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Sensação térmica insuportável: entenda as ondas de calor do Brasil

Sensação térmica insuportável: entenda as ondas de calor do Brasil

Especialistas explicam o fenômeno que leva o Brasil a viver temperaturas recordes, com sensação térmica que pode ultrapassar os 70°C, e como o clima tem se tornado cada vez mais extremo devido às mudanças climáticas.

O Brasil está vivenciando a terceira onda de calor de 2025, um fenômeno que traz temperaturas extremas e sensação térmica de até 70°C, conforme projeções do Grupo de Climatologia Aplicada ao Meio Ambiente da Universidade de São Paulo (USP). A onda de calor, que afeta especialmente o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país, tem gerado preocupação em diversas cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, onde as temperaturas têm ultrapassado os 40°C. No Rio Grande do Sul e Santa Catarina, algumas áreas estão sob alerta vermelho devido ao calor extremo e à umidade elevada.

Causas e explicações científicas para o fenômeno

De acordo com especialistas, o aumento das temperaturas se deve principalmente à presença de uma massa de ar quente que afeta o Sul do Brasil, o norte da Argentina e partes do Paraguai. Esta massa de ar quente é associada à subida de um ciclone extratropical, que ocorre fora da região, mas influencia o clima de maneira significativa. Embora esses ciclones não sejam fenômenos incomuns em outras partes do mundo, como nos Estados Unidos e Canadá, seus efeitos no Brasil são particularmente intensos nesta época do ano.

A pesquisadora Marina Hirota, professora associada da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que a intensificação da onda de calor no Brasil é resultado de dois fatores principais: o ciclone extratropical e os “jatos de baixos níveis”, conhecidos como “rios voadores”. Esses jatos trazem grandes volumes de umidade da região amazônica, que, ao se deslocarem pelo Centro-Oeste e Sudeste, aumentam a umidade do ar nas áreas afetadas, criando condições ideais para que a sensação térmica seja ainda mais quente.

“Quando temos altas temperaturas e umidade elevada, nosso corpo não consegue suar de maneira eficiente, o que faz com que a sensação de calor seja ainda mais forte”, explica Hirota. A alta umidade dificulta a evaporação do suor, o que é crucial para o resfriamento do corpo humano. A combinação desses fatores, aliados aos baixos ventos e ao calor intenso, cria um ambiente particularmente insuportável.

Sensação térmica de até 70°C: entenda o fenômeno

A sensação térmica, ou a sensação de calor que o corpo humano experimenta, é influenciada por diversos fatores, como temperatura, umidade, vento e a exposição direta ao sol. Nos últimos dias, em algumas regiões do Brasil, a sensação térmica tem superado os 60°C e até alcançado os 70°C em situações extremas. Isso ocorre quando a temperatura do ar é muito alta e a umidade impede a evaporação eficiente do suor. Em um exemplo prático, se a temperatura é de 41°C e a umidade chega a 80%, o corpo humano pode sentir o calor como se estivesse a 70°C, uma condição perigosa para a saúde.

Apesar de algumas previsões apontarem valores tão altos, especialistas como Hirota alertam que esses cálculos podem variar dependendo de diversas condições locais, como a posição dos termômetros e as características do ambiente. “A sensação térmica é uma medida que depende de muitos fatores externos, como a quantidade de sol, a presença de sombra, e a intensidade dos ventos”, explica.

Além disso, cada pessoa tem uma resposta individual à sensação térmica. Idosos, pessoas desidratadas ou com problemas de saúde podem sofrer mais com os efeitos da onda de calor. “Quando o corpo não está bem hidratado ou a pessoa tem algum problema respiratório, a sensação de calor pode ser ainda mais insuportável”, aponta a pesquisadora.

Aquecimento global e aumento da frequência de ondas de calor

Esse aumento das temperaturas não é apenas um fenômeno pontual, mas sim um reflexo das mudanças climáticas globais. Estudos apontam que eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas, chuvas intensas e até inundações, têm se tornado mais frequentes devido ao aquecimento global. A pesquisa realizada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que as ondas de calor são um dos principais efeitos visíveis do aquecimento da Terra.

No caso do Brasil, Hirota ressalta que as regiões que historicamente enfrentam verões quentes, como o Sul e o Centro-Oeste, têm experimentado picos de calor mais intensos e prolongados, algo que é cada vez mais observado em cidades do Sudeste e Nordeste. “As temperaturas estão se tornando mais extremas e permanecem elevadas por mais tempo”, explica.

Como o corpo reage ao calor extremo?

Em condições de calor extremo, o corpo humano tenta se ajustar para manter sua temperatura interna em torno de 37°C, que é a temperatura normal. Isso acontece principalmente por meio da transpiração. Quando suamos, o corpo libera líquido que, ao evaporar, ajuda a resfriar a pele. No entanto, esse processo de resfriamento se torna muito menos eficiente em ambientes com alta umidade, como é o caso dessa onda de calor.

Além disso, a desidratação é um fator de risco crucial. Quando o corpo perde mais líquidos do que consegue repor, a capacidade de resfriamento por meio do suor diminui, o que pode levar ao aumento da temperatura interna e causar sintomas graves, como exaustão pelo calor e até insolação.

Prevenção e cuidados durante ondas de calor

Para lidar com o calor extremo, os especialistas orientam algumas precauções simples, mas fundamentais. Manter-se bem hidratado, beber água regularmente, usar roupas leves e buscar sombra durante as horas mais quentes do dia são ações que podem ajudar a aliviar a sensação térmica. Em algumas cidades, como São Paulo, foi montada a operação “Altas Temperaturas”, que distribui água e alimentos refrescantes para a população em pontos estratégicos da cidade.

Além disso, evitar exercícios físicos intensos durante o pico de calor e permanecer em locais frescos e ventilados são recomendações importantes, principalmente para grupos de risco, como idosos, crianças e pessoas com doenças preexistentes.

O futuro das ondas de calor no Brasil

Com a intensificação das mudanças climáticas, é esperado que eventos como ondas de calor se tornem cada vez mais frequentes no Brasil e em outras partes do mundo. A adaptação a essas novas condições climáticas será um desafio, e especialistas alertam para a necessidade de políticas públicas mais eficazes para mitigar os impactos do aquecimento global, além de ações educativas para conscientizar a população sobre como se proteger em períodos de calor extremo.

“Esses eventos não são apenas um problema do futuro, eles já estão acontecendo agora”, finaliza Hirota, destacando a urgência de se combater as mudanças climáticas de maneira global.

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Autoria: Sarah Pacini

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