Período de estiagem eleva custos e pode levar à adoção da bandeira vermelha patamar 2; especialistas explicam impacto e orientam como economizar

A partir desta segunda-feira, os consumidores brasileiros começam a sentir no bolso o aumento da tarifa de energia elétrica. Isso porque, com a chegada de junho, entrou em vigor a bandeira vermelha patamar 1, o que representa um acréscimo de R$ 4,463 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos na conta de luz. E a notícia pode piorar: especialistas alertam para a possibilidade de que, nos próximos meses, seja necessário adotar o patamar 2, que impõe uma taxa extra ainda maior — R$ 7,877 por 100 kWh.
A principal causa do reajuste está relacionada ao período de estiagem, que se intensifica nesta época do ano e pode se estender até o final de 2025. Com menos chuvas, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas caem, o que exige maior uso de termelétricas, mais caras e poluentes.
Segundo o engenheiro elétrico Edval Debolne, do Instituto Mauá de Tecnologia, a escassez hídrica já indica um cenário preocupante para os próximos meses. “Estamos entrando no ciclo seco, com menos chuvas e maior risco para a geração hidrelétrica. A tendência é de que essa bandeira mais cara se mantenha até pelo menos setembro, podendo inclusive avançar para o patamar 2 em agosto, quando o quadro costuma ser mais crítico”, afirma o especialista.
Pressão na inflação
Além de pesar no orçamento doméstico, o aumento na tarifa energética pode ter efeitos econômicos mais amplos. Isso porque a energia é um insumo essencial para diversos setores, impactando desde a indústria até os serviços. Com isso, o repasse dos custos ao consumidor final pode pressionar a inflação e dificultar ainda mais o controle de preços no país.
O cenário reforça a necessidade de adotar medidas de economia de energia, especialmente durante os meses de estiagem. Mesmo que tecnicamente as temperaturas sejam mais amenas entre junho e agosto, o consumo elevado de certos aparelhos — como chuveiros elétricos e aquecedores — pode manter a conta alta.
Como reduzir o consumo e evitar surpresas na conta de luz
A Energisa, concessionária responsável pela distribuição de energia em diversos estados, reuniu orientações simples e eficazes que podem ajudar as famílias a reduzirem o gasto de energia elétrica durante o inverno. Confira as principais dicas:
1. Use o chuveiro elétrico com moderação
Durante os dias frios, é natural querer banhos mais quentes e demorados. No entanto, o chuveiro elétrico está entre os aparelhos que mais consomem energia. Reduzir o tempo de banho em apenas 5 minutos pode gerar economia significativa ao final do mês.
2. Aproveite a luz natural
Mesmo com os dias mais curtos, manter janelas, portas e cortinas abertas durante o dia reduz a necessidade de acender lâmpadas. Evite deixar luzes ligadas em cômodos vazios e, sempre que possível, opte por lâmpadas LED, que consomem menos e duram mais.
3. Cuidado com a geladeira
Evite abrir a porta da geladeira com frequência e por longos períodos. Posicione na parte frontal os alimentos mais utilizados, como frutas, sucos e iogurtes, especialmente os consumidos por crianças. Isso reduz o tempo de abertura e o gasto de energia. Outro ponto importante: nunca utilize a parte traseira da geladeira para secar roupas, pois isso força o equipamento e eleva o consumo.
4. Economize ao lavar e passar roupas
A dica é acumular peças para lavar de uma só vez e, ao passar roupas, priorizar apenas o essencial. O ferro elétrico, quando utilizado continuamente, também representa alto consumo de energia.
5. Desligue aparelhos em stand-by
Televisores, computadores e outros dispositivos eletrônicos consomem energia mesmo quando estão em modo de espera. Desligar completamente esses aparelhos da tomada durante a noite ou quando não estiverem em uso ajuda a reduzir o desperdício.
6. Evite dormir com a TV ligada
Parece inofensivo, mas deixar a televisão ligada durante toda a noite pode representar um consumo extra considerável. Sempre que possível, utilize a função “timer” para que ela desligue automaticamente após certo período.
Planejamento ajuda a enfrentar a crise energética
O momento exige atenção redobrada dos consumidores, tanto pelo impacto no orçamento doméstico quanto pelos reflexos econômicos mais amplos. Planejar o consumo e adotar boas práticas no dia a dia são atitudes simples que podem fazer a diferença nos próximos meses.
Com o agravamento da estiagem e a expectativa de manutenção da bandeira vermelha até o fim do ano, medidas preventivas ganham ainda mais relevância. “Se cada um fizer sua parte, é possível evitar sustos na conta de luz e até contribuir para o uso mais consciente dos nossos recursos naturais”, conclui o engenheiro Edval Debolne.
Autoria: Sarah Pacini.

