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Polícia revela disputa por reconhecimento em grupos que aliciavam adolescentes

Polícia revela disputa por reconhecimento em grupos que aliciavam adolescentes

Segunda fase da Operação Lívia apreendeu seis adolescentes em cinco estados e no DF; polícia diz que 90% dos integrantes identificados são menores

Uma investigação sobre grupos virtuais que aliciavam adolescentes e incentivavam práticas de violência revelou que os integrantes disputavam reconhecimento dentro das próprias comunidades. Segundo a Polícia Civil, quanto mais extremo era o conteúdo produzido, maior seria o prestígio conquistado entre os participantes.

Os novos detalhes surgiram após a segunda fase da Operação Lívia, realizada nesta terça-feira (15). A ação resultou na apreensão de seis adolescentes, de 14 a 17 anos, em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.

A investigação começou após a morte de Lívia, de 13 anos, em julho deste ano. A polícia apura a atuação de grupos virtuais que, segundo as investigações, utilizavam manipulação, chantagem e ameaças para envolver crianças e adolescentes em situações de violência.

Grupos atraíam adolescentes pela internet

De acordo com a investigação, os grupos eram conhecidos entre os próprios participantes como “panelas” e tinham diferentes funções. Havia administradores, pessoas responsáveis por atrair novos integrantes e participantes que acompanhavam ou incentivavam as ações.

A aproximação das vítimas começava, em alguns casos, por redes sociais e plataformas de conversa. Os suspeitos buscavam conquistar a confiança dos adolescentes e poderiam se apresentar como pessoas da mesma idade ou com características semelhantes.

Depois da aproximação, os adolescentes eram convidados a participar dos grupos. Segundo a polícia, quando alguém tentava deixar a comunidade ou se recusava a seguir determinadas orientações, os integrantes poderiam recorrer a ameaças e formas de coerção.

A investigação encontrou situações em que informações pessoais, como nomes, telefones e imagens de familiares, eram usadas para intimidar as vítimas.

Cerca de 90% dos identificados são adolescentes

Os seis novos alvos foram identificados a partir da análise de celulares e outros materiais apreendidos durante a primeira fase da operação.

Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, a investigação continua para identificar outras pessoas que participavam dos grupos e verificar a relação delas com a morte de Lívia.

Até agora, cerca de 90% dos integrantes identificados são adolescentes. Um adulto também foi localizado pelos investigadores.

A polícia afirma ter encontrado ainda outras possíveis vítimas, algumas delas que não haviam contado aos familiares sobre as ameaças ou situações de manipulação.

Discord diz que servidor investigado era privado

O Discord informou que investigou um servidor privado relacionado ao caso e que o espaço dependia de convite para ser acessado. Segundo a plataforma, o servidor foi desativado antes da morte da adolescente.

A empresa afirmou ainda que o caso envolveu diferentes plataformas e que recebeu do governo informações indicando que a morte ocorreu em outro serviço, sem especificar qual.

O Discord também declarou que coopera com as autoridades brasileiras e mantém mecanismos de segurança para identificar conteúdos que violem suas regras.

Atualmente, a plataforma continua disponível no Brasil, mas as transmissões de vídeo em tempo real estão suspensas. Mensagens, servidores, canais de voz e chamadas somente de áudio continuam disponíveis.

Investigação continua

A segunda fase da Operação Lívia foi conduzida pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), com apoio das equipes de investigação cibernética e do CyberLab.

Os investigadores continuam analisando materiais apreendidos e informações obtidas durante as duas fases da operação para identificar outros integrantes e possíveis vítimas.

A polícia também busca esclarecer a dinâmica dos grupos e a eventual responsabilidade de cada pessoa envolvida nas práticas investigadas.

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