Primeira Bienal do Livro de Mato Grosso do Sul abre com programação diversa, que celebra a literatura, a música regional e a identidade cultural sul-mato-grossense.

Campo Grande, MS – A capital sul-mato-grossense vive neste sábado (3) um momento histórico com o início da Bienal do Pantanal, a primeira Bienal do Livro do estado de Mato Grosso do Sul. O evento, realizado no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, marca um novo capítulo na cena cultural da região ao reunir autores, pesquisadores, artistas e o público em geral em uma grande celebração da palavra escrita, falada e cantada.
A programação de abertura da Bienal reflete a diversidade de vozes e de saberes que moldam o território sul-mato-grossense, indo além da literatura tradicional para incluir palestras, oficinas, rodas de conversa, lançamentos de livros e apresentações musicais. Tudo isso com entrada gratuita e acesso democrático à cultura.
Território, rituais e identidade: a palavra como resistência
O pontapé inicial da Bienal foi dado às 14h com a conferência do historiador e escritor carioca Luiz Antonio Simas, um dos principais nomes da pesquisa sobre cultura popular no Brasil. Mediado pela professora e pesquisadora Icléia Albuquerque de Vargas, de Mato Grosso do Sul, o encontro abordou o tema “Rituais tradicionais e sincretismo religioso – (n)os limites do território”, dentro do eixo temático “Território, Culturas e Geopolítica”.
Simas provocou reflexões profundas sobre como os rituais religiosos e as práticas culturais populares funcionam como formas de resistência simbólica e construção de identidade nos espaços periféricos e marginalizados. “Mais do que práticas religiosas, os rituais são ferramentas de sobrevivência cultural e política”, afirmou durante a palestra.
Escritores locais em destaque: Leia MS
Às 15h, foi a vez dos autores sul-mato-grossenses assumirem o protagonismo com o painel “Leia MS”, um espaço dedicado à valorização da literatura produzida no estado. Participaram do debate os escritores Rafael Batista, Eva Vilma, Vini Willian, Ligia Burton, Ciro Ferreira e Alessandra Coelho. Cada um trouxe à tona diferentes temáticas e estilos, da poesia urbana à ficção histórica, mostrando a força criativa que pulsa na literatura local.
O bate-papo evidenciou também os desafios enfrentados por autores fora dos grandes centros editoriais e a importância de eventos como a Bienal do Pantanal para dar visibilidade às vozes regionais. “Essa é uma chance única de mostrar nosso trabalho para um público mais amplo e trocar experiências com outros escritores”, destacou Eva Vilma.
Música e poesia: a alma pantaneira em evidência
A programação seguiu com a apresentação da cantora e pesquisadora Karla Coronel, às 16h, em um momento de pura emoção e reverência à obra de Helena Meirelles, uma das maiores representantes da música instrumental pantaneira. Coronel fez uma leitura musicalizada de canções e composições da artista, destacando a força feminina e a musicalidade ancestral presentes no trabalho de Meirelles.
Às 17h, o público conferiu o lançamento da coletânea “OKAN”, obra escrita por diversas autoras que abordam temas como ancestralidade, afrofuturismo e experiências de mulheres negras. A sessão contou com a presença das autoras, que conversaram com o público e autografaram exemplares da obra.
Logo em seguida, às 18h, foi lançado o livro “AREÔTORARE”, de Lobivar Matos, com edição da Hámor Edições. A obra inédita resgata escritos do poeta modernista sul-mato-grossense, considerado um dos precursores da literatura regional. O lançamento teve mediação e leitura comentada do poeta e pesquisador Fernando Cruz, que destacou a importância histórica de Matos para a construção de uma identidade literária pantaneira.
Noite de abertura: homenagem e música para celebrar Manoel de Barros
O momento mais aguardado do dia ficou para a noite, com a cerimônia oficial de abertura da Bienal, marcada por uma emocionante homenagem ao poeta Manoel de Barros, ícone absoluto da poesia brasileira e filho ilustre de Mato Grosso do Sul.
A celebração contou com discursos de organizadores e autoridades locais, além da apresentação de trechos de obras do poeta, recitados por crianças, atores e escritores presentes. A homenagem culminou em uma apresentação musical que emocionou o público.
Encerrando a noite em grande estilo, subiram ao palco Maria Alice e Almir Sater, dois dos mais respeitados nomes da música sul-mato-grossense. Com violas em mãos e vozes afinadas, os artistas brindaram os presentes com um repertório repleto de canções que exaltam a natureza, o homem pantaneiro e a poética da vida simples.
Bienal do Pantanal segue até o dia 9 com programação para todas as idades
A Bienal do Pantanal 2025 segue até o dia 9 de outubro, com uma vasta programação que inclui encontros com autores nacionais, oficinas de escrita criativa, sessões de contação de histórias, exposições literárias e venda de livros de todos os gêneros.
Com esta primeira edição, o evento se consolida como um marco para o calendário cultural do estado, promovendo o acesso à literatura, à cultura e à reflexão crítica sobre o papel da arte na sociedade. A expectativa é que mais de 20 mil pessoas passem pelo Centro de Convenções ao longo da semana.
Para conferir a programação completa, os interessados podem acessar o site oficial da Bienal ou acompanhar as redes sociais do evento.
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Autoria: Sarah Pacini

