Hidrocefalia de pressão normal: conheça a condição que imita demência

Hidrocefalia de pressão normal: conheça a condição que imita demência

A hidrocefalia de pressão normal (HPN), condição que recentemente afetou o cantor estadunidense Billy Joel, de 77 anos, surge devido ao acúmulo anormal do líquor nas regiões do cérebro responsáveis pela sua produção. A enfermidade atinge em média uma a cada 100 pessoas com mais de 60 anos e tem sintomas que frequentemente são confundidos com o Alzheimer ou com o próprio envelhecimento natural.

Como identificar os sinais da HPN

O aparecimento do quadro é gradual e se manifesta apenas quando o líquido passa a pressionar os neurônios. “Os principais sintomas dela são alterações na forma de caminhar, com a marcha se tornando mais robótica, a incontinência urinária ou a urgência constante de urinar e o raciocínio mais lento. Nem todas as pessoas com a doença apresentam todos esses sintomas simultaneamente”, explica o neurologista Iron Dangoni Filho, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.

O especialista alerta que a falta de conscientização faz com que os pacientes procurem especialistas incorretos, como ortopedistas e urologistas, atrasando o tratamento adequado.

O papel do diagnóstico e o Tap test

O diagnóstico é confirmado por meio de ressonância magnética e da observação clínica. Se identificado precocemente, o problema pode ser revertido com a instalação de uma válvula cirúrgica que desvia o excesso de líquor para a região abdominal, onde é reabsorvido. Contudo, a demora na intervenção pode causar danos neurais irreversíveis.

Para avaliar a eficácia do procedimento, utiliza-se o Tap test, exame que realiza a retirada momentânea do líquor por punção lombar. Embora seja essencial, o teste não integra a lista obrigatória de planos de saúde ou do SUS, embora alguns centros públicos façam análises baseadas apenas em relatos.

“O Tap test positivo nos dá mais segurança para realizar a cirurgia, já que ele comprova os benefícios. Para nós, como médicos, é uma alegria receber o teste positivo e fazer uma cirurgia exitosa”, comenta o médico do Einstein em Goiânia.

Esperança na neurologia

Casos de repercussão internacional, como o do autor de Piano Man, ajudam a dar visibilidade ao problema. O artista relatou melhora na memória e no equilíbrio logo após o procedimento cirúrgico.

“Conhecer o caso de figuras famosas ajuda a trazer mais atenção para a doença e isso pode salvar vidas. Quanto antes o diagnóstico da condição é feito, mais provável é termos resultados de cura após a cirurgia”, afirma o neurologista.

“Na prática clínica da neurologia, convivemos com muitas demências que são progressivas, no máximo controláveis. Ver um paciente que não caminhava se movendo livremente e recuperando suas próprias memórias é uma das experiências mais gratificantes que podemos ter”, conclui Iron Dangoni.

Fonte: Super Interessante

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