativa surgiu com o propósito de provocar mudanças profundas no setor da moda e criar um ambiente que represente verdadeiramente pessoas com deficiência. A segunda edição será realizada nos dias 20 e 21 de setembro de 2025, na capital sul-mato-grossense.
Inclusão na passarela e fora dela
A Semana de Moda Inclusiva reúne desfiles, workshops, palestras e debates que giram em torno da produção de roupas adaptadas às necessidades de pessoas com deficiência. Em vez de focar apenas na estética, o evento busca aliar beleza à funcionalidade, tornando o vestir uma experiência de autonomia.
Segundo Eduardo Alves, a nova edição será ainda mais abrangente. “Este ano, teremos o dobro de espaço físico em relação à edição anterior. Isso significa mais expositores, mais troca de experiências e, claro, mais representatividade. A expectativa é também ampliar o número de participantes de fora do Estado e, inclusive, receber inscrições internacionais no Prêmio Bocaiuva”, explica.
Prêmio Bocaiuva quer revelar talentos da moda acessível
Uma das atrações mais aguardadas da programação é o Prêmio Bocaiuva, concurso que vai premiar os melhores looks inclusivos desenvolvidos por designers de todo o Brasil e até do exterior. A competição aceita inscrições de estudantes de moda, iniciantes na costura e profissionais com experiência. Cada participante pode submeter até três looks.
Entre os prêmios confirmados está uma máquina de costura industrial da marca Siruba para os três primeiros colocados. As regras completas e o formulário de inscrição estão disponíveis na bio do perfil do Bocaiuva Moda Inclusiva no Instagram.
Arte indígena e protagonismo de pessoas com deficiência
Além do foco na moda funcional, a Semana de Moda Inclusiva também promoverá um espaço para diálogo intercultural. Um dos destaques será o workshop ministrado por Sol Terena, artista plástica da etnia Terena, residente da aldeia Tereré, em Sidrolândia. Indígena, ativista e pessoa com deficiência, Sol compartilhará suas experiências por meio de uma oficina artística voltada a alunos da Associação Juliano Varela, instituição especializada em educação para pessoas com deficiência intelectual.
Sol trabalha com pigmentos naturais e pinturas corporais como forma de expressão e resistência, trazendo à tona a discussão sobre a invisibilidade de indígenas com deficiência. “Ela une arte, identidade e inclusão em um trabalho que emociona e transforma”, destaca Eduardo Alves.
Uma moda que transforma vidas
A idealizadora Luane Sales compartilha que sua trajetória na moda mudou completamente ao perceber o impacto que uma peça adaptada pode ter na vida de uma pessoa com deficiência. “Eu vi uma mãe chorando ao descobrir que existia uma roupa feita para o filho dela. Foi naquele momento que entendi que a moda pode ir muito além da aparência — ela pode ser uma ferramenta de transformação real”, conta.
Com isso, a missão da Semana de Moda Inclusiva vai além dos desfiles: é também educativa. Um dos principais objetivos dos organizadores é formar profissionais capacitados a criar peças funcionais e belas, que respeitem as necessidades de diferentes corpos e proporcionem autonomia e autoestima para o público com deficiência.
“É fundamental entender que moda inclusiva não é caridade, é mercado. Existe um nicho enorme de consumidores com poder de compra, mas que ainda são ignorados pelas grandes marcas. Isso precisa mudar”, afirma Luane.
Orgulho sul-mato-grossense com alcance global
Inicialmente acreditando que haviam criado o primeiro evento do tipo no Brasil, os fundadores da Semana de Moda Inclusiva descobriram, após uma pesquisa mais aprofundada, que Campo Grande é palco da primeira iniciativa do mundo com essa proposta exclusiva. O feito enche de orgulho não só os organizadores, mas também a comunidade de moda e os movimentos de inclusão no país.
“É uma conquista que tem enorme valor social e cultural. Saber que começamos algo único no mundo aqui em Mato Grosso do Sul nos dá ainda mais motivação para continuar expandindo esse projeto”, diz Eduardo.
A segunda edição promete ainda mais visibilidade e engajamento. Os organizadores estão em contato com estilistas de renome nacional para participações especiais e já contam com o apoio de diversas entidades e parceiros locais.
Com ações como essa, Mato Grosso do Sul se firma como referência global em moda com propósito, mostrando que é possível unir criatividade, funcionalidade e respeito à diversidade em cada ponto, costura e passarela.
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Autoria: Sarah Pacini