Inspirada na obra de Manoel de Barros, programação gratuita do projeto “Fronteiras – Psicodrama e Filosofia” propõe reflexões sensíveis sobre cultura, identidade e memória.

Começa nesta quarta-feira (19), no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, a 10ª edição do evento Fronteiras – Psicodrama e Filosofia. Inspirada na poética de Manoel de Barros e com o tema “Transver o Mundo”, a iniciativa reúne até sexta (21) uma série de atividades que integram arte, pensamento e patrimônio em uma imersão cultural aberta ao público.
Com entrada gratuita, o evento propõe ao público campo-grandense uma nova forma de enxergar a cidade e a própria identidade cultural. Documentários, performances, música, dança, teatro e caminhadas pelo patrimônio histórico fazem parte da programação que mistura linguagens artísticas e provoca reflexões sobre o modo como nos relacionamos com o espaço urbano e com nossa herança histórica.
O tema deste ano, “Transver o Mundo”, é uma clara homenagem ao poeta pantaneiro Manoel de Barros, que sempre defendeu o olhar desviado, sensível e lírico sobre a realidade. A proposta do evento é, justamente, despertar esse novo modo de ver e sentir o mundo, por meio da filosofia, da psicologia social e da expressão artística.
Entre os destaques da programação estão a exibição do documentário “Tekoha – Ritual de vida e morte do deus pequeno”, apresentações do grupo Fresta Teatro, o coletivo Renda que roda, e atividades conduzidas pelo Teatro Maracangalha, além de performances como o Cantodrama, danças brasileiras e intervenções poéticas.
Um dos momentos mais esperados será o Campão a Pé, coordenado por João Santos, que levará os participantes a um passeio guiado pela área tombada do Complexo Ferroviário de Campo Grande. O objetivo é fortalecer a educação patrimonial, proporcionando uma experiência sensorial e reflexiva sobre a história e o pertencimento local.
“Este evento é uma ação de arte, cultura, psicologia e experimentação social. Ele coloca o grupo, o território e o espaço como protagonistas. Campo Grande e Mato Grosso do Sul têm um caldeirão de identidades que merecem ser conhecidas e celebradas. Nosso papel é entender de onde viemos, nossas memórias e como isso constrói quem somos”, explica João Santos.
A edição deste ano também conta com a presença de nomes como Devanir Merengué e Valéria Brito, Débora Cestaro, Yá Terena, Érico Vieira e Yan Chaparro, entre outros artistas e pensadores. Todos os encontros ocorrem no Instituto Histórico e Geográfico de MS, na Avenida Calógeras, e têm classificação livre.
Além de promover encontros artísticos, o Fronteiras – Psicodrama e Filosofia se propõe a estreitar os laços entre os moradores da cidade e os agentes culturais, educadores e profissionais da saúde mental. A ideia é criar um espaço de escuta, experimentação e compartilhamento — em que o pensamento e a arte se unem para produzir novas formas de ver e viver o mundo.
A programação completa está disponível online e inclui também a ficha de inscrição para os interessados em participar das atividades ao longo dos três dias de evento. A entrada é gratuita, mas a organização orienta que o público se inscreva com antecedência.
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Autoria: Sarah Pacini

