A Honda firmou uma parceria estratégica com a Mitsubishi para o fornecimento mútuo de veículos, cujo principal destaque será o desenvolvimento de uma picape média inédita baseada na estrutura da Mitsubishi Triton.
Estratégia para o mercado asiático
O projeto tem lançamento programado para 2028 e visa atender prioritariamente os consumidores do Sudeste Asiático. Essa colaboração industrial permite à montadora japonesa ingressar rapidamente no competitivo segmento de comerciais leves sobre chassi, enquanto a parceira otimiza a capacidade produtiva de sua planta na Tailândia.
A decisão de utilizar a plataforma da picape da Mitsubishi evita os elevados custos de engenharia e o longo tempo exigidos para projetar um chassi de longarinas do zero. Isso garante à marca uma inserção no Sudeste Asiático, considerado um dos maiores polos globais de consumo desse tipo de veículo, com investimento financeiro reduzido e menor exposição a riscos.
Limitações da Ridgeline e robustez necessária
Atualmente, a fabricante comercializa a Ridgeline nos Estados Unidos, mas o modelo adota construção em monobloco. Embora essa arquitetura ofereça excelente dirigibilidade e conforto urbano, ela se mostra estruturalmente inadequada para as demandas asiáticas, que exigem utilitários robustos capazes de enfrentar estradas precárias e serviços pesados.
O compartilhamento de plataformas é uma estratégia comum no setor automotivo para viabilizar operações complexas, a exemplo da aliança entre Ford Ranger e Volkswagen Amarok. Além disso, a própria Mitsubishi já fornece a base mecânica da atual geração da Nissan Frontier destinada ao mercado asiático. O novo acordo reforça a aproximação iniciada em 2024 entre Honda, Nissan e Mitsubishi, mantendo a cooperação industrial ativa.
Motorização e capacidade de carga
Sob o capô, o conjunto mecânico principal será composto por um propulsor de quatro cilindros e 2.4 litros turbodiesel, herdado diretamente da L200 Triton. Na versão de topo equipada com dois turbos, o motor desenvolve 201 cv de potência e 47,9 kgfm de torque, operando em conjunto com uma transmissão automática de seis marchas.
Determinados mercados da região também receberão versões movidas a gasolina com motor aspirado de 2.4 litros. Projetada para atender produtores e consumidores locais, a configuração mais robusta do utilitário oferece capacidade de reboque de até 3.500 kg.
Tecnologia off-road e perspectivas para o Brasil
O modelo também deve incorporar o renomado sistema de tração Super Select 4WD-II da Mitsubishi, que inclui seletor com reduzida, bloqueio do diferencial traseiro e sete modos de condução voltados para diferentes tipos de terreno. No entanto, ainda não há confirmação se a versão da marca do H herdará todos os recursos fora de estrada ou se receberá modificações visuais extensas além de novos logotipos e grade frontal.
Embora o foco inicial esteja restrito ao Sudeste Asiático a partir de 2028, uma futura chegada ao mercado brasileiro não está totalmente descartada. Para isso, seria necessário um acordo com a HPE Automotores — representante oficial da Mitsubishi no país — viabilizando a fabricação nacional junto com a Triton na cidade de Catalão, em Goiás. Contudo, a montadora ainda não divulgou planos oficiais sobre a comercialização do utilitário em território brasileiro.
Fonte: Revista Quatro Rodas


