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Armazenamento de energia no brasil vai além das baterias de lítio

Armazenamento de energia no brasil vai além das baterias de lítio

O Brasil já utilizava o armazenamento de energia em grande escala muito antes da chegada das baterias de lítio. Historicamente, os reservatórios das usinas hidrelétricas atuaram como baterias de água, permitindo transferir a disponibilidade hídrica entre os períodos de chuva e estiagem, além de garantir flexibilidade para suprir as oscilações sazonais da demanda elétrica nacional.

Hidrelétricas tradicionais e fontes renováveis Essa infraestrutura consolidou um modelo elétrico renovável e integrado. No entanto, o cenário mudou. A expansão de usinas a fio d’água, somada ao crescimento expressivo da geração eólica e solar, reduziu a capacidade de regularização tradicional. Em 2025, as fontes limpas responderam por 86,8% da oferta interna de eletricidade, enquanto a participação de solar e eólica saltou de 10,9% em 2020 para 26,4%, impulsionando a demanda por flexibilidade e controle no sistema.

O desafio do corte na geração O perfil intermitente dessas fontes gera momentos em que a produção excede a capacidade de transporte ou absorção da rede. Em 2025, o corte de energia gerada por ventos e painéis solares, conhecido como curtailment, atingiu 20,6%, superando o dobro do registrado em 2024 e gerando prejuízos superiores a R$ 6 bilhões, de acordo com dados da Volt Robotics.

Estratégias para equilibrar oferta e demanda Para mitigar essas perdas, o setor elétrico precisa recorrer a ferramentas que armazenem o excedente e forneçam energia nos momentos de maior valor. Esse equilíbrio pode ser alcançado por meio de baterias, reservatórios, usinas reversíveis, melhorias na transmissão, resposta da demanda e uma gestão inteligente da geração distribuída.

O avanço global das baterias Enquanto isso, as baterias ganharam destaque mundial pela rapidez de instalação e queda nos custos. Em 2025, o mundo instalou 108 GW em novos sistemas, alta de 40% segundo a Agência Internacional de Energia. No contexto brasileiro, a regulação precisa direcionar essa tecnologia para os pontos onde o ganho sistêmico seja maximizado.

Expectativa para os primeiros leilões Marcados para dezembro, os primeiros leilões brasileiros voltados a sistemas de baterias representam a transição de projetos-piloto para uma escala comercial, prevendo contratos de 15 anos e fornecimento a partir de 2028. A EPE registrou um interesse massivo com 6.091 projetos cadastrados, totalizando 296.807 MW, embora o número exija filtros rigorosos de viabilidade técnica e conexão.

A importância das usinas reversíveis Além das baterias de quatro horas de duração, o país analisa o potencial das usinas hidrelétricas reversíveis. Esses complexos utilizam eletricidade para bombear água para um reservatório superior, gerando energia novamente quando o sistema exige maior potência, destacando-se como uma alternativa viável para demandas de longa duração.

Inovação e testes práticos Iniciativas como o FlexBess, laboratório inaugurado pela CTG Brasil na Usina Hidrelétrica Ilha Solteira, em São Paulo, ajudam a testar a operação conjunta de solar e baterias. A experiência acumulada com a gestão de recursos hídricos servirá de base para que o país modernize sua matriz com segurança e eficiência tecnológica a longo prazo.

Fonte: CNN

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