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Terremoto em Bonito: Décimo Abalo Sísmico de 2025

Tremor de baixa magnitude é sentido em áreas urbanas e rurais; especialistas descartam explosões e apontam causas naturais

Bonito, um dos principais destinos turísticos do Brasil, localizado a cerca de 300 km de Campo Grande (MS), foi surpreendido na manhã desta terça-feira (3) por um abalo sísmico que assustou moradores e reacendeu o debate sobre a influência da atividade mineradora na região. O tremor, de magnitude 1.7 na escala Richter, foi registrado pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) e marca o décimo terremoto ocorrido em Mato Grosso do Sul em 2025.

Apesar da baixa magnitude, o sismo foi claramente sentido tanto na área urbana quanto na zona rural do município, o que, segundo especialistas, pode ser explicado pela profundidade do evento. A pesquisadora Edna Maria Facincani, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), destaca que “quando o hipocentro é muito raso, as pessoas percebem os tremores com maior intensidade, mesmo que a magnitude não seja alta”.

A média de profundidade dos epicentros na região costuma ser em torno de 5 km. Nesse caso específico, há indícios de que o abalo tenha ocorrido em uma profundidade ainda menor, o que justificaria o susto vivido pelos moradores.

Moradores relatam susto e temor por segurança

Os relatos da população revelam o impacto emocional do fenômeno. Yolanda Prantl, integrante do Coletivo Unidos Serra da Bodoquena, contou que o tremor foi repentino e assustador. “Meu Deus do céu. Tremeu tudo aqui. As crianças saíram correndo, assustadas”, relatou. Ela estava no Instituto Família Legal, no bairro BNH, quando o abalo ocorreu.

Outro relato vem de Marc Laurent Zayas Colas, turismólogo e empresário da Fazenda Iguassu. Ele estava a 18 km do centro de Bonito, na MS-382, quando ouviu um forte estrondo seguido de tremor. “Foi um tremor fora do comum. Nunca senti nada igual”, afirmou.

Uma moradora que estava na Biblioteca Municipal disse que a vibração ressoou por toda a estrutura do prédio. “Foi como se algo tivesse batido com força na fundação”, contou.

Detonações ou terremoto natural?

Diante da intensidade do tremor, muitos moradores suspeitaram inicialmente que se tratasse de explosões provocadas por atividades de mineração, que são comuns na região. No entanto, a professora Edna Facincani foi categórica ao afirmar que o evento sísmico não foi causado por detonações. “Existe uma diferença clara no sismograma entre sismo natural e sismo por detonação. Este evento tem características de um tremor natural”, explicou.

Mesmo com a confirmação científica de que se tratou de um fenômeno natural, a ocorrência reacende um alerta sobre os impactos da mineração em Bonito. “A mineração está chegando com muito vigor à região, sem muitas barreiras. Toda a área já foi prospectada. Se não houver uma regulamentação séria, será o fim de Bonito”, alertou Marc Zayas Colas.

Segundo Yolanda Prantl, representantes da Polícia Militar Ambiental (PMA) informaram que as mineradoras locais possuem licenças ambientais e que foram realizados estudos prévios para autorizar detonações. No entanto, a população permanece desconfiada e cobra mais transparência e fiscalização.

Décimo tremor do ano em MS

Com este registro, Mato Grosso do Sul já acumula dez tremores de terra em 2025. Este foi o segundo abalo em Bonito somente neste ano — o primeiro ocorreu em 19 de abril. Os demais tremores foram registrados nos municípios de Sonora, Miranda, Rio Negro, Ponta Porã e Corumbá, evidenciando um padrão sísmico que tem chamado atenção de pesquisadores e autoridades ambientais.

Embora a maioria desses eventos seja de baixa magnitude, a frequência crescente levanta questões sobre a estabilidade geológica da região e a necessidade de monitoramento constante. O Centro de Sismologia da USP segue acompanhando os dados e reforça que a população deve manter a calma, já que eventos dessa natureza, embora perceptíveis, raramente oferecem risco imediato à vida ou às estruturas.

Turismo e meio ambiente sob risco

Bonito é mundialmente reconhecida por suas belezas naturais e práticas de ecoturismo sustentável. O município atrai milhares de visitantes todos os anos, encantados por suas águas cristalinas, cavernas e trilhas em meio à mata nativa. Contudo, a expansão da mineração e os recentes tremores de terra colocam em xeque a segurança e a preservação do patrimônio natural da região.

Organizações ambientais locais, como o Coletivo Unidos Serra da Bodoquena, vêm pedindo ações mais firmes do poder público para evitar que a pressão econômica sobre o território comprometa o equilíbrio ambiental e social da região. “Não podemos sacrificar um dos últimos redutos de natureza intocada do país por interesses imediatistas. Bonito merece respeito e proteção”, concluiu Yolanda.

Enquanto isso, os moradores de Bonito seguem atentos, temerosos e esperançosos de que os abalos não se tornem mais frequentes — e que o futuro da cidade continue pautado pela sustentabilidade, não pela exploração desenfreada.

Para mais notícias sobre o que acontece em Mato Grosso do Sul, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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