Operação identificou outra possível vítima e apontou falhas no controle de idade e na moderação de transmissões no Discord
Investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, indicam que o grupo suspeito de coagir a vítima planejava novos episódios de violência contra jovens. Outra possível vítima já havia sido escolhida, mas foi localizada antes que o plano avançasse, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos foram alvos da Operação Lívia. Os mandados foram cumpridos na terça-feira (4) em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Ceará e Minas Gerais.
O principal investigado seria um adolescente de 14 anos apreendido no Rio de Janeiro. A polícia ainda analisa o papel de cada envolvido e procura outros participantes das comunidades virtuais.
Caso em Naviraí levou à operação
A investigação começou depois da morte da menina de 13 anos, moradora de Naviraí. Segundo as autoridades, ela teria sido submetida a ameaças, pressões e desafios violentos dentro de uma comunidade virtual.
Parte das ações ocorreu durante uma transmissão no Discord acompanhada por outros integrantes do grupo. Os investigadores afirmam que, mesmo após a morte, os participantes demonstraram interesse em organizar uma nova ação para o dia seguinte.
As autoridades evitam divulgar detalhes que possam estimular a reprodução das condutas investigadas.
Outra adolescente teria sido escolhida
Durante a apuração, os policiais identificaram indícios de que o grupo já preparava uma nova ação contra outra jovem.
A possível vítima foi localizada, e os responsáveis foram alertados. O Ministério da Justiça informou que a atuação das equipes impediu a continuidade do plano.
Outros nomes e datas também foram encontrados em materiais atribuídos aos investigados. A polícia apura se as informações estavam relacionadas a novos ataques ou a outras vítimas.
Falhas na plataforma são investigadas
Coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça, Alessandro Barreto afirmou que os jovens conseguiram acessar comunidades e transmissões violentas sem um controle de idade considerado adequado.
Em um dos casos analisados, um adolescente teria informado uma data de nascimento incompatível com a realidade e, ainda assim, conseguido criar a conta.
As autoridades também questionaram a ausência de uma interrupção automática da transmissão e de uma comunicação imediata às forças de segurança.
O Ministério da Justiça informou que a Operação Lívia combateu grupos envolvidos na disseminação de misoginia, racismo, extremismo e incentivo à violência contra adolescentes no ambiente digital.
Discord anuncia ferramentas de proteção
Discord informa que usuários brasileiros passaram a contar, desde março de 2026, com configurações adicionais de segurança, restrição a espaços destinados a adultos e mecanismos de verificação de idade em determinadas situações.
Segundo a empresa, a checagem pode ser exigida para acessar conteúdos sensíveis ou alterar algumas proteções configuradas como padrão. A plataforma também afirma manter filtros de conteúdo e restrições para mensagens indesejadas.
A investigação, porém, busca esclarecer se essas ferramentas estavam funcionando e se foram suficientes para impedir o acesso dos adolescentes aos ambientes analisados.
Pedido de bloqueio não foi autorizado
A Polícia Civil pediu à Justiça o bloqueio do Discord, mas a solicitação não foi aceita.
Segundo os investigadores, deverá ser determinada a retirada dos servidores e canais vinculados aos crimes apurados. A responsabilidade da plataforma e de seus administradores ainda depende da análise das autoridades competentes.
Materiais extremistas foram apreendidos
Computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos foram recolhidos durante os mandados. A perícia deverá recuperar conversas, arquivos e informações sobre a administração dos grupos.
Também foram encontrados materiais de apologia ao neonazismo, armas e arquivos relacionados ao abuso sexual infantil.
Segundo a polícia, símbolos e discursos extremistas eram utilizados para radicalizar jovens, disseminar ódio contra mulheres e normalizar práticas violentas.
Novas fases não estão descartadas
Os suspeitos são investigados por homicídio qualificado e organização criminosa. Como parte dos envolvidos é menor de idade, a eventual responsabilização seguirá as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O caso tramita sob segredo de Justiça. Novas operações poderão ser realizadas conforme avançar a análise dos dispositivos apreendidos.
A apreensão e o cumprimento dos mandados não representam condenação. A responsabilidade de cada investigado dependerá das provas reunidas e das decisões judiciais.
Onde buscar apoio
Pessoas em sofrimento emocional devem procurar familiares, alguém de confiança ou atendimento profissional.
O Centro de Valorização da Vida oferece apoio gratuito, confidencial e disponível 24 horas pelo telefone 188. O atendimento também pode ser procurado em unidades básicas de saúde e nos Centros de Atenção Psicossocial.


