Cerimônia solene terá início com missa no sábado, 26 de abril, e reunirá chefes de Estado e líderes religiosos de todo o mundo

O Vaticano divulgou nesta segunda-feira (22) os detalhes do funeral de Papa Francisco, falecido na madrugada de 21 de abril, aos 88 anos. Seguindo o protocolo previsto pelo Ordo Exsequiarum Romani Pontificis — documento que regula os ritos funerários de um Papa —, a Santa Sé anunciou que o sepultamento acontecerá no sábado, 26 de abril, às 10h da manhã (horário local), com uma missa solene presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, decano do Colégio Cardinalício. O corpo será sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, um dos locais mais simbólicos da devoção mariana do pontífice.
O anúncio foi feito pelo Departamento de Celebrações Litúrgicas do Vaticano e marca o início do Novendiali, os nove dias de luto e orações oficiais que sucedem a morte de um pontífice.
Traslado e visitação pública
Nesta quarta-feira (23), o corpo de Jorge Mario Bergoglio será trasladado da Capela da Casa Santa Marta, onde faleceu, até a Basílica de São Pedro. A cerimônia de translado terá início às 9h (horário local), com um momento de oração liderado pelo cardeal camerlengo Kevin Joseph Farrell. Em seguida, o caixão será conduzido em procissão solene pelas áreas internas do Vaticano, incluindo a Praça Santa Marta e a Praça dos Protormártires Romanos, até chegar à Basílica de São Pedro.
A entrada do corpo ocorrerá pela porta central do templo e, diante do Altar da Confissão — onde tradicionalmente estão os restos mortais de São Pedro — será realizada uma Liturgia da Palavra. Após essa cerimônia, o público poderá prestar suas homenagens ao pontífice durante o período de visitação, que deve se estender até sexta-feira.
Missa de exéquias e ritos finais
A Missa das Exéquias, que será celebrada no sábado (26), marcará o encerramento das cerimônias litúrgicas principais e dará início ao luto oficial da Igreja. Prevista para acontecer no átrio da Basílica de São Pedro, a celebração contará com a presença de centenas de cardeais, bispos e sacerdotes de diferentes partes do mundo, além de uma multidão de fiéis e representantes de diversas religiões.
Após a missa, dois ritos solenes ocorrerão: a Última Commendatio (última recomendação à misericórdia divina) e a Valedictio (a despedida final), que simbolizam a entrega definitiva do Papa à eternidade. Em seguida, o caixão será levado de volta ao interior da basílica e posteriormente transferido para a Basílica de Santa Maria Maior, onde ocorrerá o sepultamento.
A escolha da Santa Maria Maior para o descanso eterno do Papa foi interpretada por especialistas como uma homenagem à forte devoção mariana de Francisco, que frequentemente visitava a basílica antes e após suas viagens apostólicas. Ele próprio expressou em vida o desejo de ser sepultado neste local.
Presenças confirmadas
Diversos líderes mundiais já anunciaram presença nas cerimônias fúnebres. Estão previstas as participações de chefes de Estado, primeiros-ministros, autoridades religiosas e representantes de organismos internacionais. A dimensão do evento deve repetir o caráter histórico do funeral de João Paulo II, realizado em 2005, que reuniu milhões de pessoas em Roma.
Entre os confirmados, estão o presidente da França, Emmanuel Macron; o rei Felipe VI da Espanha; o secretário-geral da ONU, António Guterres; e líderes religiosos como o Patriarca Bartolomeu I, de Constantinopla, e o arcebispo de Canterbury, Justin Welby. A delegação brasileira será liderada pelo presidente da República e contará com representantes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Legado e últimos momentos
O funeral marca o encerramento de um dos pontificados mais transformadores da história contemporânea da Igreja Católica. Eleito em 2013, Francisco foi o primeiro papa jesuíta e o primeiro latino-americano a assumir o Trono de Pedro. Ao longo de 12 anos de liderança, deixou uma marca profunda com reformas pastorais, defesa dos pobres e abertura para temas como acolhimento à comunidade LGBTQIA+, inclusão de divorciados e maior protagonismo das mulheres na Igreja.
O pontífice faleceu após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral) e insuficiência cardíaca, menos de um mês após ter recebido alta hospitalar por pneumonia bilateral. Sua última aparição pública aconteceu no Domingo de Páscoa, quando, já bastante debilitado, abençoou os fiéis da sacada da Basílica de São Pedro e reiterou seu apelo por paz e justiça no mundo.
Como último gesto pastoral, Francisco visitou uma prisão em Roma na Quinta-feira Santa e distribuiu doces a crianças no sábado que antecedeu sua morte. Ele também recebeu o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, em uma reunião que simbolizou seu esforço constante pelo diálogo entre diferentes culturas e religiões.
Com sua partida, inicia-se agora o período de espera pelo Conclave, em que os cardeais da Igreja irão se reunir para eleger o novo sucessor de Pedro.
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Autoria: Sarah Pacini

