Eric Terena levou a música dos povos originários ao palco do evento internacional em Belém e emocionou 50 mil pessoas com sua mistura de cantos indígenas e beats eletrônicos

O som dos tambores indígenas ecoou entre as batidas eletrônicas no Estádio Olímpico do Pará, em Belém, durante o festival Global Citizen: Amazônia, no último sábado (1º). Entre nomes consagrados da música mundial, como Anitta, Chris Martin, Shawn Mendes, Charlie Puth, Gilberto Gil, Seu Jorge e Gaby Amarantos, um artista sul-mato-grossense se destacou por unir ancestralidade e modernidade em um mesmo palco: o DJ Eric Terena, representante do povo Terena e natural de Campo Grande (MS).
Com um público estimado em 50 mil pessoas, o festival marcou a primeira edição latino-americana do Global Citizen, um dos maiores eventos beneficentes do mundo, conhecido por unir arte, ativismo e solidariedade. E foi nesse cenário grandioso que o músico indígena transformou seu set em uma verdadeira celebração da cultura e da resistência dos povos originários.
Da aldeia ao palco internacional
Orgulhoso de suas raízes, Eric Terena é reconhecido por ser um dos pioneiros em misturar cantos tradicionais indígenas com música eletrônica, criando uma sonoridade única que ele chama de ancestral techno. Em suas produções, os cânticos e instrumentos nativos se unem a sintetizadores e batidas eletrônicas modernas, transmitindo uma mensagem potente de conexão entre passado e futuro.
Durante sua apresentação em Belém, o artista fez questão de transformar o palco em um espaço de expressão política e espiritual. As projeções visuais exibiam grafismos indígenas, imagens da floresta e mensagens sobre preservação ambiental e respeito aos povos originários. A performance também contou com a participação especial da cantora Kaê Guajajara, que compartilha da mesma missão de fortalecer a música indígena contemporânea.
“Foi um momento de emoção e resistência. Estar ali representando meu povo e mostrando que a música indígena também pode estar em grandes palcos é uma vitória coletiva”, afirmou Eric nas redes sociais após o show.
Música como forma de luta e pertencimento
A trajetória de Eric Terena vai muito além da discotecagem. Ele é jornalista, ativista ambiental e comunicador indígena, conhecido por sua atuação na defesa dos direitos dos povos originários e pela produção de conteúdos que amplificam vozes indígenas nas redes sociais e na mídia alternativa.
Com passagens por grandes eventos nacionais e internacionais, Eric tem se destacado por transformar a arte em ferramenta de resistência. Em suas apresentações, cada música é uma narrativa sobre identidade, espiritualidade e reconexão com a natureza. “A música é uma forma de lembrar que a floresta está viva e que nossos povos continuam aqui, criando, cantando e lutando”, costuma dizer o artista em entrevistas.
O trabalho de Eric também dialoga com o conceito de “futurismo indígena”, movimento artístico que projeta o protagonismo dos povos originários em narrativas do futuro — uma resposta simbólica às histórias de apagamento e exclusão vividas ao longo dos séculos.
Global Citizen: arte e ativismo pela Amazônia
Criado em 2012, o Global Citizen Festival é um evento internacional que combina música e ativismo para mobilizar fundos e ações em prol de causas humanitárias. A edição Amazônia 2025, realizada no Brasil, teve como foco principal a preservação da floresta amazônica e o fortalecimento das comunidades tradicionais que vivem em seu território.
De acordo com a organização, o festival conseguiu mobilizar cerca de US$ 1 bilhão em compromissos financeiros para projetos de plantio, restauração e renaturalização da floresta, além de políticas de proteção aos povos indígenas. O palco em Belém se tornou símbolo de uma luta global por justiça climática e respeito à diversidade cultural.
A participação de artistas indígenas, como Eric Terena e Kaê Guajajara, reforçou a mensagem central do evento: não há preservação da Amazônia sem os povos que a habitam. O público reagiu com entusiasmo e respeito às apresentações, celebrando a força da arte como ponte entre mundos.
Repercussão e orgulho sul-mato-grossense
Nas redes sociais, a performance de Eric Terena gerou grande repercussão. Vídeos e fotos do show se espalharam rapidamente, acompanhados de mensagens de orgulho e reconhecimento. “Foi incrível! Você é um artista genial”, escreveu uma fã. “Salve a ancestralidade indígena”, comentou outra. As publicações também chamaram atenção de influenciadores e artistas que elogiaram o impacto visual e sonoro da apresentação.
Em Campo Grande, a notícia foi recebida com orgulho por representantes culturais e instituições ligadas à causa indígena. Para muitos, ver um artista sul-mato-grossense ocupar um palco internacional ao lado de grandes nomes da música mundial é um marco simbólico de representatividade e conquista.
“Eric é um exemplo de que nossas vozes podem ecoar no mundo todo. Ele leva nossa cultura com respeito e modernidade, sem perder a essência ancestral”, afirmou uma das lideranças Terena em nota divulgada nas redes.
Amazônia, ancestralidade e futuro
A presença de Eric Terena no Global Citizen: Amazônia reforça uma nova era para a música indígena brasileira. Mais do que uma performance artística, sua participação representa o reconhecimento do valor cultural e espiritual dos povos originários, que agora encontram espaço nas grandes plataformas e festivais globais.
Com sua batida que mistura o som da terra com a tecnologia dos tempos modernos, Eric mostra que o futuro pode — e deve — ser construído com base no respeito às origens. Sua arte atravessa fronteiras e faz o público refletir sobre o papel da ancestralidade em um mundo cada vez mais conectado.
Enquanto os holofotes do festival se apagavam em Belém, a mensagem de Eric continuava pulsando: a floresta tem som, tem voz e tem ritmo. E é indígena.
Autoria: Sarah Pacini
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