Banco do Paraguai com 3 milhões de clientes é fechado e diretores são presos

Banco do Paraguai com 3 milhões de clientes é fechado e diretores são presos

Ueno teve índice de solvência abaixo do mínimo legal; clientes têm garantia de até R$ 206,9 mil pelo fundo paraguaio

Fechamento do ueno bank pelo Banco Central do Paraguai (BCP) colocou em alerta cerca de 3 milhões de clientes da instituição, uma das maiores do país. A decisão foi anunciada na madrugada desta terça-feira (3), após o órgão regulador concluir que o índice de solvência do banco havia caído para menos da metade do mínimo exigido por lei.

No mesmo dia, o Ministério Público paraguaio determinou a prisão de oito integrantes da diretoria do banco. Até a última atualização das informações, dois executivos haviam sido detidos em Assunção, enquanto os demais ainda eram procurados.

A medida suspendeu saques, transferências, movimentações pelo aplicativo e o uso de cartões de débito e crédito. O banco entrou em um procedimento chamado resolução, no qual o Banco Central assume o controle da instituição, avalia os ativos e organiza o processo de devolução dos recursos aos clientes.

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Solvência caiu após ajustes nos balanços

Segundo o Banco Central do Paraguai, a decisão foi tomada por unanimidade pela diretoria na segunda-feira (2). O problema identificado foi a queda do índice de solvência para menos de 50% do mínimo estabelecido pela legislação.

Em março, o Ueno informava índice de capital de 15,01%, acima do mínimo legal de 12%. A situação mudou após ajustes realizados nos balanços durante o processo de regularização acompanhado pelo Banco Central.

A fiscalização sobre a instituição havia começado em junho. Segundo o presidente do BCP, Carlos Carvallo, o órgão identificou possíveis operações de crédito envolvendo empresas relacionadas ao Grupo Vázquez, controlador do banco.

Na semana anterior ao fechamento, a direção do Ueno havia apresentado um plano de capitalização de US$ 100 milhões. Na noite de segunda-feira, antes do anúncio da intervenção, o banco informou que continuava operando normalmente.

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Ministério Público investiga possível gestão fraudulenta

A investigação é conduzida pela Unidade Especializada em Delitos Econômicos e Anticorrupção do Ministério Público paraguaio, após denúncia apresentada pelo Banco Central.

Entre as suspeitas está o crime de “lesión de confianza”, equivalente à gestão fraudulenta no Brasil, além de outras possíveis irregularidades.

A ordem de prisão alcança oito integrantes da direção do Ueno: Federico Miguel Vázquez Villasanti, Juan Manuel Gustale, Julio Daniel Rey Fernández, Diana Leticia Mongelós González, Mariana Torres Rubiani, Alejandro Gómez Abente, Diego Fernando Duarte Schussmuller e Miguel Ángel Almada Frutos.

Mariana Torres Rubiani e Julio Daniel Rey Fernández se apresentaram à 10ª Delegacia de Assunção pouco depois das 14h30, no horário de Mato Grosso do Sul, e foram detidos. Os demais ainda eram procurados na última atualização.

A existência de mandados de prisão não significa, por si só, declaração de culpa dos investigados.

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Clientes terão cobertura do fundo garantidor

Com o fechamento do banco, os clientes passam a depender do Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai para recuperar os valores cobertos pela legislação.

A garantia é de até 228,3 milhões de guaranis por cliente. Pela cotação informada nesta terça-feira, o limite equivale a aproximadamente R$ 206,9 mil.

O prazo previsto para o pagamento é de até 15 dias corridos, com vencimento em 17 de novembro. A legislação permite uma prorrogação por mais 15 dias.

O Ueno também mantinha uma agência em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia localizada na fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Até o momento, não havia levantamento oficial sobre a quantidade de brasileiros que possuem contas na instituição.

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Banco concentrava recursos públicos

Além da grande quantidade de clientes, o Ueno mantinha uma parcela significativa de recursos públicos paraguaios.

Em junho, os depósitos do governo no banco chegaram a aproximadamente US$ 869 milhões, equivalentes a 29% do total. A instituição também respondia por cerca de 9% da carteira de investimentos do Instituto de Previsión Social (IPS), responsável pelo sistema previdenciário paraguaio.

O caso também envolve o cenário político do país. O presidente Santiago Peña foi acionista da Ueno Holding e anunciou sua saída da sociedade em abril de 2025.

A fiscalização do banco já vinha sendo questionada no Senado paraguaio, onde parlamentares haviam pedido mudanças no comando do Banco Central.

Apesar da crise, o BCP e a Associação de Bancos do Paraguai afirmam que o problema está restrito ao Ueno e que o restante do sistema bancário continua funcionando normalmente.

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Caso é comparado ao Banco Master no Brasil

O fechamento do Ueno guarda algumas semelhanças com a quebra do Banco Master no Brasil, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025.

Nos dois casos, instituições financeiras de grande porte foram retiradas do mercado e os clientes passaram a depender de mecanismos de proteção aos depósitos. Também havia recursos ligados à previdência pública aplicados nas instituições.

No Brasil, o fundo garantidor cobre até R$ 250 mil por pessoa. No caso do Master, a Rioprevidência, do Rio de Janeiro, havia investido R$ 970 milhões em títulos do banco.

As suspeitas investigadas, porém, são diferentes. No caso brasileiro, as apurações envolvem, entre outros pontos, a venda de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos acima dos praticados pelo mercado e operações com carteiras de crédito.

No Ueno, a investigação divulgada até agora está concentrada em possíveis empréstimos para empresas ligadas ao próprio grupo controlador.

Fundado como banco digital em 2022, o Ueno recebeu licença bancária em novembro de 2023 e incorporou o Visión Banco em 2024. Segundo a agência de classificação de risco FIX, era o quinto maior banco privado do Paraguai, com 8,9% dos depósitos do sistema.

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