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Influencer da capital chama operação em RJ de faxina

Influencer da capital chama operação em RJ de faxina

Vídeo com declaração de Firmino Cortada ultrapassa 2 milhões de visualizações e reacende debate sobre segurança pública, violência e discurso nas redes sociais

Um vídeo publicado nas redes sociais pelo influenciador Firmino Cortada, morador de Campo Grande (MS), provocou uma onda de polêmicas e reações em todo o país. Conhecido por seus comentários diários sobre política e atualidades, o criador de conteúdo repercutiu nas plataformas após se posicionar sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de 120 mortos nas comunidades dos Complexos do Alemão e da Penha.

Nas imagens, que rapidamente viralizaram, Firmino afirma que a ação das forças de segurança não deve ser tratada como uma “chacina”, mas como uma “faxina”. Em apenas duas horas, o vídeo somou mais de 13 mil comentários, 242 mil curtidas e ultrapassou a marca de 2 milhões de visualizações — a maioria, segundo levantamento preliminar, em apoio ao posicionamento do influenciador.

“Não é chacina, é faxina”

No vídeo, Firmino inicia seu comentário aplaudindo a operação policial. “Isso aqui não é chacina, isso aqui é faxina. Nós estamos no meio de uma guerra — guerra de narrativas, guerra política e a guerra no Rio de Janeiro”, afirma o influenciador.

Conhecido por se declarar “influencer de direita”, ele argumenta que as imagens dos corpos espalhados nas ruas das comunidades cariocas “ecoarão pelo mundo” e que, segundo ele, a polícia será injustamente criticada por cumprir o seu papel.

Ao levantar uma arma contra a polícia, estou fazendo uma escolha. Ao voar um drone para atacar a polícia, também estou fazendo uma escolha”, comentou Cortada em um dos trechos mais compartilhados do vídeo.

A declaração, que mistura indignação com defesa das forças de segurança, dividiu opiniões entre internautas. Enquanto parte dos seguidores elogiou a “coragem” do influenciador em se posicionar publicamente, outros classificaram o discurso como insensível e desrespeitoso diante da tragédia humanitária que marcou a operação.

“A única morte que deve ser lamentada é a dos policiais”

Em outro momento do vídeo, Firmino reage às fotos que circularam mostrando mães chorando sobre os corpos de seus filhos nas ruas do Rio. “Eu sinto muito por elas. Quando vi essas imagens, me deu um aperto no peito. Mas também pensei: esse filho fez uma escolha há muito tempo”, disse.

Ele prosseguiu argumentando que, embora reconheça a dor das famílias, considera necessário voltar o olhar às vítimas que, segundo ele, “são esquecidas”: os policiais mortos e a população refém do narcotráfico.

É de cortar o coração, mas a gente precisa olhar para os policiais que perderam a vida e para as famílias que vivem sob o domínio do crime. Tem gente que não consegue comprar um botijão de gás se não for da facção”, afirmou o tiktoker.

No encerramento do vídeo, Cortada direciona críticas ao governo federal e, em especial, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela falta de posicionamento sobre o episódio. “Não dá pra ficar em cima do muro. Ou você é a favor da população, ou é a favor de bandido. A única morte que a gente deve chorar é a dos policiais e da população inocente que, porventura, morra nessa guerra”, concluiu.

Repercussão nas redes e debate público

As falas do influenciador rapidamente se espalharam entre usuários de diferentes plataformas. Em menos de um dia, o vídeo circulava em perfis de notícias, fóruns de debate político e grupos de aplicativos de mensagens.

Os comentários variaram entre apoio e indignação. Seguidores que concordaram com Firmino ressaltaram o “direito de defesa” das forças de segurança e afirmaram que o país “não pode tratar criminosos como vítimas”. Por outro lado, críticos acusaram o influenciador de naturalizar a violência e desumanizar as vítimas da periferia, apontando que o discurso contribui para a polarização e para a normalização da letalidade policial.

Especialistas em comunicação e direitos humanos também comentaram a repercussão. Para analistas, o caso ilustra como figuras públicas podem ampliar o alcance de discursos extremos, especialmente em um contexto de redes sociais que privilegia conteúdos polêmicos e emocionais.

O que aconteceu no Rio de Janeiro

A operação policial no Rio de Janeiro, que motivou o vídeo, foi deflagrada na terça-feira (28) e envolveu 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar. A ação teve como objetivo combater o Comando Vermelho, facção criminosa que controla parte dos Complexos do Alemão e da Penha.

De acordo com informações oficiais, esta foi a operação mais letal da história do Estado, com 124 mortes confirmadas até o momento. Em retaliação, criminosos interditaram ruas e atacaram veículos em diferentes pontos da capital fluminense.

O governo estadual justificou a ação como resposta à escalada de ataques armados na região. Já entidades de direitos humanos classificaram o episódio como “tragédia social” e cobraram investigação independente sobre possíveis abusos policiais.

Na manhã de quarta-feira (29), o Rio de Janeiro amanheceu em clima de aparente normalidade, mas com clima de tensão e protestos de moradores. Relatos indicam que novos corpos foram levados ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, que centralizou o atendimento aos feridos.

Entre a opinião e a responsabilidade

A fala de Firmino Cortada evidencia como as redes sociais se tornaram palco central para disputas narrativas em torno da segurança pública no Brasil. A velocidade com que o vídeo se espalhou mostra o poder de influência e o impacto de discursos polarizados em temas sensíveis, como a violência urbana e o papel das forças de segurança.

Enquanto parte do público enxerga no influenciador uma voz que “fala o que muitos pensam”, outros alertam para os riscos da desinformação e da simplificação de questões complexas, especialmente quando vidas humanas estão em jogo.

Com milhões de visualizações e um debate acalorado em curso, o caso de Firmino Cortada demonstra que, em tempos de redes sociais, a linha entre opinião e incitação é cada vez mais tênue — e que as palavras ditas em frente a uma câmera podem reverberar muito além do ambiente digital.


Autoria: Sarah Pacini

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