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A história esquecida dos lendários ervateiros

A história esquecida dos lendários ervateiros

Poucos sul-mato-grossenses lembram ou sabem o que era ser um ervateiro

Esses trabalhadores foram protagonistas no desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul, especialmente nas regiões de Dourados e Ponta Porã, graças à produção da erva-mate.

No final do século XIX e início do XX, os ervateiros eram responsáveis pela colheita e transporte da erva-mate, então um produto de alto valor comercial. Eles também preparavam as folhas para o consumo, enfrentando longas jornadas sob o calor intenso das regiões fronteiriças e carregando sozinhos grandes montes de galhos, conhecidos como raidos.

Segundo Domingues José de Oliveira, curador do Museu da Erva-Mate, Mato Grosso do Sul chegou a cultivar milhões de hectares da planta, sustentados pelo esforço desses trabalhadores. As vestimentas utilizadas eram adaptadas para proteger o corpo inteiro, mostrando a exigência física do trabalho.


Memória e reconhecimento tardios

Apesar da importância histórica, os ervateiros hoje são pouco lembrados. Em 2004, foi instalada em Dourados uma estátua em homenagem a esses trabalhadores, mas a obra passou por diversos deslocamentos pela cidade ao longo dos anos — fenômeno apelidado de “peregrinação da estátua”. Em 2010, a peça foi restaurada e colocada em um parque; dois anos depois, transferida novamente para uma praça mais distante do centro.

Para o professor de geografia Ênio Ribeiro de Oliveira, essa trajetória simbólica reflete a condição histórica dos ervateiros: “Enquanto eram ervateiros, recebiam péssimos salários, enfrentavam trabalhos desumanos e, mesmo hoje, não têm um destino melhor”.


Declínio da produção

Mato Grosso do Sul manteve relevância na produção de erva-mate até o início do século XXI. Em 2000, eram produzidas cerca de 3.288 toneladas da folha verde, número que caiu para 183 toneladas na década seguinte, embora a demanda pelo produto permanecesse alta. Atualmente, o estado depende da importação, principalmente de outros estados da região Sul.


Legado cultural

O trabalho dos ervateiros não é apenas histórico, mas também cultural. A produção da erva-mate e a tradição do tereré refletem o legado desses trabalhadores, que moldaram a economia e a cultura do estado. A estátua em Dourados permanece como símbolo de resistência e memória, lembrando que, mesmo esquecidos, os ervateiros ajudaram a construir Mato Grosso do Sul.

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