Enquanto no reino animal as espécies maiores costumam apresentar uma expectativa de vida mais longa, o universo canino desafia essa regra biológica. Raças de grande porte como labrador, golden retriever, pastor alemão e rottweiler costumam viver dez anos ou menos, ao passo que cães menores alcançam facilmente até 16 anos de idade.
O papel dos genes saltadores na genética canina
Para desvendar esse mistério, cientistas investigaram as bases genéticas e apontam que os chamados genes saltadores podem ser os principais responsáveis pelo envelhecimento precoce desses animais. Também conhecidos como transposons, essas sequências de DNA conseguem se deslocar por diferentes locais do genoma de um organismo.
Enquanto nos seres humanos os transposons representam cerca de 50% do material genético, nos cachorros essa porcentagem chega a 31%. O movimento dessas estruturas ocorre normalmente de forma controlada, mas o problema surge quando os saltos se tornam excessivos.
Como as mutações afetam o organismo dos pets
Quando esses fragmentos se movimentam de maneira desregulada, eles podem se instalar em áreas onde já existem genes funcionais, gerando mutações que prejudicam o funcionamento do organismo canino. O avanço da ciência permitiu mapear esses processos por meio de análises detalhadas do DNA.
Para chegar a essa conclusão, a pesquisa utilizou uma técnica de metilação, que avalia marcadores químicos capazes de regular diversas funções corporais e mensurar a idade biológica das células.
Relógio molecular e perspectivas futuras
Ao analisar o DNA de quase novecentos cachorros, os especialistas notaram que as raças maiores perdem esses marcadores químicos com maior rapidez ao longo dos anos. Além disso, constatou-se que animais com idade genética superior à cronológica enfrentavam riscos mais elevados de morte a curto prazo.
Apesar de a relação entre os padrões de metilação e a longevidade estar evidente, os cientistas ainda buscam compreender se esses marcadores provocam o envelhecimento diretamente ou se apenas estimulam a atividade dos transposons. Os dados obtidos servem como base para futuras investigações sobre a saúde canina.
Fonte: Super Interessante


