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Tarifaço de Trump afeta cidades de MS

Municípios de Mato Grosso do Sul enfrentam impactos econômicos com a imposição de tarifas elevadas aos produtos brasileiros, especialmente carne e miudezas. Prefeito de Naviraí aposta em novos mercados para minimizar perdas.

Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros mais afetados pela decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar um tarifaço de 50% sobre determinados produtos importados do Brasil. Um levantamento publicado pelo jornal O Estado de São Paulo revela que 19 municípios do estado estão na lista das 906 cidades afetadas pela medida, com destaque para Campo Grande, Nova Andradina e Naviraí, as três mais impactadas em termos de exportação.

A medida entrou em vigor como parte de uma série de políticas econômicas de Trump e tem afetado diretamente as exportações de Mato Grosso do Sul para o mercado norte-americano, principalmente no setor de carnes e derivados. O setor frigorífico do estado, que sempre foi um dos pilares da economia local, agora se vê desafiado pela alta nas tarifas.

Campo Grande: Capital em alerta com as exportações

Na capital, Campo Grande, as exportações para os Estados Unidos em 2024 somaram US$ 120,06 milhões. A carne bovina foi, de longe, o produto mais afetado, representando 45,2% das exportações do estado para o mercado americano. Produtos como carne bovina in natura, sebo bovino, carnes salgadas, desossadas e óleos de origem animal ficaram entre os principais itens atingidos pela imposição das tarifas.

Com a perda de competitividade no mercado norte-americano, o setor frigorífico da capital está sendo forçado a buscar alternativas, com empresários e gestores públicos tentando minimizar os impactos negativos dessa medida. A exportação de carnes tem sido uma das principais fontes de receita para o estado, e a situação exige uma reestruturação do setor e a busca por novos mercados.

Nova Andradina e Naviraí: O impacto nas cidades interioranas

Em Nova Andradina, o impacto do tarifaço também foi significativo. A cidade exportou US$ 37,90 milhões em carne para os Estados Unidos no ano passado. Já Naviraí, em terceiro lugar no ranking dos municípios mais afetados, exportou US$ 31,58 milhões, com destaque para carnes, açúcar e máquinas. O frigorífico e a usina de álcool e açúcar em Naviraí são grandes empregadores locais, e o prefeito Rodrigo Sacuno (PL) expressou sua preocupação, mas também esperança, com a possibilidade de encontrar novos mercados para os produtos da cidade.

“Tomara a Deus que consigam novos mercados. A situação é desafiadora, mas seguimos confiantes de que a diversificação será a chave”, disse Sacuno, destacando que as plantas industriais na cidade continuam operando normalmente, sem sinais de fechamento imediato.

A busca por novos mercados

O desafio imposto pelo tarifaço de Trump tem levado prefeitos e empresários do estado a se reunirem em busca de alternativas para a diversificação dos mercados de exportação. Embora os Estados Unidos tenham sido um dos principais destinos das exportações de carne de Mato Grosso do Sul, agora se abre a necessidade urgente de ampliar a presença do estado em outros países.

Além disso, o setor agropecuário, responsável por boa parte das exportações de carne, poderá ter que repensar suas estratégias de produção para continuar competitivo no mercado global. A diversificação de mercados é vista como uma solução imediata para os municípios afetados.

Outras cidades de MS afetadas

Além de Campo Grande, Nova Andradina e Naviraí, o tarifaço também impacta outros municípios sul-mato-grossenses, como Anastácio, Bataguassu, Rio Brilhante, Cassilândia, Paraíso das Águas, Angélica, Ivinhema, Dourados e Três Lagoas, que se destacam por suas exportações de carnes, açúcares, gorduras, óleos, máquinas e outros produtos.

A lista de cidades exportadoras mostra o quão diversificado é o setor produtivo do estado, mas também deixa claro o grau de dependência do mercado externo, especialmente o norte-americano, para determinados produtos.

O impacto no setor de carne e as alternativas

Entre os principais produtos afetados pelo tarifaço, a carne bovina, as miudezas e os óleos de origem animal são os mais prejudicados. A carne sozinha representa uma grande parte das exportações do estado para os Estados Unidos, o que tem gerado preocupações entre os empresários do setor. Com a tarifa de 50%, muitos frigoríficos podem enfrentar dificuldades para manter a competitividade frente aos produtores de outros países.

No entanto, o estado também possui outros itens que não foram afetados pela medida, como a celulose e o ferro-gusa, que representam mais de 36% das exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos em 2025. Essa exceção pode ser uma janela de oportunidade para que os produtores do estado explorem outros nichos de mercado, como a indústria de papel e celulose, que tem ganhado força nos últimos anos.

O desafio e a esperança para MS

O tarifaço imposto por Trump tem colocado as cidades de Mato Grosso do Sul em um cenário desafiador, mas também tem incentivado um movimento de adaptação e diversificação das exportações. Prefeitos, como Rodrigo Sacuno de Naviraí, demonstram otimismo e confiança na capacidade do estado de buscar novos mercados para seus produtos.

Embora os impactos econômicos sejam sentidos principalmente no setor de carne, a busca por novos destinos comerciais e a inovação no setor agropecuário podem ser o caminho para superar esse obstáculo. Mato Grosso do Sul, conhecido por sua força produtiva, continua a se reinventar diante das dificuldades impostas por políticas externas, mantendo a esperança de que novos horizontes comerciais possam ser explorados com sucesso.

Autoria: Sarah Pacini

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