Bebida pode ter compostos antioxidantes, mas faltam estudos em humanos para confirmar efeitos atribuídos à infusão
Consumido há muito tempo na medicina popular, o chá de pêssego pode ser preparado de diferentes maneiras e é associado a efeitos antioxidantes, calmantes e digestivos. Apesar disso, ainda existem poucas pesquisas específicas sobre os efeitos da bebida no organismo humano.
Parte das evidências disponíveis vem de estudos feitos em laboratório ou com animais. Por isso, propriedades observadas nesses trabalhos não podem ser automaticamente consideradas benefícios comprovados para quem consome a infusão.
Além disso, é importante diferenciar o chá preparado com partes do pessegueiro da bebida feita com a própria fruta. No Brasil, é comum preparar uma bebida com pêssego, água e açúcar, que se aproxima mais de uma infusão de fruta ou de um suco do que de um chá medicinal.
Como o chá de pêssego é preparado
Existem diferentes formas tradicionais de preparar a bebida. Uma delas utiliza folhas secas do pessegueiro em infusão com água quente.
Outra preparação, tradicional em países do leste asiático, utiliza flores secas da árvore. Essa versão é associada popularmente ao emagrecimento, mas não há evidências científicas suficientes que comprovem esse efeito.
Também existe a bebida preparada diretamente com pêssego fresco ou em calda, água e, em algumas receitas, açúcar. Nesse caso, a composição e as propriedades nutricionais são diferentes das encontradas em infusões feitas com folhas ou flores.
Por isso, não é adequado atribuir automaticamente ao chá todos os benefícios nutricionais conhecidos do consumo da fruta.
O que as pesquisas indicam
Folhas do pessegueiro apresentam compostos fenólicos, flavonoides e taninos, substâncias que demonstraram atividade antioxidante em estudos experimentais.
Esses compostos são estudados por sua capacidade de combater processos relacionados ao estresse oxidativo. No entanto, os resultados observados em laboratório não significam que o consumo do chá produza os mesmos efeitos no organismo humano.
Também existem relatos tradicionais de utilização de folhas, flores e sementes do pessegueiro como calmante, auxiliar da digestão e laxante suave. Esses usos, porém, ainda não foram suficientemente avaliados em estudos clínicos.
Por esse motivo, não há base científica suficiente para afirmar que o chá de pêssego trate ansiedade, insônia, prisão de ventre ou outras condições de saúde.
E o pêssego? Quais são os benefícios?
A fruta apresenta características nutricionais diferentes da bebida preparada por infusão. O pêssego é fonte de fibras e contém vitamina C, polifenóis e carotenoides.
As fibras podem contribuir para o funcionamento do intestino e também servem de alimento para bactérias benéficas presentes na microbiota intestinal.
A vitamina C e outros compostos presentes na fruta possuem ação antioxidante e participam de funções importantes do organismo. O betacaroteno também merece destaque porque pode ser convertido em vitamina A, nutriente relacionado à manutenção da visão e de outros tecidos.
Esses benefícios estão relacionados ao consumo da fruta, que oferece fibras e nutrientes em sua composição. Já a quantidade dessas substâncias que permanece na água durante o preparo do chá pode variar.
Chá não substitui alimentação equilibrada
Apesar de ser uma opção de bebida, o chá de pêssego não deve ser apresentado como tratamento para doenças ou como substituto de uma alimentação equilibrada.
Também é importante observar a forma de preparo. Quando a bebida leva açúcar em excesso, por exemplo, seu valor nutricional muda e aumenta o consumo de açúcares adicionados.
Para quem pretende utilizar folhas, flores ou outras partes do pessegueiro em preparações caseiras, a orientação é buscar informações de fonte confiável e conversar com um profissional de saúde, principalmente em caso de uso frequente ou de condições de saúde preexistentes.


