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Pesquisa aponta Campo Grande com o pior índice cultural

Pesquisa aponta Campo Grande com o pior índice cultural

Estudo do Ministério da Cultura revela baixa participação da população em atividades culturais. Capital de Mato Grosso do Sul teve desempenho inferior à média nacional em todos os 14 critérios avaliados.

Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, lidera um ranking que, infelizmente, nenhum município deseja encabeçar. Segundo o levantamento “Cultura nas Capitais”, divulgado pelo Ministério da Cultura com coleta de dados realizada pelo Datafolha, a cidade registrou o pior índice de acesso à cultura entre todas as capitais brasileiras, ficando abaixo da média nacional em todos os 14 critérios analisados.

A pesquisa escancarou a realidade de uma cidade que, apesar de crescer economicamente, ainda enfrenta sérios desafios no acesso, incentivo e valorização da cultura local.

O que foi avaliado?

O estudo ouviu 600 moradores campo-grandenses com mais de 16 anos, entre os dias 2 de março e 15 de maio de 2025. Eles responderam a 61 perguntas sobre hábitos e acesso a atividades culturais. A margem de erro é de 4 pontos percentuais.

As perguntas envolviam temas como frequência a bibliotecas, museus, festas populares, concertos, teatros, saraus, cinema, dança, shows musicais e até consumo de livros e jogos eletrônicos. Campo Grande ficou abaixo da média nacional em todos os quesitos.

Veja os resultados:

Atividade culturalCampo GrandeMédia Nacional
Leitura de livros47%62%
Cinema42%48%
Jogos eletrônicos34%51%
Shows de música33%41%
Festas populares30%36%
Visita a locais históricos26%45%
Dança15%24%
Bibliotecas15%25%
Museus13%27%
Circo12%14%
Teatro12%25%
Feiras do livro9%21%
Saraus3%12%
Concertos (música erudita)2%8%

Causas e reflexões

Segundo especialistas, os números refletem não apenas a ausência de políticas públicas robustas, mas também uma cultura de desvalorização das expressões artísticas locais e uma estrutura urbana que não favorece o acesso a espaços culturais.

A cidade conta com projetos importantes — como o inacabado Centro de Belas Artes, cujas obras estão paradas novamente após a suspensão do contrato com a empresa responsável — mas a falta de continuidade e apoio estrutural fragiliza a cena cultural.

“Falta incentivo, sim, mas também falta reconhecimento da importância da cultura na formação de cidadãos mais conscientes, críticos e criativos”, comenta a produtora cultural Ana Cecília Prado, moradora de Campo Grande há 20 anos. “É difícil fazer arte em uma cidade onde o acesso é restrito e o público é pouco estimulado.”

Preferências culturais da população

Ainda segundo a pesquisa, entre as atividades que ainda conseguem atrair público em Campo Grande, a festa junina lidera com 72% da preferência, seguida pelo Carnaval (25% preferem desfiles e 22% blocos de rua). Já no campo musical, a música sertaneja é a favorita de 64% dos entrevistados, refletindo uma identidade cultural regional forte, porém pouco diversificada nos espaços públicos e eventos institucionais.

No quesito museus, o mais lembrado pelos entrevistados foi o Museu José Antônio Pereira, com 21% das menções. Em contrapartida, 75% disseram não conhecer ou nunca ter visitado o MIS (Museu da Imagem e Som).

Comparação com outras capitais

No lado oposto do ranking, estão as cidades com maior acesso e envolvimento cultural. Florianópolis lidera, com desempenho acima da média em praticamente todos os indicadores. Em seguida vêm Porto Alegre, São Paulo, Vitória e Curitiba, todas com apenas um item abaixo da média.

Logo atrás de Campo Grande, figuram Boa Vista (RR), Maceió (AL), Salvador (BA) e Porto Velho (RO) como as capitais com os piores índices.

E agora, Campo Grande?

Diante dos dados, o cenário exige mais do que indignação: exige ação. Artistas locais, coletivos culturais, ONGs e educadores vêm há anos lutando por mais acesso, financiamento e visibilidade. Agora, com dados oficiais que colocam a cidade em último lugar, o poder público e a sociedade civil têm a oportunidade de transformar essa estatística em um ponto de virada.

“Não é só sobre ir ao teatro ou ao museu. É sobre entender que cultura é um direito, e que ela forma o senso crítico, dá voz às periferias, preserva a identidade e pode transformar uma cidade”, destaca o sociólogo Luiz Freitas, professor da UFMS.

Caminhos possíveis

A reativação e finalização de equipamentos culturais inacabados, a ampliação de políticas de fomento a artistas independentes, o acesso à cultura nas escolas, e a descentralização das atividades para bairros periféricos são passos essenciais para que Campo Grande mude sua realidade.

Em tempos de estatísticas frias, é o calor das manifestações culturais que pode reacender o orgulho e a identidade da capital sul-mato-grossense.

Confira mais notícias sobre a cultura sul-mato-grossense no Portal E-Brasil.

Sarah Pacini

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