A moeda norte-americana fechou em alta no Brasil, impulsionada por ruídos no mercado após falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e incertezas sobre novas tarifas comerciais dos Estados Unidos.

O dólar fechou com valorização nesta segunda-feira, alcançando R$ 5,7528, marcando a terceira alta consecutiva da moeda no Brasil. Esse movimento foi influenciado tanto por declarações do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto por incertezas externas, principalmente as expectativas de novos impostos que os Estados Unidos devem anunciar sobre produtos como automóveis e alumínio.
No mercado interno, a alta do dólar começou a se desenhar logo no início do pregão, após declarações de Haddad em evento promovido pelo Valor Econômico. O ministro comentou sobre o arcabouço fiscal do país e as condições necessárias para eventuais ajustes nas metas fiscais do governo, o que gerou um certo nervosismo no mercado financeiro. O ministro afirmou que, quando o Brasil atingir a estabilidade da dívida pública, com inflação e taxa Selic controladas, será possível ajustar certos parâmetros, mas a “arquitetura” do arcabouço fiscal não deverá ser alterada.
Essas declarações criaram um cenário de incerteza, com parte do mercado interpretando que o governo poderia eventualmente afrouxar o controle fiscal, o que levou a um aumento na aversão ao risco. A cotação do dólar, que abriu o dia em leve queda, saltou para o território positivo após as falas de Haddad, atingindo a máxima de R$ 5,7734. A pressão só foi atenuada quando o ministro se manifestou nas redes sociais, tentando esclarecer que sua fala havia sido distorcida, e reiterando seu apoio à arquitetura do arcabouço fiscal.
Apesar do alívio momentâneo, o dólar continuou sua trajetória de alta, também influenciado pelo avanço da moeda norte-americana no mercado internacional. A principal questão envolvia as novas tarifas que os Estados Unidos devem anunciar em breve, como alertado pelo presidente Donald Trump. Durante a manhã, Trump comentou que em um futuro próximo o governo norte-americano estabelecerá novas tarifas sobre diversos produtos, incluindo automóveis e alumínio, o que aumentou as incertezas no mercado global.
O cenário internacional também contribuiu para a alta do dólar no Brasil. A moeda dos EUA subiu diante de uma cesta de divisas fortes, como o euro e o iene, enquanto os investidores aguardam detalhes sobre a imposição de tarifas pelos Estados Unidos. A expectativa é que, em 2 de abril, o governo Trump anuncie uma série de tarifas recíprocas que afetariam, em particular, os setores automotivo e farmacêutico, o que mantém o mercado atento aos próximos passos do governo norte-americano.
Com esses fatores em jogo, a moeda norte-americana se manteve em alta, refletindo a combinação de pressões internas e externas. A cotação do dólar futuro também apresentou ganhos, fechando o dia a R$ 5,7635 para abril. Por outro lado, o mercado de ações no Brasil teve uma movimentação mais tranquila, com o Ibovespa seguindo seu curso, embora com algum impacto da volatilidade do câmbio.
O comportamento do dólar também está sendo monitorado de perto pelos analistas, que agora projetam uma leve correção da moeda no médio prazo. No boletim Focus do Banco Central, a expectativa para o fim de 2025 é de que o dólar se estabilize em torno de R$ 5,95, após uma queda em relação à previsão anterior de R$ 5,98.
O aumento recente da moeda norte-americana, no entanto, reflete as tensões globais e a cautela dos investidores diante das declarações internas e externas. O impacto das tarifas comerciais dos EUA sobre o mercado ainda gera incertezas, principalmente em relação ao impacto no Brasil, que tem fortes relações comerciais com os Estados Unidos. Por ora, o dólar se mantém em alta, e o mercado aguarda novos desdobramentos para entender o rumo das cotações no curto prazo.
Em um cenário de incertezas, o comportamento do câmbio continuará a ser um importante termômetro para as decisões econômicas, tanto no Brasil quanto no exterior, e os próximos dias devem trazer mais clareza sobre a direção que a moeda norte-americana tomará nos próximos meses.
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Autoria: Sarah Pacini

