Após tumulto generalizado durante o evento de boxe em São Paulo, lutadores trocam acusações, passam por atendimento médico e preparam medidas legais. Investigação foi aberta e caso pode chegar aos tribunais.

O que era para ser uma noite de celebração esportiva terminou em cenas de violência, acusações públicas, internações hospitalares e possíveis ações judiciais. O confronto entre Acelino “Popó” Freitas e Wanderlei Silva, dois ícones do esporte nacional, acabou se tornando um dos episódios mais polêmicos do cenário esportivo brasileiro em 2025. A luta, realizada no último fim de semana durante o Spaten Fight Night 2, em São Paulo, descambou para uma briga generalizada no ringue, envolvendo também treinadores e membros das equipes, com consequências que seguem se desdobrando dias após o evento.
O combate, que já vinha cercado de expectativas por colocar frente a frente o tetracampeão mundial de boxe Popó e o ex-campeão do Pride Wanderlei Silva, terminou de forma abrupta após o árbitro desclassificar Wanderlei por golpes ilegais — mais precisamente, três cabeçadas. A decisão gerou revolta e desencadeou uma troca de agressões que envolveu não apenas os dois lutadores, mas também seus respectivos corners, familiares e até o público próximo ao ringue.
Atendimentos médicos e cirurgia
Wanderlei Silva, visivelmente ferido após o tumulto, precisou ser levado ao hospital. Com cortes no rosto e fortes dores, passou por exames e deverá realizar novas avaliações nos próximos dias para descartar lesões mais graves. Em pronunciamento nas redes sociais, o ex-lutador declarou ter sido “covardemente agredido” quando tentava apaziguar a situação.
Popó, por sua vez, também sofreu consequências físicas da confusão. Em vídeo publicado em suas redes, revelou ter fraturado a mão durante a briga — algo inédito em seus 35 anos de carreira como pugilista profissional. A lesão exigiu uma cirurgia realizada na segunda-feira (29), com previsão de recuperação ainda indefinida.
Troca de acusações e clima de tensão
O ambiente, que já era hostil após a luta, esquentou ainda mais com as manifestações públicas dos envolvidos. Popó acusou diretamente o treinador de Wanderlei, o também lutador Fabrício Werdum, de iniciar a agressão. “O treinador dele foi para cima de mim e me deu um soco. Foi uma covardia. Eu só estava ali para lutar, como sempre fiz na minha carreira”, afirmou o boxeador.
Em sua fala, Popó ainda separou sua rivalidade com Wanderlei da conduta de Werdum: “Wand, nossa briga foi em cima do ringue. Mas o Werdum invadiu com seu filho e agrediu pessoas. Isso foi um absurdo. Ele deveria ter vergonha.”
Do outro lado, o ex-campeão do Pride adotou um tom igualmente crítico. Wanderlei reiterou que foi agredido de surpresa enquanto já não representava ameaça e garantiu que o caso deve ser levado à Justiça. Advogados do atleta confirmaram que estão reunindo provas para acionar legalmente os envolvidos.
Investigação e possível acusação de tentativa de homicídio
A situação ganhou contornos ainda mais graves após declaração do advogado de Wanderlei, Cláudio Dalledone Júnior. Em entrevista, o jurista afirmou que o filho de Popó, Rafael Freitas, poderá ser formalmente acusado de tentativa de homicídio com dolo eventual. A alegação se baseia no fato de que o jovem teria desferido um soco traiçoeiro contra Wanderlei, já enfraquecido e sem defesa, após o encerramento da luta.
“Um atleta profissional, ao agredir pelas costas um homem de 50 anos que havia acabado de lutar e estava de guarda baixa, assume o risco de causar consequências gravíssimas. Isso pode ser enquadrado como tentativa de homicídio”, explicou Dalledone. O dolo eventual, nesse contexto, refere-se à aceitação do risco de matar, mesmo sem intenção direta, algo previsto no Código Penal com pena de 6 a 20 anos de reclusão.
A acusação, caso formalizada, poderá envolver também outros membros da equipe de Popó, dependendo do avanço das investigações.
Pronunciamento oficial da organização
A produtora responsável pelo Spaten Fight Night 2 publicou uma nota oficial lamentando profundamente os episódios de violência registrados ao final do evento. No comunicado, a organização afirma que abrirá uma investigação interna, além de revisar com urgência seus protocolos de segurança para evitar novas invasões de ringue e garantir a integridade física dos participantes e do público.
“A violência em qualquer forma não representa o espírito do esporte. Tomaremos todas as medidas necessárias para identificar os responsáveis e garantir que esse tipo de cena nunca mais se repita”, destacou o texto.
Repercussão nas redes e impacto para o futuro
O incidente rapidamente viralizou nas redes sociais, dividindo opiniões entre fãs de boxe e MMA. Enquanto alguns defendem Popó e condenam a conduta da equipe adversária, outros criticam a organização do evento pela falta de controle e segurança.
Analistas esportivos já alertam que o episódio pode prejudicar futuras edições do evento, além de afetar a imagem pública dos atletas envolvidos. Dependendo do desenrolar jurídico, a carreira de alguns dos participantes poderá ser impactada de forma definitiva.
O caso segue em apuração, com novas atualizações previstas para os próximos dias. Enquanto isso, o mundo da luta observa atento os próximos rounds — agora, nos bastidores do Judiciário.
Autoria: Sarah Pacini
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