Autoridades contabilizam 235 mortos, mais de 1.500 feridos e cerca de 200 pessoas sob escombros
Terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24) deixaram o país em estado de emergência e concentraram a situação mais grave em La Guaira, cidade costeira localizada a cerca de 30 quilômetros de Caracas. A região foi classificada pelo governo como “zona de desastre”.
Segundo o balanço divulgado na quinta-feira (25), 235 pessoas morreram, mais de 1.500 ficaram feridas e cerca de 200 ainda permanecem sob escombros. Autoridades locais estimam que dezenas de vítimas continuem presas em prédios destruídos mais de 24 horas após os tremores.
Dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o país em intervalo de menos de um minuto. Os abalos foram considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de um século.

La Guaira concentra destruição
La Guaira está entre as áreas mais afetadas. A cidade fica no litoral norte venezuelano e registrou parte dos desabamentos, mortes e bloqueios de serviços essenciais.
Moradores relataram falta de energia elétrica, falhas de comunicação e demora na chegada de equipes de resgate em bairros atingidos. Diante da ausência de equipamentos e máquinas pesadas em alguns pontos, famílias e voluntários começaram a retirar entulhos com as próprias mãos.
Hospitais da região também ficaram sobrecarregados. No Hospital José María Vargas, em La Guaira, feridos foram atendidos até do lado de fora da unidade, enquanto policiais controlavam o acesso ao prédio.
Buscas são feitas por moradores
Durante toda a quinta-feira, relatos indicaram que equipes de emergência atuavam em algumas áreas, mas ainda não haviam chegado a diversos locais com prédios desabados.
Ao longo da rodovia que liga Caracas a La Guaira, moradores levaram água, alimentos e medicamentos para tentar ajudar vítimas e famílias desabrigadas.
Também houve registros de incêndios em áreas de escombros durante a madrugada, mesmo após interrupção do fornecimento de gás. Sem ter para onde ir, muitas pessoas passaram a noite nas ruas.
Sistema de saúde sob pressão
Os terremotos agravaram a situação dos hospitais nas áreas atingidas. Em La Guaira, médicos relataram falta de materiais básicos, como luvas, gazes, termômetros, aparelhos de pressão, gesso e analgésicos.
As Forças Armadas começaram a instalar hospitais de campanha para atender feridos e realizar cirurgias de emergência.
O governo informou que trabalha com empresas privadas para mobilizar máquinas pesadas e acelerar os resgates nas regiões mais destruídas.
Caracas também teve danos
Caracas também foi afetada pelos tremores. Moradores correram para ruas, parques, estacionamentos e outros locais abertos por medo de novos desabamentos.
Partes da capital ficaram sem energia elétrica e sem sinal de celular. O metrô teve operações suspensas, o fornecimento de gás foi interrompido e as escolas permanecerão fechadas nos próximos dias.
Algumas unidades de ensino serão usadas como abrigos e pontos de recebimento de doações. Segundo o governo, pelo menos oito hospitais, a sede da Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França sofreram danos.
Ajuda internacional começa a chegar
A Venezuela começou a receber apoio de outros países. Socorristas da República Dominicana já chegaram ao território venezuelano, e equipes de El Salvador desembarcaram na noite de quinta-feira.
O governo venezuelano agradeceu ofertas de ajuda de países como Estados Unidos, Brasil, Portugal, Espanha, Canadá, México e Catar.
Os Estados Unidos aliviaram temporariamente parte das sanções econômicas para permitir transações ligadas à ajuda humanitária. A ONU informou que coordena uma força-tarefa internacional para apoiar as operações de resgate.
A empresa Starlink também anunciou fornecimento gratuito de internet nas áreas afetadas até 25 de julho, além de trabalho para instalar novos terminais nas regiões mais atingidas.
Número de mortos pode subir
Projeções do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que o número de mortos pode aumentar à medida que as equipes consigam chegar às áreas mais destruídas.
Um site criado para reunir informações sobre desaparecidos contabiliza quase 40 mil registros. O número, porém, não foi verificado de forma independente nem confirmado pelo governo venezuelano.