Após repercussão do vídeo de Nikolas Ferreira culpando o governo Lula pela fraude no INSS, Gleisi Hoffmann responde e faz críticas à gestão Bolsonaro
A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, usou suas redes sociais nesta quarta-feira (7) para rebater as acusações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre as fraudes no INSS. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ferreira culpou o governo Lula pela manipulação de dados e descontos indevidos que afetaram aposentados e pensionistas. No entanto, Gleisi fez questão de destacar que, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, as fraudes no INSS se agravaram, com a criação de entidades fantasmas e a falta de fiscalização eficaz.
A publicação de Gleisi, que também foi compartilhada em sua conta no X (antigo Twitter), tem como foco o governo Bolsonaro. A ministra argumentou que foi apenas durante o governo Lula que a Polícia Federal (PF) e a Controladoria Geral da União (CGU) tomaram medidas para combater o esquema de fraudes envolvendo descontos irregulares em benefícios de aposentados. “Foi no governo Bolsonaro que quadrilhas criaram entidades fantasmas para roubar os aposentados”, disse Gleisi, sugerindo que a administração anterior não agiu para coibir as ações fraudulentas.
Essa afirmação vem logo após a viralização do vídeo do deputado Nikolas Ferreira, que, em uma análise distorcida sobre o caso, afirmou que “só em 2023, 35 mil reclamaram de fraude e o valor movimentado, R$ 90 bilhões”. Na realidade, a quantia mencionada por Ferreira corresponde a empréstimos consignados liberados para beneficiários do INSS em 2023. O valor real da fraude envolvendo descontos indevidos é estimado em cerca de R$ 6 bilhões, segundo a Polícia Federal. O vídeo de Nikolas Ferreira teve um impacto considerável, alcançando mais de 85 milhões de visualizações no Instagram, o que levou o governo a orientar sua bancada na Câmara dos Deputados a reagir.
Gleisi, ao responder a postagem de Ferreira, criticou o governo Bolsonaro por não ter cumprido a medida provisória de 2019, sancionada por Jair Bolsonaro, que exigia a revalidação anual dos descontos feitos no INSS. Ela argumentou que a medida, que visava aumentar a fiscalização sobre os descontos indevidos, foi enfraquecida pelo Congresso Nacional, que alterou o prazo para três anos. “A gestão Bolsonaro sancionou uma norma que ampliava o prazo de revalidação, deixando os aposentados vulneráveis à ação de quadrilhas”, afirmou Gleisi.
A reação do governo federal a essas postagens viralizadas foi rápida. Fontes do Planalto afirmaram que, cientes da grande repercussão do vídeo de Nikolas Ferreira, o governo orientou sua bancada parlamentar a responder ao conteúdo de forma contundente, buscando esclarecer as informações distorcidas e reverter os danos à imagem do governo Lula. O governo, embora reconhecendo o alcance massivo dos vídeos do deputado, acredita que não pode deixar sem resposta as alegações que estão sendo propagadas nas redes sociais, especialmente considerando o alto número de visualizações.
O impacto do vídeo e das postagens sobre as fraudes no INSS também foi ampliado por outros políticos de peso, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que compartilhou o conteúdo do deputado, aumentando ainda mais o alcance da narrativa de Ferreira.
O que diz o vídeo de Nikolas Ferreira
Nikolas Ferreira, em seu vídeo de aproximadamente seis minutos, expõe o caso das fraudes no INSS com base em informações que circulam sobre o tema, mas de forma distorcida. Além de afirmar que a fraude envolveu valores muito mais elevados do que o estimado, o deputado critica diretamente o governo Lula, sugerindo que a gestão anterior teria sido responsável pela negligência na fiscalização.
O vídeo é uma tentativa clara de associar a fraude a uma falha do governo atual, mas especialistas apontam que a origem do esquema remonta à falta de fiscalização e ao descumprimento de medidas por parte do governo Bolsonaro, como destacou Gleisi Hoffmann. Embora o deputado tenha abordado de forma errônea o montante de dinheiro movimentado pelas fraudes, o caso revela uma questão mais ampla sobre a responsabilidade dos governos em coibir fraudes nos sistemas de benefícios sociais.
O que se sabe sobre as fraudes no INSS
As fraudes no INSS têm gerado grande preocupação. Estima-se que, nos últimos anos, um número significativo de aposentados e pensionistas tenha sido prejudicado por descontos indevidos realizados por entidades que se apresentavam como representantes dos beneficiários, mas que, na verdade, eram fraudulentas. Esses descontos, que chegavam a ser cobrados indevidamente dos segurados, foram uma das formas mais comuns de fraude identificadas pela Polícia Federal, que segue investigando o caso.
Com a repercussão dessas fraudes, o governo federal anunciou que começará a reembolsar os valores descontados de maneira indevida, devolvendo o dinheiro diretamente para as contas dos segurados prejudicados.
Conclusão
O embate sobre a responsabilidade das fraudes no INSS ganha força com a repercussão de vídeos e postagens de políticos. A reação do governo federal a esse tipo de conteúdo reflete a preocupação com a imagem pública e a necessidade de esclarecer os fatos sobre a origem do problema. Enquanto a investigação sobre as fraudes segue, a disputa política sobre quem deve ser responsabilizado continua, com críticas mútuas entre governo Lula e figuras do governo Bolsonaro.
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Autoria: Sarah Pacini