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Verticalização ameaça Parque do Prosa e pode causar colapso

Verticalização ameaça Parque do Prosa e pode causar colapso

Parlamentar denuncia que construções de prédios altos nos arredores do Parque do Prosa e dos Poderes colocam em risco ecossistemas sensíveis e nascentes da capital sul-mato-grossense

Em pleno Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o deputado estadual Paulo Duarte (PSB) fez um contundente pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Em sua fala, ele chamou atenção para o que classificou como uma ameaça grave ao equilíbrio ecológico da capital: o avanço da verticalização urbana no entorno do Parque do Prosa e da região administrativa do Parque dos Poderes.

Segundo Duarte, o processo de urbanização vertical com a aprovação de grandes empreendimentos residenciais e comerciais nas imediações da reserva ecológica pode provocar uma série de impactos irreversíveis à biodiversidade local. “É uma proposta irracional, que desconsidera completamente a função ambiental do Parque do Prosa, uma área única no Brasil e que deveria estar sendo protegida, não agredida”, afirmou.

O parlamentar, que é membro da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, destacou que as licenças já concedidas preveem a construção de prédios com até 30 andares. A área, originalmente preservada como uma das últimas reservas naturais urbanas da cidade, foi instituída por decreto ainda na gestão do ex-governador Pedro Pedrossian — conhecido por sua visão estratégica ao instalar a sede do governo estadual no meio de uma região que mais tarde seria reconhecida por seu valor ecológico.

Zona de amortecimento sob ataque

O problema se intensifica, de acordo com o deputado, por conta da ausência de uma legislação clara que regulamente o uso sustentável da chamada zona de amortecimento — área que funciona como um “colchão” de proteção ao redor do núcleo da reserva. “Não sou contra o desenvolvimento da cidade, mas em todo lugar sério do mundo existem regras para a ocupação de áreas sensíveis do ponto de vista ambiental. E aqui, infelizmente, esse regramento ainda não existe de forma eficaz”, pontuou.

Paulo Duarte informou que irá encaminhar uma proposta formal ao Governo do Estado e ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), solicitando a elaboração de uma lei específica que defina limites e diretrizes para a ocupação da área de entorno do Parque do Prosa e do Parque dos Poderes. Ele ressalta que algumas das nascentes já apresentam sinais visíveis de degradação ambiental.

Dados alarmantes

Durante sua fala, o deputado trouxe números que revelam a magnitude do impacto previsto caso os projetos de verticalização sigam adiante. Serão, segundo ele, 5.447 novas unidades habitacionais, 537 espaços comerciais e cerca de 7.500 vagas de estacionamento ao longo de 14 quilômetros de extensão ao redor do Parque dos Poderes.

“A impermeabilização do solo com tanto concreto vai modificar completamente a dinâmica ambiental da região. Estamos falando da destruição de habitats naturais, da morte de nascentes, e da fuga ou morte de espécies animais que hoje habitam o parque. É uma irresponsabilidade aprovar esse tipo de ocupação sem considerar os impactos ambientais”, alertou.

Alternativas existem, diz parlamentar

Duarte também criticou o fato de que a expansão urbana está se concentrando justamente em uma das áreas mais sensíveis do ponto de vista ambiental, enquanto diversas regiões da cidade permanecem subutilizadas. “Campo Grande tem muitos vazios urbanos, bairros inteiros com infraestrutura e pouca ocupação, que poderiam ser incentivados com políticas públicas. Em vez disso, preferem levar o concreto para dentro de uma área que deveria ser exemplo de preservação ambiental”, disse.

O deputado defendeu uma visão mais estratégica e sustentável para o desenvolvimento urbano da capital, com foco em descentralização, uso racional do solo e proteção do patrimônio natural. Ele destacou que, sem uma resposta urgente por parte do poder público, o risco é de transformar uma das principais reservas urbanas do país em uma ilha cercada por arranha-céus.

Clamor por responsabilidade ambiental

A fala de Paulo Duarte ecoa uma preocupação crescente entre ambientalistas, urbanistas e moradores da cidade, que temem que o modelo de desenvolvimento adotado traga mais prejuízos do que benefícios. A busca por crescimento econômico não pode, segundo o deputado, atropelar compromissos com a sustentabilidade.

“É preciso agir com responsabilidade. Estamos diante de uma decisão que vai impactar gerações futuras. Proteger o Parque do Prosa é proteger a qualidade de vida da nossa cidade”, concluiu Duarte.

Com a mobilização ganhando força, a expectativa é de que o tema avance nas discussões legislativas nas próximas semanas, pressionando o governo estadual a se posicionar de forma clara sobre os rumos do planejamento urbano em áreas de proteção ambiental.

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Autoria: Sarah Pacini

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