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Carrapato-estrela é risco silencioso: veja como prevenir

Carrapato-estrela é risco silencioso: veja como prevenir

Parasita comum em áreas verdes pode transmitir bactéria letal; doença atinge humanos e animais e exige atenção imediata, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil

Discreto e quase invisível, o carrapato-estrela — nome popular da espécie Amblyomma sculptum — representa uma ameaça real tanto para humanos quanto para animais. Isso porque o parasita é o principal vetor da febre maculosa brasileira, uma doença infecciosa potencialmente fatal, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii.

Apesar de pequeno, o carrapato é capaz de transmitir uma das doenças mais letais do país, especialmente em áreas urbanas com presença de vegetação e vida silvestre. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registrou mais de 2 mil casos confirmados da doença em uma década, com quase 500 mortes apenas no estado de São Paulo — que concentra a maioria dos casos.

Doença grave e de evolução rápida

A febre maculosa é uma doença infecciosa que evolui de forma rápida e agressiva, podendo levar à morte se não tratada nos primeiros dias. De acordo com a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, o início do tratamento com antibióticos é decisivo: “Os sintomas muitas vezes se confundem com gripes ou outras viroses. Por isso, é essencial iniciar a medicação antes mesmo da confirmação laboratorial, em casos suspeitos.”

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Febre alta de início súbito
  • Dor muscular intensa
  • Manchas avermelhadas pelo corpo
  • Dor de cabeça
  • Náuseas e vômitos

O tempo de incubação da febre maculosa pode variar de 2 a 14 dias após a picada do carrapato infectado. O atraso no início do tratamento está diretamente relacionado à gravidade do quadro clínico e à mortalidade da doença, que pode ultrapassar 70% nos casos não tratados adequadamente.

Como ocorre a transmissão?

A transmissão da febre maculosa ocorre quando um carrapato infectado permanece preso à pele humana por um período prolongado, geralmente mais de quatro horas. O contato prolongado aumenta as chances de que a bactéria seja liberada na corrente sanguínea.

Não é possível identificar visualmente se um carrapato está infectado, o que torna qualquer picada potencialmente perigosa.

A infecção também pode ocorrer de forma indireta, por exemplo, ao esmagar o carrapato com as mãos ou deixar secreções do parasita em feridas abertas.

O que fazer ao encontrar um carrapato no corpo

Se você encontrar um carrapato preso à sua pele ou à de outra pessoa, siga as orientações:

Use uma pinça de ponta fina para remover o carrapato com cuidado, segurando-o próximo à cabeça, o mais rente possível à pele.
✅ Após a retirada, descarte o carrapato em recipiente com álcool.
Lave a região da picada com água e sabão ou use antisséptico.
Não esmague, queime ou puxe com os dedos, pois isso pode aumentar o risco de contaminação.

Quem está mais em risco?

A febre maculosa é mais comum nos meses de outono e inverno, quando a atividade dos carrapatos aumenta. Regiões como Campinas, Sorocaba, Piracicaba e Jundiaí, em São Paulo, apresentam alta densidade de carrapatos infectados, devido à presença de capivaras e cavalos, que funcionam como hospedeiros naturais do parasita.

Outros animais como cães, gambás e bovinos também podem carregar carrapatos, mas nem sempre desenvolvem a doença, o que permite a circulação silenciosa da bactéria na natureza.

Carrapatos e pets: atenção redobrada com os animais

Além da febre maculosa, os carrapatos também representam risco significativo para os cães, podendo transmitir doenças como:

  • Erliquiose: afeta os glóbulos brancos, podendo causar febre, apatia e sangramentos.
  • Babesiose: ataca os glóbulos vermelhos, causando anemia grave e outros sintomas.

Ambas as doenças são comuns em regiões tropicais e podem ser fatais se não tratadas rapidamente. O uso regular de medicamentos antiparasitários e coleiras repelentes é uma das formas mais eficazes de proteger os pets.

Como se proteger de carrapatos

✅ Evite andar em áreas com vegetação alta, especialmente sem proteção adequada.
✅ Use roupas claras, que facilitam visualizar o parasita.
✅ Prefira calças compridas e botas, com as barras das calças por dentro das meias.
✅ Aplique repelentes próprios contra carrapatos nas roupas e partes expostas do corpo.
✅ Após visitas a trilhas, parques ou áreas rurais, examine cuidadosamente o corpo e o couro cabeludo.
✅ Em caso de suspeita, observe os sintomas por até 14 dias e procure atendimento médico se necessário.

Outras doenças causadas por carrapatos

Além da febre maculosa, os carrapatos podem transmitir outras enfermidades graves, como:

  • Doença de Lyme (mais comum nos EUA e Europa)
  • Tularemia
  • Babesiose
  • Erliquiose

Embora no Brasil a febre maculosa seja a principal ameaça, a presença do carrapato como vetor de diversas doenças reforça a importância do controle ambiental e do cuidado preventivo.

Alerta para profissionais e população

Segundo especialistas, o conhecimento é a principal arma contra a febre maculosa. Profissionais da saúde devem estar atentos aos sintomas e ao histórico recente de exposição do paciente, mesmo que a doença não seja endêmica na região.

Já a população deve compreender que a prevenção começa em casa, com atenção aos locais frequentados e ao comportamento dos animais de estimação.

Autoria: Sarah Pacini

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