A percepção dos brasileiros conectados sobre a segurança dos ambientes digitais continua praticamente inalterada, mantendo o ceticismo de quem já desconfiava e a segurança de quem já confiava nas ferramentas tecnológicas.
A estabilidade na confiança digital
Os dados foram divulgados pela edição mais recente do Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital, referente ao terceiro trimestre de 2026. A pesquisa mostra que 77% dos cidadãos que menos confiavam continuam céticos, enquanto 70% dos que confiavam mantêm a mesma postura, ignorando impactos de eventos como o ECA Digital ou o período eleitoral.
“A confiança no ambiente digital se parece mais com uma característica estável de cada pessoa do que com uma opinião que muda conforme o momento”, explica Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do centro de pesquisas Reglab, em comunicado. “Campanhas e episódios pontuais afetam pouco a confiança, porque ela é construída e perdida de forma lenta”.
Redes sociais e o desafio da informação
Entre 26 plataformas avaliadas — divididas em redes sociais, streaming, inteligência artificial, governo digital e economia —, a única exceção na alta taxa de aprovação são as redes sociais. O serviço em si é aprovado por 63% dos usuários, mas apenas 55% acreditam nas postagens que circulam nesses espaços.
“O problema percebido não é o funcionamento da plataforma, mas a qualidade da informação”, afirma Thais Palanca, pesquisadora e uma das autora do estudo. “As regras de moderação e transparência precisam focar na qualidade do conteúdo que chega ao usuário”, diz a pesquisadora.
Diferenças demográficas e o ECA Digital
A visão sobre a proteção de menores varia conforme o gênero: 48,7% das mulheres acham que os ambientes virtuais protegem crianças e adolescentes, contra 55,2% dos homens. “No Brasil, são [as mulheres] que concentram o trabalho de cuidado, o que as coloca mais perto da vida online de filhos e dependentes”, aponta o relatório. Mesmo com o ECA Digital em vigor desde março, a percepção de segurança para o público infantojuvenil não registrou avanços expressivos.
Desigualdade no letramento tecnológico
O levantamento identificou que 7 em cada 10 entrevistados conhecem todas as plataformas avaliadas, um aumento em relação ao passado. Contudo, o avanço no conhecimento sobre inteligência artificial foi desigual, criando uma diferença de cerca de 12 pontos percentuais entre as classes sociais mais altas e as mais baixas.
“O cenário aponta que, com a universalização da internet, o desafio das políticas públicas passa a ser o letramento tecnológico para evitar que as classes populares fiquem para trás na nova economia”, diz Marina Garrote, diretora de operações e pesquisa do Reglab.
A pesquisa ouviu 1.099 pessoas com acesso à internet entre os dias 2 e 9 de outubro, contando com uma margem de erro de 3 pontos percentuais para os resultados obtidos.
Fonte: Super Interessante

