A sorologia é um exame de sangue feito para encontrar pistas da presença ou passagem de vírus, bactérias e outros agentes infecciosos no corpo de um paciente. Ela mostra se uma pessoa já foi exposta a determinado micro-organismo, bem como se a infecção é recente, está em curso ou ficou no passado.
Como funciona a análise do soro sanguíneo
Para entender esse teste, é preciso, primeiro, saber o que é o soro sanguíneo. Quando o sangue é coletado para um exame, ele pode ser colocado em um tubo e deixado em repouso até coagular. Nesse processo, as células e as plaquetas ficam retidas no coágulo, sobrando uma outra parte, líquida, que chamamos de soro. O soro é composto principalmente de água, mas também contém sais minerais, proteínas, hormônios e anticorpos, entre outras substâncias. Ao fazer um teste de sorologia, os laboratórios analisam essa parte, em busca, principalmente, de sinais de anticorpos, as proteínas produzidas pelo sistema imunológico para nos defender de invasores.
“Isso funciona porque, ao tentar se defender [de uma infecção], o organismo produz anticorpos específicos contra aquele agente”, explica a infectologista Rafaela Arvai Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Como interpretar os resultados dos exames
Os anticorpos para os quais as equipes dos laboratórios lançam iscas são as proteínas chamadas imunoglobulinas (Ig), cujo os principais tipos são a IgM e a IgG. Quando o corpo encara uma infecção, o IgM é o primeiro anticorpo a aparecer e, por isso, em geral, sugere uma infecção recente. Já o IgG surge mais tarde e permanece no corpo por mais tempo, indicando contato no passado ou imunidade, inclusive a obtida por vacinas.
O laudo costuma trazer a classificação “reagente” (positivo) ou “não reagente” (negativo). Em alguns exames, há também um valor numérico, que indica a quantidade de anticorpos, e o resultado “indeterminado”, quando é preciso repetir ou confirmar o teste.
Condições detectadas e limitações da sorologia
O teste é uma das ferramentas mais usadas na medicina para diagnosticar infecções, rastrear doenças que podem não dar sintomas e até mesmo confirmar se uma pessoa está protegida depois de tomar uma vacina. A sorologia pode ser utilizada para investigar infecções virais como HIV, dengue, hepatites A, B e C, rubéola e citomegalovírus, além de infecções bacterianas como sífilis e doença de Lyme, parasitárias como toxoplasmose e doença de Chagas, e doenças autoimunes como lúpus e síndrome de Sjögren.
No entanto, existe um intervalo chamado janela imunológica entre a infecção e a produção de anticorpos em quantidade suficiente para ser detectada, o que pode gerar resultados falso-negativos se o paciente fizer o teste cedo demais.
Indicações periódicas e cuidados no pré-natal
A maioria das sorologias é solicitada de forma pontual, diante de uma suspeita de infecção, mas algumas são usadas no rastreamento de doenças assintomáticas. Para quem tem vida sexual ativa, a recomendação é avaliar a necessidade de testagem periódica para HIV, sífilis e hepatites B e C. Na gravidez, esses exames entram na rotina do pré-natal para proteger a saúde da mãe e do bebê. Na maioria dos casos, a sorologia não exige jejum, mas é recomendável confirmar as instruções diretamente com o laboratório antes da coleta.
