Portal E-Brasil

Crianças no Brasil vão ao dentista só aos 7 anos

Crianças no Brasil vão ao dentista só aos 7 anos

Embora as diretrizes de odontopediatria recomendem a primeira consulta odontológica por volta dos 6 meses de vida, a maioria das famílias brasileiras adia esse compromisso até que os filhos completem 7 anos. É o que revela um mapeamento da Odontoprev, que identificou uma procura tardia pelos consultórios e um volume muito reduzido de atendimentos na primeira infância.

De acordo com os registros analisados nos últimos 12 meses, a faixa etária de até 5 anos contabilizou somente 48 mil consultas. O cenário muda significativamente quando a criança atinge os 7 anos, momento em que o volume de atendimentos dobra e alcança 96 mil registros anuais.

Os perigos de adiar o início do acompanhamento

A demora para iniciar as idas ao consultório expõe os pequenos a problemas que poderiam ser contidos logo no início. Segundo Emerson Nakao, dentista e consultor científico da Odontoprev, a postergação faz com que muitos pacientes infantis cheguem ao atendimento inicial já apresentando lesões e complicações provocadas por cáries que poderiam ter sido facilmente evitadas.

Um dos erros mais recorrentes entre os responsáveis é recorrer à assistência profissional apenas quando a dor aparece ou quando despontam as primeiras exigências ortodônticas, típicas do nascimento dos dentes permanentes. Especialistas ressaltam que o acompanhamento preventivo independe de queixas clínicas e deve focar na criação de hábitos diários que preservem a dentição e o tecido gengival.

Cuidado começa ainda na gestação

O incentivo à higiene bucal e o controle preventivo ganham maior eficácia quando iniciados antes mesmo do nascimento. Nakao pontua que o planejamento familiar deve contemplar a saúde bucal materna para proteger a futura criança.

“O cuidado com a saúde bucal deve começar na gestação, no planejamento familiar, por meio do Pré-Natal Odontológico (PNO). Essa atenção é essencial, pois a saúde bucal da gestante afeta diretamente a do bebê”, afirma, em comunicado à imprensa.

O Pré-Natal Odontológico (PNO) une o trabalho do cirurgião-dentista aos cuidados de enfermagem e medicina pré-natal. Essa modalidade é assegurada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em conformidade com as diretrizes do Ministério da Saúde.

Pico de atendimentos aos 13 anos e a pressão estética

Se na primeira infância as consultas são escassas, o movimento cresce nos anos seguintes até atingir seu ponto mais alto na adolescência. O levantamento identificou o ápice das idas ao dentista aos 13 anos, faixa que registrou 121 mil consultas em um ano. Esse período coincide com a finalização da troca dentária e com maiores exigências visuais entre os jovens.

O comportamento converge com os achados da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal (SB Brasil 2023), conduzida pelo Ministério da Saúde. O estudo revelou que 54,38% dos adolescentes de 12 anos consideram necessitar de intervenção odontológica. Por outro lado, 57,72% qualificam sua própria saúde bucal como boa, mesmo que 16,97% tenham enfrentado dor de dente no semestre anterior à pesquisa.

“Atualmente, os adolescentes enfrentam uma intensa busca por aceitação, somada à pressão estética imposta pelas redes sociais. Além disso, hábitos como uma rotina acelerada e o consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados aumentam a suscetibilidade a problemas gengivais, erosão dentária e lesões de cárie”, avalia Nakao.

Diante desse cenário, a integração entre família e profissionais de saúde segue como a principal ferramenta para transformar o atendimento reativo em uma rotina contínua de prevenção bucal desde os primeiros meses de desenvolvimento.

Fonte: Revista Veja

Arquivos Relacionados

Deixe um comentário