Influenciadora segue presa no interior paulista após nova negativa de habeas corpus no TJ-SP
Deolane Bezerra continuará presa após a Justiça de São Paulo negar um novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora e advogada. Ela está detida desde quinta-feira (21), investigada por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) amplia a sequência de derrotas judiciais da defesa. Antes disso, outro pedido já havia sido protocolado, mas acabou arquivado porque o magistrado responsável entendeu não ter competência para analisar o caso.
Na prática, Deolane permanece sob custódia na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista.
Prisão domiciliar também foi negada
A nova decisão do TJ-SP ocorreu um dia depois de o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitar o pedido de prisão domiciliar solicitado pela defesa da influenciadora.
Com isso, permanecem válidas as medidas cautelares determinadas pela Justiça durante a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público paulista.
Investigação aponta ligação financeira com PCC
Segundo os investigadores, Deolane teria mantido relações pessoais e negociais com um dos supostos operadores financeiros de uma transportadora investigada por lavagem de dinheiro para a facção criminosa.
A polícia afirma que a estrutura empresarial da influenciadora teria sido usada para dar aparência legal a recursos ilícitos.
De acordo com as apurações, 35 empresas teriam sido abertas em um mesmo endereço ligado à advogada. A suspeita é de que essas empresas funcionassem como mecanismo para movimentação financeira irregular.
Uma das principais provas citadas pela investigação surgiu após a apreensão de um celular com responsáveis pela transportadora investigada. No aparelho, segundo a polícia, foram encontrados comprovantes de depósitos feitos diretamente para contas de Deolane.
Os investigadores afirmam que os valores estariam ligados a movimentações internas do PCC e não a pagamentos legítimos por serviços advocatícios.
Influenciadora está em sala de Estado-Maior
Transferida para Tupi Paulista na sexta-feira (22), Deolane permanece em uma sala de Estado-Maior, espaço reservado para advogados presos preventivamente.
A prerrogativa está prevista no Estatuto da Advocacia e determina que profissionais inscritos regularmente na OAB não sejam mantidos em celas comuns antes de condenação definitiva.
Segundo a legislação, o espaço deve ser separado da população carcerária tradicional e possuir condições diferenciadas de custódia.
Apesar disso, o caso também gerou questionamentos de entidades ligadas ao sistema prisional, que apontam possíveis benefícios além dos previstos legalmente.
Defesa fala em desproporcionalidade
Em nota, os advogados de Deolane afirmaram que a influenciadora é inocente e classificaram a prisão preventiva como desproporcional.
A defesa declarou ainda que seguirá colaborando com a Justiça para demonstrar a legalidade das atividades exercidas por ela como advogada.
Até o momento, a investigação segue em andamento e não há condenação definitiva contra a influenciadora.


