As cotações do algodão sofreram uma retração expressiva de 4,83% na bolsa de Nova York nesta terça-feira (29/9), com os lotes voltados para dezembro negociados a 78,86 centavos de dólar a libra-peso. O movimento representa uma devolução de parte dos ganhos acumulados recentemente, motivado pela realização de lucros por parte dos investidores.
Fatores por trás da desvalorização
Conforme avaliações do mercado, o cenário de baixa é decorrente de uma combinação de elementos, incluindo o encerramento gradual da janela de riscos para a safra norte-americana e a ausência de novos acordos comerciais entre Estados Unidos e China.
Pery Pedro aponta que o mercado operava com um volume recorde de contratos apostando na alta, impulsionado pelo temor de quebra na colheita dos EUA. “Ainda que a colheita esteja em 18%, a janela para possíveis problemas está se fechando. Os fundos trabalhavam com expectativa de uma redução de produtividade muito maior, mas isso não se concretizou, por isso agora devolvem boa parte da alta de 35% que aconteceu recentemente”, afirma.
O especialista acrescenta que a falta de novidades no campo da demanda internacional obrigou os agentes a desmancharem suas posições no mercado futuro. “Tivemos hoje uma queda importante para os preços. Agora é preciso ver até onde os fundos levarão esse movimento de queda. Após os 78 centavos, o próximo limite de baixa é 75”, ressalta.
Desempenho do cacau e do café
Enquanto isso, o cacau também registrou perdas significativas na mesma sessão, com os contratos para dezembro recuando 3,24% e cotados a US$ 5.408 a tonelada. Segundo Anton Kharitonov, analista da Traders Union, a forte oferta vinda da Costa do Marfim gerou um ambiente de cautela, mantendo as cotações abaixo das médias móveis de curto prazo.
Por outro lado, o café demonstrou resiliência e manteve-se estável com leve alta de 0,24%, fechando a US$ 2,8945 a libra-peso para os lotes de dezembro, mesmo após valorização superior a 3% no pregão anterior. A perspectiva para o grão, contudo, aponta para possíveis pressões de baixa devido ao incremento na oferta de curto prazo do Brasil e às precipitações recentes nas regiões produtoras nacionais.
Outras commodities agrícolas
Fechando o panorama das bolsas internacionais, o suco de laranja congelado e concentrado (FCOJ) apresentou valorização de 3,05%, encerrando a US$ 1,5360 a libra-peso para novembro em um dia marcado por ajustes técnicos. Já o açúcar demerara com vencimento em março avançou 1,51%, negociado a 18,84 centavos de dólar a libra-peso.
Fonte: Globo rural


