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Morre Arnaldo Domingues Fernandes, fundador da Lusinha

Morre Arnaldo Domingues Fernandes, fundador da Lusinha

Visionário do futebol sul-mato-grossense, Arnaldo Fernandes criou a Lusinha em 1972, equipe que se transformaria no FC Pantanal, hoje na elite estadual

Faleceu nesta quinta-feira (10), em Campo Grande, aos 88 anos, Arnaldo Domingues Fernandes, figura histórica do futebol de Mato Grosso do Sul e responsável pela fundação da Associação Atlética Portuguesa, carinhosamente apelidada de “Lusinha”. Criado em 1972, o clube que nasceu sob sua liderança evoluiu ao longo das décadas, passando por transformações até se tornar o Futebol Clube Pantanal, atualmente um dos principais representantes do futebol sul-mato-grossense na primeira divisão do campeonato estadual.

A notícia da morte de Arnaldo causou grande comoção entre jogadores, dirigentes, torcedores e todos aqueles que acompanharam a trajetória do time e a contribuição do fundador para o esporte local. O FC Pantanal publicou uma nota oficial lamentando o falecimento e homenageando o legado de seu criador. “A presidência e os membros diretores do Pantanal, assim como os demais profissionais e atletas, expressam suas condolências à família do Sr. Arnaldo e assumem a responsabilidade de dar continuidade a este belo legado”, diz o comunicado.

Arnaldo foi muito mais do que um dirigente esportivo. Para muitos, ele foi um apaixonado pelo futebol raiz, aquele que emerge da força das comunidades, das divisões de base, dos campos de terra batida e da persistência de quem acredita que o esporte é um agente de transformação social. Quando fundou a Lusinha, em um momento em que o futebol regional ainda engatinhava em termos de estrutura e visibilidade, Arnaldo vislumbrava um futuro em que Mato Grosso do Sul teria seus próprios representantes de peso no cenário esportivo.

A transformação da Lusinha no atual Futebol Clube Pantanal é, para muitos, o símbolo mais concreto da visão de Arnaldo. A fusão e a renovação que deram origem ao FC Pantanal não apagaram a história do antigo clube — pelo contrário, foram encaradas como um renascimento que manteve vivas as raízes da instituição, agora com nova identidade, mas a mesma alma.

O atual vice-presidente do FC Pantanal, Giuvani Silva, prestou uma emocionante homenagem ao fundador. “O senhor Arnaldo deixou uma história muito bonita aqui no Mato Grosso do Sul. Nós estamos dando continuidade à trajetória da Portuguesa, que hoje é o Pantanal. Alcançamos a primeira divisão, que era o grande sonho do Sr. Arnaldo, e graças a Deus, conseguimos realizar isso ainda em vida. Que Deus o receba, meu amigo, e conforte a sua família”, declarou Silva ao Jornal Midiamax.

Giuvani também destacou que sua própria história no futebol é profundamente ligada à de Arnaldo. “Eu aprendi a amar o futebol e a acreditar no potencial do esporte com o exemplo dele. Arnaldo não era apenas um dirigente, ele era um idealista, um homem que fazia acontecer. E mesmo quando não havia estrutura, apoio ou recursos, ele mantinha a fé de que um dia a Lusinha estaria entre os grandes”, completou.

Outro nome de peso na atual administração do FC Pantanal é Gilmar Ribeiro, conhecido como Mazinho, que também tem trabalhado para honrar o legado deixado por Arnaldo. Juntos, Mazinho e Giuvani são considerados os guardiões modernos da filosofia que guiava Arnaldo: um futebol feito com paixão, disciplina e respeito às origens.

A chegada do FC Pantanal à Série A do Campeonato Sul-Mato-Grossense representou a realização de um sonho antigo de Arnaldo, que mesmo afastado das atividades diárias do clube nos últimos anos, nunca deixou de acompanhar os jogos e torcer com entusiasmo juvenil. Amigos próximos contam que ele assistiu, emocionado, à partida que garantiu o acesso à primeira divisão, e que chegou a dizer que aquele era um dos dias mais felizes da sua vida.

A morte de Arnaldo Domingues Fernandes marca o fim de um ciclo, mas também reforça a importância de preservar a memória e os valores que ele cultivou no esporte. O futebol de Mato Grosso do Sul perde uma de suas figuras mais icônicas, mas seu nome seguirá vivo em cada vitória, em cada grito da torcida do Pantanal, em cada jovem atleta que sonha em brilhar com a camisa do clube que ele ajudou a construir do zero.

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Autoria: Sarah Pacini

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