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Polícia apreende itens neonazistas com jovens investigados por suicídio

Polícia apreende itens neonazistas com jovens investigados por suicídio

Operação apura grupo que usava Discord e Telegram para coagir meninas e divulgar violência, misoginia e conteúdo de abuso infantil

Materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos relacionados ao abuso sexual infantil foram encontrados com adolescentes investigados pela morte de uma menina de 13 anos em Naviraí, Mato Grosso do Sul.

Seis integrantes do grupo foram alvo de mandados cumpridos em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Ceará e Minas Gerais. Cinco adolescentes foram apreendidos durante a operação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e pelo Ministério da Justiça.

A investigação ainda está em andamento. Por serem menores de idade, os envolvidos respondem conforme as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Grupo agia em comunidades fechadas

Segundo os investigadores, o grupo utilizava servidores fechados no Discord e canais no Telegram para se aproximar de jovens, divulgar discursos de ódio e impor desafios envolvendo violência contra pessoas e animais.

A estética e os símbolos neonazistas seriam usados como parte de um processo de radicalização dos participantes. As autoridades também identificaram conteúdos de misoginia e afirmaram que as ações de coação eram direcionadas principalmente a meninas.

A apuração começou em 22 de julho, após a morte da adolescente de 13 anos em Naviraí.

Menina teria sido coagida durante transmissão

Conforme a investigação, a vítima participou de uma transmissão ao vivo que durou aproximadamente 45 minutos. Durante esse período, integrantes da comunidade teriam pressionado e incentivado a adolescente a tirar a própria vida.

Antes disso, ela teria sido submetida a um desafio de violência contra um animal. Como não cumpriu a exigência, passou a sofrer novas ameaças e coações dentro do grupo.

Outra adolescente que estava na mesma sala virtual também teria sido induzida à automutilação e ao suicídio, mas conseguiu deixar a transmissão.

Polícia encontrou lista de possíveis vítimas

Durante o cumprimento de um mandado contra um adolescente de 14 anos, no Rio de Janeiro, os investigadores encontraram uma lista com nomes e datas relacionadas a possíveis novos ataques.

Os responsáveis pelas jovens citadas no material começaram a ser procurados e alertados pelas autoridades.

A polícia investiga se o grupo fez outras vítimas e tenta identificar todos os participantes das comunidades virtuais. Um adulto também estaria entre os responsáveis pela organização de um dos eventos investigados.

Plataformas são questionadas

Autoridades apontaram falhas nos mecanismos de segurança das plataformas usadas pelo grupo. Recursos de mensagens privadas e transmissões de vídeo teriam permitido que as ações ocorressem sem interrupção.

Também foi determinada a suspensão dos servidores e canais associados aos episódios investigados.

Discord e Telegram são plataformas usadas para troca de mensagens, chamadas e formação de comunidades. O caso chamou a atenção para a necessidade de acompanhamento da atividade de crianças e adolescentes nesses ambientes.

Investigação continua em cinco estados

Celulares, computadores, armas e outros materiais foram recolhidos durante a operação. Os equipamentos serão analisados para identificar conversas, administradores, possíveis vítimas e a participação de cada investigado.

A apreensão dos adolescentes não representa condenação. A responsabilização dependerá da conclusão da investigação e da análise da Justiça.

Onde buscar ajuda

Pessoas em sofrimento emocional devem procurar alguém de confiança, familiares, profissionais de saúde ou serviços públicos de atendimento.

O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e confidencial, durante 24 horas, pelo telefone 188.

Unidades básicas de saúde e Centros de Atenção Psicossocial também realizam acolhimento pelo Sistema Único de Saúde.

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