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Cientistas brasileiros devolvem movimentos a paraplégicos

Cientistas brasileiros devolvem movimentos a paraplégicos

Pesquisadores brasileiros estão fazendo avanços significativos no tratamento de lesões na medula espinhal

Um estudo inovador, conduzido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), utiliza uma proteína extraída da placenta chamada polilaminina para ajudar a regenerar a comunicação entre os neurônios e restaurar parcialmente os movimentos em cães e humanos.

Como a Polilaminina Funciona?

A pesquisa começou com a observação de uma proteína chamada laminina, que é vital para o desenvolvimento embrionário e para a comunicação entre neurônios. Após o nascimento, a laminina se torna mais rara, mas pode ser sintetizada em laboratório a partir de placentas humanas. A polilaminina, uma forma recriada dessa proteína, tem demonstrado a capacidade de auxiliar na regeneração dos nervos danificados, permitindo que as partes mais longas dos neurônios, chamadas de axônios, formem novos caminhos ao redor da lesão. Isso possibilita a transmissão de impulsos elétricos, essenciais para os movimentos.

História de Bruno: O Primeiro Grande Resultado em Seres Humanos

Bruno Drummond de Freitas, bancário que sofreu um acidente de carro em 2018, foi um dos primeiros humanos a ser tratado com a polilaminina. Ele ficou tetraplégico após o acidente, mas, após duas semanas do acidente, ele começou a recuperar movimentos, começando com o movimento do dedão do pé.

Bruno foi tratado em um estudo clínico aprovado pelos órgãos éticos, e a recuperação foi surpreendente. “Quando consegui mexer o dedo do pé, na minha cabeça, aquilo foi um grande sinal de progresso,” lembra Bruno, que hoje pode andar, usar andador e até dançar. Ele se considera grato por ter recuperado sua independência.

A Participação de Tatiana Sampaio e sua Equipe

Tatiana Sampaio, professora da UFRJ, é a mente por trás dessa descoberta. Em sua pesquisa, ela identificou que a polilaminina poderia ser usada para reestabelecer a comunicação entre os neurônios da medula espinhal e, assim, ajudar na recuperação motora dos pacientes. “Quando a lesão interrompe a comunicação entre os neurônios do cérebro e da medula, o que nós descobrimos foi uma maneira de restaurar essa conexão,” explica Sampaio.

Os Testes em Humanos e Cães

Em um estudo experimental iniciado sete anos atrás, os pesquisadores injetaram a polilaminina diretamente na lesão de oito pacientes com lesão completa da medula espinhal. Seis desses pacientes apresentaram uma recuperação parcial, com níveis variados de movimento:

  • Silvânia, uma das participantes, agora pode elevar as pernas e pedalar.
  • Guilherme recuperou mobilidade nos braços, mãos e abdômen.
  • Nilma recuperou o controle de seu corpo e conseguiu ficar em pé, algo que seus médicos diziam ser impossível.

Além disso, em 2021, a pesquisa foi expandida para cães com lesões medulares mais antigas, resultando na recuperação de movimentos em quatro desses animais.

A Próxima Etapa: Autorização da Anvisa

Embora os resultados experimentais sejam promissores, o tratamento ainda precisa da aprovação da Anvisa para avançar para a próxima fase de testes clínicos em humanos. A empresa farmacêutica que transformou o estudo acadêmico em um medicamento já está fazendo os testes complementares necessários para garantir a segurança antes que os ensaios clínicos possam começar oficialmente.

“A Anvisa está aguardando informações complementares para garantir a segurança dos pacientes antes de permitir a fase 1 de testes clínicos com humanos,” explicou Claudiosvan Martins, coordenador de pesquisa clínica na Anvisa.

Resultados Promissores, mas com Cautela

Apesar de trazer uma grande esperança, a pesquisa ainda exige cautela, uma vez que os testes ainda estão em estágios iniciais. Especialistas alertam que mais estudos são necessários para confirmar a segurança e a eficácia do tratamento em um número maior de pacientes.

O Impacto na Vida de Pacientes

Para Bruno Drummond, o tratamento foi transformador. “Hoje, consigo me movimentar, levantar, andar, dançar… isso me garantiu a independência,” comemora Bruno, que agora se dedica a visitar o campus universitário onde o estudo começou, como forma de agradecimento à pesquisa.

Essa pesquisa representa um avanço revolucionário no campo da medicina regenerativa. Embora ainda esteja em fase experimental, o tratamento com polilaminina oferece uma nova esperança para pacientes com lesões na medula espinhal, que, até recentemente, seriam considerados com paralisia irreversível. Com os testes futuros e a aprovação da Anvisa, o tratamento pode se tornar um marco no tratamento de lesões medulares.

Fontes:

  • Pesquisa liderada por Tatiana Sampaio, UFRJ
  • Depoimentos de pacientes e especialistas
  • Reportagem do Jornal Nacional, 09/09/2025

Autoria: Sarah Pacini

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