Mostra gratuita reúne obras da artista Amanda Monteiro, que transformou a dor da Covid-19 em um manifesto visual de esperança e renascimento

O Museu da Imagem e do Som (MIS) de Mato Grosso do Sul, localizado no coração de Campo Grande, recebe até o dia 31 de outubro a exposição “Passeio da Alma”, primeira mostra individual da artista visual Amanda Monteiro. A entrada é gratuita, e os visitantes podem conferir as obras de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30.
Mais do que uma exposição de arte, “Passeio da Alma” é um testemunho emocional, sensível e vibrante de uma mulher que transformou a dor em beleza. As obras são fruto de um processo pessoal de reconstrução após a artista enfrentar um período difícil de recuperação das sequelas da Covid-19. Com pinceladas carregadas de cor e sentimento, Amanda compartilha com o público uma jornada de fé, cura e recomeço.
Um novo capítulo artístico aos 70 anos
Amanda Monteiro, formada em Artes Visuais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), e com especialização em cerâmica realizada na Espanha, vive hoje uma fase de renascimento criativo. Após décadas atuando como profissional do Direito — carreira que abraçou após ficar viúva ainda jovem, aos 26 anos —, a artista finalmente se dedica em tempo integral ao universo das artes plásticas.
Mesmo durante os anos em que trabalhou na área jurídica, Amanda nunca abandonou completamente a arte. Os pincéis, as tintas e os esboços sempre estiveram por perto, aguardando o momento de ocuparem o centro da sua vida. Esse momento chegou após a aposentadoria e, de forma definitiva, depois de sua experiência com a pandemia.
“A Covid foi um divisor de águas. Durante a recuperação, precisei redescobrir minha força. A arte se tornou um refúgio, uma ponte entre a dor e a esperança”, conta Amanda. Ela afirma que o ato de pintar tornou-se terapêutico e essencial para resgatar o ânimo em um dos períodos mais difíceis de sua trajetória.
A cor como linguagem da alma
Na exposição “Passeio da Alma”, o protagonismo é das cores. Tons vivos, contrastes marcantes e composições dinâmicas marcam as cerca de 30 obras que compõem a mostra. Cada quadro expressa uma etapa emocional — da angústia à gratidão, do medo à libertação.
“Desde sempre, a cor me fascina. Ela tem o poder de comunicar emoções sem precisar de palavras. Nesse trabalho, cada matiz é uma parte da minha história”, explica a artista. O resultado é um conjunto de pinturas que dialoga com o espectador de forma instintiva, quase visceral.
Apesar de já ter participado de exposições coletivas no Brasil e em outros países, Amanda celebra este momento como uma conquista pessoal e simbólica. “É a primeira vez que apresento um trabalho que é só meu, construído com liberdade total. Aqui, sou eu por inteiro”, revela.
Entre o pessoal e o universal
Embora profundamente pessoal, a narrativa contida nas obras de Amanda Monteiro é capaz de tocar públicos diversos. Afinal, a pandemia da Covid-19 impactou milhões de pessoas, e muitos ainda enfrentam as consequências emocionais, físicas e sociais desse período. A exposição oferece uma possibilidade de acolhimento e identificação, especialmente para quem encontrou na arte — seja como espectador ou criador — uma forma de lidar com os traumas recentes.
Além disso, “Passeio da Alma” propõe uma experiência estética que vai além do visual. Ao explorar a memória, o sentir e o simbólico, a artista transforma suas telas em espelhos de emoções humanas universais: medo, solidão, fé, amor, superação.
Arte como legado e resistência
A trajetória de Amanda Monteiro inspira não apenas pelo talento, mas pela coragem de recomeçar. Aos quase 70 anos, ela prova que nunca é tarde para redescobrir a própria essência e dar voz ao que, por muito tempo, permaneceu em silêncio.
Em um mundo que frequentemente desvaloriza a maturidade, sua exposição se torna também um manifesto de resistência: da mulher, da artista, da sobrevivente. E em cada tela, essa resistência se revela em luz, em cor, em presença.
Serviço – Exposição “Passeio da Alma”
- Data: Até 31 de outubro de 2025
- Local: MIS – Museu da Imagem e do Som de MS
- Endereço: Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559 – Centro, Campo Grande (MS)
- Horário de visitação: Segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30
- Entrada: Gratuita
- Classificação indicativa: Livre
A exposição é uma excelente oportunidade para quem busca contato com arte genuína, cheia de sentimento e significado, e para todos que desejam prestigiar a produção artística regional. Para mais informações, acompanhe as redes sociais da Fundação de Cultura de MS.
Autoria: Sarah Pacini
Confira mais notícias sobre programação cultural em MS no Portal E-Brasil.

