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Quem eram as vítimas do acidente aéreo no Pantanal

Quem eram as vítimas do acidente aéreo no Pantanal

Queda de avião em Aquidauana (MS) matou quatro pessoas; entre elas, o renomado arquiteto Kongjian Yu, o cineasta Luiz Ferraz, o documentarista Rubens Crispim Jr. e o piloto Marcelo Barros. Profissionais estavam em gravação de documentário sobre sustentabilidade.

A queda de uma aeronave de pequeno porte na região do Pantanal sul-mato-grossense, na noite de terça-feira (23), não apenas deixou um rastro de destruição e tristeza, como também representou uma perda imensurável para as áreas da arquitetura, do cinema documental e da aviação. O acidente aconteceu em Aquidauana, na zona rural da Fazenda Barra Mansa, e matou os quatro ocupantes do avião: o arquiteto chinês Kongjian Yu, o cineasta Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz, o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr. e o piloto Marcelo Pereira de Barros.

A bordo da aeronave modelo Cessna, os profissionais estavam na região para as gravações do documentário “Planeta Esponja”, voltado ao conceito de cidades-esponja — desenvolvido por Yu como uma solução ecológica para o planejamento urbano sustentável. O projeto tinha como cenário o Pantanal, um dos biomas mais emblemáticos do Brasil e palco de constantes debates sobre conservação e sustentabilidade.

Kongjian Yu: o arquiteto que unia arte, ciência e ecologia

Considerado um dos maiores arquitetos paisagistas do mundo, Kongjian Yu nasceu em 1963 na província de Zhejiang, na China. Doutor em design pela Universidade de Harvard, ele dedicou a carreira à integração entre urbanismo, natureza e sustentabilidade. Foi o criador do conceito de “cidades-esponja” — áreas urbanas projetadas para absorver, filtrar e reutilizar a água da chuva, em contraste com os sistemas convencionais de drenagem.

Yu era reitor e professor da Escola de Arquitetura da Universidade de Pequim e fundou a prestigiada empresa Turenscape, referência internacional em design paisagístico. Ao longo de sua trajetória, acumulou mais de 30 livros, 300 artigos e dezenas de prêmios internacionais, incluindo o Oberlander Prize, o Sir Geoffrey Jellicoe Award e a inclusão na lista da Forbes como Líder Global em Sustentabilidade (2025).

Em sua visão, o design urbano deveria ser uma “arte de sobrevivência”. Seus projetos combinavam rigor científico e beleza estética, com soluções criativas para problemas urgentes como enchentes, poluição urbana e gestão de recursos hídricos.

Luiz Ferraz: premiado documentarista brasileiro com carreira internacional

Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz era um dos principais nomes da produção audiovisual brasileira voltada à não-ficção. Diretor na Olé Produções desde 2007, Ferraz ficou conhecido por sua abordagem sensível e técnica apurada em documentários e séries.

Entre seus trabalhos mais notáveis, está a série “Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia”, indicada ao Emmy Internacional, além da série “All or Nothing: Seleção Brasileira de Futebol”, da Amazon Prime Video, e produções para canais como HBO, National Geographic e MBC.

No documentário “Planeta Esponja”, Ferraz atuava como diretor e liderava a equipe que acompanhava Kongjian Yu na exploração de soluções ecológicas para os centros urbanos. O projeto simbolizava sua visão de unir arte, ciência e urgência ambiental — temas centrais em sua filmografia.

Rubens Crispim Jr.: artesão da imagem e defensor da memória urbana

Rubens Crispim Jr. era diretor de fotografia, produtor e documentarista com mais de 20 anos de atuação no audiovisual brasileiro. Formado em Artes Plásticas pela ECA-USP, Rubens ganhou projeção ao vencer o reality Projeto 48, do canal TNT, com o curta “Os 400 Golpes”.

Sua obra mais recente, “O Bixiga é Nosso!”, foi premiada como Melhor Filme pelo Público na Mostra Ecofalante 2024 e demonstrava seu compromisso com a valorização das memórias urbanas e das histórias invisibilizadas. Rubens era fundador da produtora Poseidoscorp e atuava em projetos para emissoras como Discovery Channel, TV Globo, TV Cultura e National Geographic.

No Pantanal, ele trabalhava como diretor de fotografia no documentário “Planeta Esponja”, reforçando sua trajetória de engajamento com temas sociais, ambientais e culturais.

Marcelo Pereira de Barros: o piloto pantaneiro apaixonado por voar

Piloto experiente e proprietário do avião que caiu, Marcelo Pereira de Barros era apaixonado pela aviação e pelas paisagens do Pantanal. Nas redes sociais, ele frequentemente expressava gratidão pela realização de seu sonho: ser “piloto pantaneiro”.

A aeronave de matrícula PT-BAN estava registrada em seu nome e, segundo dados da Anac, tinha situação regular de aeronavegabilidade. No entanto, não possuía autorização para realizar voos de táxi aéreo. Marcelo atuava como piloto privado, transportando passageiros em rotas de difícil acesso, comuns na região pantaneira.

Investigações e impacto

A Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou que a investigação está a cargo do SERIPA IV (Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), com sede em São Paulo. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul também atua no caso, com apoio do DRACCO e da Delegacia de Polícia de Aquidauana. Peritos estão no local para análise dos destroços e coleta de dados preliminares.

Segundo informações iniciais, a aeronave explodiu ao colidir com o solo, carbonizando os corpos das vítimas. A região onde ocorreu o acidente apresenta dificuldades de acesso, o que atrasou os trabalhos de resgate. As condições climáticas extremas do Pantanal — que alternam entre secas e inundações — podem ter contribuído para o acidente, embora a causa oficial ainda não tenha sido divulgada.

Uma perda irreparável para a cultura e o meio ambiente

A tragédia em Aquidauana representa não apenas uma perda humana dolorosa, mas também o fim abrupto de um projeto que unia ciência, arte e sustentabilidade. O documentário “Planeta Esponja” prometia ser uma obra relevante no debate sobre o futuro das cidades e a relação do ser humano com a natureza — temas que se tornam ainda mais urgentes diante das crises climáticas globais.

As vítimas eram profissionais comprometidos com a transformação do mundo por meio da criatividade, da pesquisa e do olhar sensível. Suas ausências serão sentidas profundamente por suas respectivas áreas, e seus legados continuarão a inspirar futuras gerações.

Autoria: Sarah Pacini

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