Ayla Emanuelly foi encontrada viva em Pedro Juan Caballero; casal está preso e polícia investiga outros possíveis envolvidos
Ayla Emanuelly, bebê de menos de um mês sequestrada em Campo Grande, foi encontrada com vida na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A criança foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, Ayla está bem, saudável e em segurança.
Um casal de brasileiros que estava com a criança foi preso no Paraguai e permanece custodiado em Mato Grosso do Sul. Os dois devem ser levados para Campo Grande nesta segunda-feira (10), onde serão acompanhados por uma equipe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente, a Depca.
A investigação agora tenta esclarecer toda a dinâmica do sequestro, identificar quem planejou a ação e descobrir se outras pessoas participaram do crime.

Como Ayla desapareceu
O caso começou na quinta-feira (6), depois que a mãe de Ayla, de 17 anos, relatou ter sido atraída para uma residência no Bairro Universitário, em Campo Grande.
Segundo o depoimento prestado à Polícia Militar, a adolescente havia conhecido uma mulher por meio de um grupo de venda de roupas infantis.
Após conversarem, a mulher teria oferecido R$ 100 para que a jovem cuidasse da filha dela.
A mãe de Ayla aceitou a proposta e foi até o endereço indicado acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.
Ao chegarem à casa, as três teriam sido recebidas pela mulher, que ofereceu água.
A adolescente afirmou que permaneceu acordada, enquanto a irmã adormeceu e só despertou por volta das 20h.
Mãe relatou ameaças dentro da casa
Ainda conforme o depoimento, a mãe da bebê foi ameaçada e obrigada a entregar a filha.
Ela relatou que ouviu que ela e a irmã seriam “jogadas em um buraco” caso se recusasse a entregar Ayla.
Segundo a adolescente, havia cerca de dez homens no imóvel, além da mulher que havia feito o contato.
A bebê foi levada, enquanto as duas irmãs permaneceram na casa.
Elas conseguiram deixar o imóvel por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7). O telefone celular da mãe também teria sido levado.
Investigação apontou que bebê poderia estar no Paraguai
Depois do registro do desaparecimento, a Depca iniciou diligências para localizar a criança e identificar os envolvidos.
Durante a investigação, surgiram informações de que Ayla poderia ter sido levada para o Paraguai.
A partir disso, a Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada e passou a compartilhar informações com as forças de segurança paraguaias.
O Comando Bipartito, estrutura que reúne policiais dos dois países, também participou das buscas.
As informações reunidas pelos investigadores brasileiros ajudaram as autoridades paraguaias a identificar uma residência em Pedro Juan Caballero onde havia suspeita de que a criança estivesse.
Bebê foi encontrada durante a madrugada
Por volta de 1h15 de domingo, equipes policiais cumpriram um mandado de busca na residência indicada.
Ayla foi localizada no imóvel na companhia de um casal de brasileiros.
Os dois foram presos.
Durante a operação, os policiais também apreenderam telefones celulares, documentos e um veículo.
Esse material deverá ser analisado para ajudar a esclarecer como o sequestro foi organizado, quem participou da retirada da criança de Campo Grande e como ela foi levada até o Paraguai.
Ayla passou por atendimento médico
Depois de ser encontrada, a bebê foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero.
Após receber atendimento, Ayla foi repatriada para o Brasil e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã.
Segundo o órgão, a criança está bem.
A família também deverá receber acompanhamento da rede de proteção para definir os próximos encaminhamentos depois do sequestro.
Casal deve ser levado para Campo Grande
O casal encontrado com Ayla permanece preso e custodiado em flagrante.
A previsão informada é de que os dois sejam levados para Campo Grande nesta segunda-feira.
Uma equipe da Depca foi até Ponta Porã para acompanhar os procedimentos.
Como a investigação é conduzida pela delegacia especializada, os suspeitos deverão ser ouvidos em Campo Grande.
Outro suspeito já estava preso
Antes de Ayla ser localizada no Paraguai, outro homem havia sido preso em Campo Grande no sábado (8).
Segundo a investigação, ele é suspeito de ter cedido uma casa que teria sido usada como cativeiro.
No domingo, a prisão preventiva dele foi decretada durante audiência de custódia.
A defesa informou que analisa os detalhes da investigação e pretende demonstrar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele.
Caso teve primeiro Amber Alert de MS
O desaparecimento de Ayla também provocou o primeiro acionamento do Amber Alert Brasil em Mato Grosso do Sul.
O Ministério da Justiça emitiu o alerta na sexta-feira (7), com o objetivo de ampliar a divulgação das informações da bebê e aumentar as chances de localização.
O sistema é utilizado em casos de desaparecimento de crianças quando existe suspeita de rapto ou sequestro.
Operação envolveu forças dos dois países
No Brasil, a investigação é conduzida pela Depca, com apoio de outras unidades policiais.
No Paraguai, participaram equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, do Grupo Antissequestro, da Direção de Polícia do Amambay e de outras unidades da Polícia Nacional paraguaia.
A operação também teve apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.
Polícia ainda tenta identificar todos os envolvidos
Mesmo com a localização de Ayla e a prisão de suspeitos, o caso continua sob investigação.
A polícia busca descobrir quem planejou o sequestro, qual foi a função de cada pessoa envolvida, como a bebê foi retirada de Campo Grande e quem ajudou no transporte até o Paraguai.
Também está sendo apurada a possibilidade de participação de outras pessoas.
Os celulares, documentos e o veículo apreendidos durante a operação serão analisados e podem ajudar na reconstrução do caminho percorrido pela criança e na identificação de novos envolvidos.