Laudos afastaram hipótese de suicídio; marido, cardiologista de 78 anos, está preso preventivamente e nega envolvimento na morte
Polícia Civil concluiu nesta segunda-feira (17) que a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, foi vítima de feminicídio em Campo Grande. O marido dela, o cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, é apontado pela investigação como autor do crime e está preso preventivamente.
A morte ocorreu em 18 de maio, dentro da residência do casal, na região da Chácara dos Poderes. Na ocasião, o médico afirmou à polícia que a esposa teria tirado a própria vida.
Após três meses de investigação, porém, a 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher informou que laudos periciais, depoimentos e dados extraídos de celulares afastaram a hipótese de suicídio e levaram à conclusão de que Fabiola morreu em contexto de violência doméstica e familiar.
João Jazbik nega envolvimento na morte. A defesa afirma que ele mantém a versão apresentada desde o início e que exercerá o direito de defesa durante o processo judicial.
Laudos afastaram versão de suicídio
A conclusão do inquérito teve como base exames realizados pelo Instituto de Criminalística e pelo Instituto Médico Legal.
Segundo a Polícia Civil, os resultados reuniram elementos técnicos que não eram compatíveis com a hipótese inicialmente apresentada pelo marido.
Ainda no começo da investigação, uma perícia preliminar já havia apontado que a lesão na cabeça de Fabiola não seria compatível com a versão de suicídio relatada pelo médico.
Com o avanço dos exames, a polícia informou ter reunido elementos suficientes para classificar a morte como feminicídio.
Depoimentos apresentaram divergências
João acionou a polícia no dia da morte e relatou que Fabiola havia tirado a própria vida.
No dia seguinte, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher informou ter identificado divergências entre o depoimento do médico, relatos de testemunhas e outras informações reunidas no local.
Essas inconsistências levaram à abertura de uma investigação para esclarecer se a fisioterapeuta havia cometido suicídio ou sido assassinada.
Testemunhas foram ouvidas ao longo das diligências, enquanto aparelhos celulares apreendidos passaram por análise.
Segundo a polícia, essas informações ajudaram a reconstruir as circunstâncias da morte.
Médico também foi investigado por ocultação de armas
Durante os trabalhos realizados na residência, policiais encontraram armas sem documentação.
A investigação apontou ainda que João teria pedido a um caseiro e a um ex-funcionário que levassem um armário contendo armas e munições para outro imóvel da propriedade.
Para a Polícia Civil, a movimentação teria ocorrido com a intenção de alterar ou ocultar elementos relacionados à investigação.
O médico, o caseiro e o ex-funcionário foram autuados em flagrante naquele momento.
João também passou a responder por fraude processual e posse irregular de arma de fogo.
Cardiologista chegou a ser solto com tornozeleira
Depois da primeira prisão, em maio, o cardiologista obteve habeas corpus e deixou a cadeia no dia 23 daquele mês.
A Justiça determinou que ele utilizasse tornozeleira eletrônica enquanto respondia em liberdade.
Na última sexta-feira (14), entretanto, João voltou a ser preso preventivamente.
A nova ordem foi expedida pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, após o avanço das perícias e das demais diligências.
Inquérito será enviado ao Ministério Público
Com a conclusão dos trabalhos policiais, o inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
Caberá ao Ministério Público analisar o material reunido e decidir se oferece denúncia criminal contra João Jazbik.
O indiciamento ou a conclusão policial não representam condenação. A eventual responsabilidade criminal será definida pela Justiça após o devido processo legal.
Defesa contesta conclusão da investigação
O advogado José Belga Trad, responsável pela defesa do cardiologista, afirmou que o inquérito policial não permite contraditório pleno e que os argumentos defensivos serão apresentados no processo judicial caso a denúncia seja recebida.
A defesa também informou que João mantém sua versão sobre a morte da esposa e criticou o que classificou como exploração sensacionalista do caso.
Família pede análise das provas
Em manifestação, a família de Fabiola afirmou que respeita o direito de defesa e a presunção de inocência do investigado, mas ressaltou que a prisão preventiva foi analisada pelo Judiciário após manifestação da Polícia Civil e do Ministério Público.
Os familiares também destacaram que a conclusão sobre feminicídio ocorreu após meses de investigação e produção de laudos técnicos.
A família afirmou que espera a continuidade da apuração dentro do devido processo legal e que seguirá acompanhando o caso.


