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Trump impõe tarifa de 100% a filmes estrangeiros

Medida alegadamente visa proteger segurança nacional e combater incentivos fiscais de outros países; indústria teme retaliações e impacto nos serviços de streaming

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no domingo (4) uma medida drástica com impactos diretos no setor global de entretenimento: a imposição de uma tarifa de 100% sobre filmes produzidos fora do território americano. A decisão, segundo ele, tem como objetivo reverter o êxodo de produções cinematográficas para o exterior e revitalizar a indústria nacional, hoje enfrentando um declínio acentuado em sua base tradicional, a cidade de Los Angeles.

“Estamos testemunhando uma sabotagem econômica disfarçada de incentivo cultural. Chegou a hora de defender nossos estúdios, nossos empregos e nossa história”, escreveu Trump na plataforma Truth Social, ao justificar o que chamou de “resposta à guerra fiscal estrangeira”.

Tarifa impacta tanto filmes estrangeiros quanto produções americanas filmadas fora do país

A nova tarifa de 100% será aplicada não apenas a longas-metragens produzidos por estúdios estrangeiros, mas também àqueles feitos por produtoras americanas que realizem filmagens em outros países. A medida é vista como um esforço para obrigar estúdios dos EUA a manterem suas produções em solo americano, mesmo diante de custos operacionais mais altos.

Ainda não há clareza se essa cobrança adicional incidirá também sobre conteúdos voltados ao streaming, ou se será restrita às produções destinadas ao circuito cinematográfico. Também permanece indefinido se a tarifa será aplicada com base nos custos de produção, nas receitas de bilheteria ou em outro critério.

O Departamento de Comércio e o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos foram instruídos a iniciar imediatamente o processo de implementação da medida.

Hollywood perde espaço no cenário internacional

O setor audiovisual norte-americano vem sofrendo uma queda expressiva na atividade local, especialmente na Califórnia. De acordo com a FilmLA, organização responsável pelo monitoramento das filmagens em Los Angeles, a cidade registrou uma redução de quase 40% na atividade cinematográfica nos últimos dez anos.

O fenômeno é atribuído, em grande parte, à política de incentivos fiscais adotada por países como Canadá, Reino Unido, Austrália e Hungria, que oferecem descontos em impostos e reembolsos em dinheiro a produções estrangeiras. Essa prática tem atraído grandes estúdios a gravarem fora dos Estados Unidos.

Um relatório da Ampere Analysis estima que em 2025 serão investidos cerca de US$ 248 bilhões em produção de conteúdo no mundo todo. No entanto, segundo a consultoria ProdPro, quase metade dos filmes norte-americanos com orçamento acima de US$ 40 milhões em 2023 foi produzida fora do país.

“Queremos filmes feitos na América novamente”

Em tom nacionalista, Trump afirmou que as produções cinematográficas fazem parte da identidade cultural e da segurança estratégica dos Estados Unidos. Ele criticou abertamente o que chamou de “guerra fiscal silenciosa” promovida por outros governos, acusando-os de prejudicar economicamente Hollywood e de usar o cinema como ferramenta de propaganda internacional.

“Nós queremos filmes feitos na América novamente!”, declarou o presidente, repetindo o slogan que remete ao seu discurso de campanha.

Reações e incertezas no setor audiovisual

A indústria do entretenimento recebeu a medida com preocupação e cautela. Até o momento, a Motion Picture Association (MPA) — que representa os principais estúdios de Hollywood, como Disney, Warner Bros., Universal, Paramount e Sony — não se manifestou oficialmente.

Nos bastidores, executivos temem que a nova política cause desequilíbrios comerciais e repercussões negativas em outros mercados. O setor também debate se a tarifa poderá impactar acordos de coprodução internacional e a exibição de títulos estrangeiros em plataformas de streaming como Netflix, Prime Video e Disney+.

Especialistas em comércio exterior alertam que países afetados pela tarifa poderão retaliar, criando barreiras para produtos culturais dos EUA ou limitando o acesso de empresas americanas a incentivos locais. “A retaliação pode devastar nossa indústria. Temos mais a perder do que a ganhar com essa postura”, advertiu William Reinsch, ex-membro do Departamento de Comércio e atual conselheiro do Center for Strategic and International Studies, em entrevista à Reuters.

Disputa cultural e geopolítica

A decisão de Trump também reacende um antigo debate sobre o papel do cinema na disputa de narrativas globais. Governos há décadas veem o setor audiovisual como ferramenta de soft power — ou seja, de influência geopolítica por meio da cultura. Ao impor tarifas, os Estados Unidos sinalizam que pretendem usar o cinema como ativo estratégico, não apenas econômico.

Do ponto de vista internacional, a nova taxa poderá afetar o fluxo de conteúdos entre países, além de dificultar o intercâmbio de talentos e o fortalecimento de redes de coprodução — especialmente entre EUA e Europa.

Enquanto isso, produtores independentes e cineastas fora dos grandes estúdios expressam receio de que a medida represente uma forma de protecionismo nociva à diversidade cultural e ao livre acesso à arte.

O cenário ainda é incerto, e analistas aguardam os próximos passos da regulamentação da tarifa para mensurar com precisão seus impactos sobre a indústria do entretenimento, tanto nos Estados Unidos quanto no mercado internacional.

Para mais notícias sobre a política internacional, confira o Portal E-Brasil.

Autoria: Sarah Pacini

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