O término das etapas principais da terapia contra o câncer de mama representa um alívio, mas não encerra os cuidados médicos. A fase posterior exige vigilância contínua para monitorar a saúde e identificar eventuais recidivas precocemente, processo que passa a exigir critérios mais individualizados em vez de uma abordagem genérica para todas as pacientes.
Personalização no acompanhamento conforme o risco
A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) atualizou sua diretriz global voltada à vigilância pós-tratamento primário, veiculada no periódico Journal of Clinical Oncology. O documento estabelece três níveis de monitoramento baseados no perfil clínico e na probabilidade de retorno do tumor de cada mulher.
Com essa nova orientação, pessoas classificadas com menor risco de recidiva passam a ter uma rotina menos invasiva, com diminuição no número de consultas e procedimentos laboratoriais. A estratégia busca reduzir gastos financeiros e poupar a paciente do desgaste emocional e prático de idas frequentes a clínicas e hospitais. Por outro lado, os casos que apresentam maior ameaça recebem uma vigilância mais intensa e contínua.
Corte de exames sem eficácia comprovada
Outra mudança de destaque no protocolo é a contraindicação do uso rotineiro de determinados testes sanguíneos. Embora sejam aplicados com frequência em consultórios, esses exames não demonstraram utilidade clínica real nesse cenário e tendem a gerar ansiedade desnecessária, além de encarecer a assistência sem trazer ganho de sobrevida.
A proposta defende que a qualidade da assistência oncológica está associada ao uso racional dos recursos médicos, evitando intervenções supérfluas que não tragam vantagens tangíveis para o bem-estar de quem superou a fase aguda da enfermidade.
Segundo Gustavo Werutsky, oncologista do Hospital Moinhos de Vento, diretor executivo do Latin American Cooperative Oncology Group (LACOG) e head científico do MAMA – Culturas de Prevenção, integrante do painel que desenvolveu o guia internacional, a oncologia moderna prioriza a assertividade:
“Por muito tempo, se buscou “fazer mais”, mas hoje direcionamos a nossa prática a compreender melhor quem precisa de cada intervenção, em qual momento e por qual motivo.”
Fonte: Revista Veja Saúde


