Portal E-Brasil

Morre artista corumbaense Jonir Figueiredo aos 73 anos

Morre artista corumbaense Jonir Figueiredo aos 73 anos

Pintor e escultor renomado, Figueiredo participou da abertura de festival de cinema na véspera de sua morte e deixa legado de mais de cinco décadas na arte regional

O mundo das artes visuais perdeu neste sábado (26) uma de suas vozes mais potentes e singulares: Jonir Figueiredo, artista plástico corumbaense e referência da arte pantaneira, foi encontrado morto aos 73 anos em Bonito, no estado de Mato Grosso do Sul. O artista havia participado, na noite anterior, da abertura da 3ª edição do Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito (Bonito CineSur).

Segundo relatos de amigos próximos, Figueiredo estava hospedado na casa de conhecidos após o evento e foi encontrado já sem vida, no quarto onde dormia. A suspeita inicial é de que tenha falecido durante o sono, de forma tranquila e silenciosa.

A notícia pegou de surpresa a comunidade artística local e nacional, que recebeu a informação com pesar e emoção. O próprio festival em que o artista esteve presente emitiu uma nota de pesar, exaltando a importância de sua trajetória e o simbolismo de sua última aparição pública.

Uma vida dedicada à arte do Pantanal

Natural de Corumbá, cidade pantaneira cravada na fronteira entre o Brasil e a Bolívia, Jonir construiu ao longo de mais de 50 anos uma carreira marcada por um profundo compromisso com as paisagens, culturas e narrativas do Pantanal sul-mato-grossense. Sua formação em Educação Artística pela Faculdade Unidas de Marília (SP) lhe deu base técnica, mas foi no retorno à terra natal que ele consolidou sua identidade como criador visual.

Utilizando técnicas mistas — que incluíam pintura em óleo, aquarela, carvão e escultura —, Jonir criou um estilo próprio, caracterizado pela exuberância cromática e pelos detalhes minuciosos da fauna, flora e cotidiano do homem pantaneiro.

Seu trabalho foi exibido em salas de arte e galerias pelo Brasil e pelo exterior, sendo reconhecido por críticos e estudiosos como um dos principais nomes da representação regionalista no país. Ao mesmo tempo, Jonir mantinha uma relação íntima com as comunidades do interior, promovendo oficinas, exposições em escolas e projetos de arte-educação voltados à valorização da cultura local.

Último ato: presença celebrada no Bonito CineSur

Na sexta-feira (25), o artista foi homenageado durante a cerimônia de abertura do Bonito CineSur, festival que celebra o cinema sul-americano e suas intersecções com outras formas de expressão artística. Jonir foi convidado de honra e chegou a ser aplaudido por artistas, cineastas e espectadores que prestigiaram a noite inaugural.

Horas depois, seu corpo foi encontrado por amigos que o hospedavam. O velório está sendo organizado pela família e amigos próximos, com apoio da Secretaria de Cultura de Mato Grosso do Sul. Ainda não há informações oficiais sobre a causa da morte, mas as primeiras avaliações indicam falecimento por causas naturais.

Repercussão e homenagens

A morte de Jonir gerou comoção entre artistas, autoridades e admiradores. Nas redes sociais, dezenas de mensagens foram publicadas por pessoas que conviveram com ele ou que se sentiram impactadas por sua obra.

“O Pantanal perde hoje um de seus maiores intérpretes visuais. Jonir foi muito mais que um artista: foi um tradutor da alma da nossa terra”, escreveu o historiador e curador Carlos E. Lima.

A organização do Bonito CineSur também divulgou uma nota oficial:

“É com profundo pesar que o Festival de Cinema Sul-Americano de Bonito recebe a triste notícia do falecimento do renomado artista plástico Jonir Figueiredo. Ele nos deixou pacificamente durante o sono, após prestigiar a abertura do nosso evento. Jonir é uma figura monumental cujo talento e visão transcenderam fronteiras e inspiraram gerações. Sua presença, mesmo que breve, nos encheu de honra. Sua obra permanecerá eternamente viva.”

Legado além das telas

Jonir não foi apenas pintor. Atuou como educador, cenógrafo, escultor e também ativista cultural, sempre engajado em causas ligadas à preservação do bioma pantaneiro e à valorização da cultura indígena, afro-brasileira e fronteiriça. Era conhecido por sua gentileza, sorriso fácil e generosidade com jovens artistas iniciantes.

Dentre suas obras mais conhecidas estão as séries “Cantos do Pantanal”, “Luzes de Corumbá” e “Faces do Rio Paraguai”. Seu acervo, mantido parcialmente em sua casa-ateliê, é considerado um tesouro da memória artística do Centro-Oeste brasileiro.

A morte de Jonir Figueiredo encerra um ciclo importante da arte pantaneira, mas sua obra e sua influência certamente seguirão pulsando em museus, livros, escolas, e principalmente, nas margens silenciosas do Pantanal que ele tanto amou e retratou.

Autoria: Sarah Pacini

Para mais notícias sobre o que acontece em Mato Grosso do Sul, confira o Portal E-Brasil.

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário