Animal de pelagem branca foi visto revirando uma composteira em área preservada; biólogo destaca que casos como esse são extremamente incomuns na natureza.

Um quati albino, animal extremamente raro na natureza, foi flagrado em um assentamento rural de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, e o registro tem chamado a atenção de especialistas e entusiastas da fauna brasileira. A gravação, feita pelo servidor público Renato de Oliveira Carvalho, mostra o animal com pelagem branca revirando uma composteira em busca de alimento.
O avistamento ocorreu no Assentamento Taquaral, região preservada e com vegetação nativa, onde há presença de nascentes e matas densas. Renato conta que o animal surgiu de maneira inesperada, provavelmente atraído pelo cheiro de restos orgânicos descartados corretamente em uma área de compostagem.
“Como tá esse tempo seco, o meu irmão lá não coloca fogo. Ele fez uma composteira para jogar folha seca, restos de alimentos, essas coisas. Aí ele [quati] apareceu lá, revirando essa composteira”, relatou Renato ao g1.
Segundo o morador, nunca houve registros anteriores de quatis naquela área, muito menos de um exemplar albino — condição genética que causa a ausência de pigmentação na pele, pelos e olhos.
Albino e adulto: combinação ainda mais rara
O biólogo Henrique Abrahão Charles, especialista em fauna silvestre, analisou as imagens e confirmou que se trata de um exemplar adulto de quati albino — algo raríssimo de se ver na natureza. De acordo com ele, embora já existam registros esporádicos desse tipo de animal, como um caso semelhante em 2019, a combinação de albinismo com a idade avançada surpreende.
“Animais albinos enfrentam grandes dificuldades na natureza. Eles se tornam mais visíveis para predadores e presas, além de estarem mais suscetíveis a problemas de visão e queimaduras solares. Um quati albino adulto é, de fato, uma raridade”, explicou o biólogo.
Ele ainda destaca que os hábitos de vida do quati — especialmente o fato de que ele pode ser ativo tanto durante o dia quanto à noite — podem ter contribuído para sua sobrevivência até a fase adulta, mesmo com as limitações impostas pelo albinismo.
Isolamento ou aceitação pelo grupo?
Outra curiosidade mencionada pelo especialista é o comportamento social dos quatis. Esses mamíferos costumam viver em bandos, especialmente as fêmeas e os filhotes. Já os machos adultos, como parece ser o caso do animal registrado, tendem a levar uma vida mais solitária, retornando ao grupo apenas durante a época reprodutiva.
“Animais albinos muitas vezes são rejeitados pelo bando por não se parecerem com os demais. Mas, considerando que esse quati já alcançou a fase adulta, ele provavelmente foi aceito pelo grupo ou está sobrevivendo com ajuda humana, o que é possível em áreas onde há preservação e boa convivência com moradores”, observou Charles.
O biólogo elogiou a iniciativa da família em manter uma composteira e se mostrou encantado com o flagrante:
“É um registro fabuloso, ele é lindo demais”, finalizou.
Região favorece biodiversidade
A área onde o quati foi visto é considerada um reduto de biodiversidade, com presença de cursos d’água, vegetação nativa e solo fértil. O Assentamento Taquaral, localizado no município de Corumbá, faz parte de uma zona de transição entre o Pantanal e o Cerrado, o que favorece a existência de diversas espécies da fauna e flora brasileira.
Mesmo assim, a presença de um animal albino em meio à natureza chama atenção, justamente por sua baixa ocorrência. Segundo estudos genéticos, a probabilidade de albinismo em mamíferos silvestres é inferior a 1 em 10 mil nascimentos.
Importância de registros e preservação
Registros como este não são apenas curiosidades da natureza. Eles desempenham um papel fundamental para estudos científicos, conservação ambiental e conscientização pública. O vídeo feito por Renato viralizou nas redes sociais e chegou até especialistas, que agora estudam mais a fundo o comportamento do animal.
“Esses flagrantes ajudam a entender melhor como certas espécies se adaptam a condições adversas. Além disso, reforçam a importância de manter áreas naturais preservadas e de promover o descarte correto de resíduos orgânicos, como a família do Renato faz com a composteira”, destacou Charles.
Quatis: quem são esses animais?
O quati (Nasua nasua) é um mamífero nativo da América do Sul, pertencente à mesma família dos guaxinins. São conhecidos pelo comportamento curioso e pela habilidade de escalar árvores. Vivem em bandos de até 20 indivíduos, mas machos adultos, como mencionado, costumam se isolar.
Sua alimentação é onívora, consumindo frutas, pequenos animais, insetos e restos de comida. Isso explica a curiosidade do quati albino pela composteira — uma fonte rica e acessível de nutrientes.
Final feliz (e branco)
Ainda não se sabe se o animal voltará a aparecer, mas os moradores da região estão atentos e, agora, mais conscientes da importância de manter o ambiente acolhedor para a fauna local.
O vídeo gravado por Renato, além de despertar encantamento, reforça um ponto essencial: a natureza ainda é capaz de surpreender — e preservar é o melhor caminho para continuar sendo surpreendido.
Confira mais notícias sobre o meio-ambiente no Portal E-Brasil.
Autoria: Sarah Pacini

