Proibição do uso de smartphones nas escolas promete melhorar o foco e a socialização dos alunos, mas especialistas alertam para os impactos na adaptação, especialmente entre os mais jovens.

O retorno às aulas após as férias sempre gera um certo nervosismo, mas, neste ano, o desafio será ainda maior devido à proibição do uso de celulares nas escolas, uma medida adotada pelo Governo Federal com o objetivo de reduzir distrações e melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes.
Com a crescente presença da tecnologia no cotidiano dos jovens, muitos terão que se ajustar a um novo cenário, sem o apoio imediato dos celulares, ferramenta com a qual muitos estão profundamente conectados. No Brasil, 80% dos alunos afirmaram que se distraem durante as aulas, um número muito superior à média global, com países como Japão e Coreia do Sul registrando taxas de distração bem mais baixas.
Falando sobre as consequências da pandemia, Gláucia Benini observa que o ensino remoto alterou profundamente as interações sociais dos estudantes. Muitos ficaram mais expostos às telas e, com isso, perderam a naturalidade nas conexões reais. A proibição do celular pode ajudar a melhorar essas interações, ao incentivar a socialização no ambiente escolar.
Além disso, o uso excessivo do celular pode gerar sérios impactos na saúde mental, causando problemas como perda de foco, miopia, obesidade e até ansiedade. Quando o celular se torna um vício, os pais devem ficar atentos aos sinais de alerta, como irritabilidade, distúrbios no sono e baixo desempenho escolar, e buscar ajuda profissional.
A psicopedagoga também aconselha que os pais estabeleçam limites no uso da tecnologia, criando rotinas equilibradas que contemplem tanto o uso de dispositivos como a realização de atividades físicas e sociais. Isso é essencial para estimular o aprendizado e o bem-estar geral dos jovens.
Em Mato Grosso do Sul, o Regimento Escolar das escolas estaduais já proíbe o uso de celulares nas salas de aula, com exceção de situações específicas, como emergências ou atividades pedagógicas orientadas pelos professores. O secretário de Educação, Hélio Daher, destaca que a medida visa diminuir as distrações e melhorar o foco dos estudantes.
A nova legislação federal, sancionada em janeiro de 2025, estabelece que o uso de celulares nas escolas será restrito, permitindo apenas em casos excepcionais e para fins pedagógicos ou de acessibilidade. Esse esforço visa combater a queda de desempenho observada em países com o uso excessivo de tecnologia durante as aulas, como apontado pelo relatório PISA de 2022.
Além disso, o Ministério da Educação lançou guias que orientam o uso consciente de celulares nas escolas, buscando integrar a tecnologia de maneira equilibrada e pedagógica. Com isso, espera-se que as ferramentas digitais sejam usadas de forma produtiva e não como um simples meio de distração.
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Autoria: Sarah Pacini

