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Ministério da Saúde investiga possível por metanol em CG

Ministério da Saúde investiga possível por metanol em CG

Ministério da Saúde inclui Mato Grosso do Sul na lista de estados com notificações por suspeita de envenenamento por metanol; caso soma-se a série de ocorrências em todo o país

O Ministério da Saúde está investigando a morte de Matheus Santana Falcão, de 21 anos, ocorrida na noite da última quinta-feira (2), em Campo Grande (MS), como possível consequência de intoxicação por metanol — substância altamente tóxica que tem sido identificada em bebidas alcoólicas adulteradas em diferentes regiões do Brasil.

O jovem teria ingerido cerca de meia garrafa de uma bebida destilada antes de apresentar sintomas severos de mal-estar, incluindo dores abdominais, náuseas intensas e vômito escuro. Segundo a equipe médica da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário, onde Matheus buscou atendimento, ele chegou consciente, com pressão estável e respondendo a perguntas, mas seu quadro clínico se agravou rapidamente. Apesar de duas tentativas de reanimação, ele não resistiu.

Com a suspeita de contaminação por metanol — uma forma de álcool industrial imprópria para o consumo humano — a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar se a bebida consumida pelo jovem foi adulterada. Amostras da bebida e da urina da vítima foram encaminhadas para análise laboratorial.

Campo Grande entra na lista de estados com notificações

A morte de Matheus levou Mato Grosso do Sul a integrar a lista de estados com registros de intoxicação por metanol, conforme atualização do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS). Até o momento, 11 casos foram oficialmente confirmados no Brasil, com 102 sob investigação e 12 mortes registradas.

O caso é acompanhado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo (Decon), que apreendeu 13 frascos da bebida supostamente consumida por Matheus no estabelecimento onde ele teria adquirido o produto. Os recipientes também passarão por testes técnicos e químicos para verificar a presença da substância tóxica.

De acordo com relatos de pessoas próximas, Matheus era um jovem reservado, que mantinha pouco contato social. Amigos e familiares ficaram em choque com a repentina deterioração de seu estado de saúde, atribuído inicialmente a uma indisposição alimentar, mas que pode ter sido resultado de envenenamento grave.

Ações emergenciais do Ministério da Saúde

Diante do crescimento das notificações de envenenamento por metanol, o Ministério da Saúde vem intensificando esforços para conter os danos e ampliar o tratamento das vítimas. Entre as medidas emergenciais, a pasta anunciou a aquisição de 4.300 ampolas de etanol farmacêutico — usado como antídoto para intoxicação por metanol — e confirmou a compra de mais 150 mil ampolas para abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, foi solicitado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que realize um chamamento internacional às dez principais agências reguladoras de saúde do mundo, incluindo instituições da Argentina, México, Comunidade Europeia, Estados Unidos, Canadá, Japão, Reino Unido, China, Suíça e Austrália.

Outra frente de ação é a busca pelo fomepizol, considerado o antídoto mais eficaz contra a intoxicação por metanol, mas de difícil acesso, já que poucos países o produzem. O Ministério da Saúde enviou ofícios a fabricantes e instituições dos Estados Unidos, Índia e Portugal, solicitando doações e propostas de aquisição.

A pasta também encaminhou pedido urgente à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para a doação imediata de 100 tratamentos de fomepizol, além de sinalizar a intenção de comprar outras mil unidades utilizando a linha de crédito do Fundo Estratégico da entidade, o que deve reforçar o estoque nacional e garantir uma resposta mais rápida a novos casos.

Riscos do metanol: um problema crescente

O metanol, também conhecido como álcool metílico, é uma substância amplamente utilizada na indústria como solvente e combustível, mas extremamente perigosa para o consumo humano. Quando ingerido, pode causar sintomas como náusea, vômito, dor abdominal, perda de visão, convulsões e, em casos mais graves, levar à morte por falência múltipla dos órgãos.

Nos últimos anos, houve aumento no número de ocorrências envolvendo bebidas alcoólicas falsificadas ou adulteradas com metanol, muitas vezes vendidas a preços baixos e sem procedência regulamentada. O consumo acidental ou intencional dessas bebidas representa uma séria ameaça à saúde pública, exigindo ações coordenadas de vigilância sanitária, controle de mercado e informação à população.

O caso de Matheus Falcão reacende o alerta sobre os riscos do consumo de bebidas de origem duvidosa, especialmente entre jovens e populações economicamente vulneráveis. As autoridades reforçam a recomendação para que os consumidores verifiquem sempre a procedência dos produtos alcoólicos, evitem marcas desconhecidas e denunciem qualquer suspeita de adulteração.

A investigação sobre o caso em Campo Grande continua, e os laudos laboratoriais deverão trazer mais clareza sobre a substância presente na bebida ingerida por Matheus. Até lá, as autoridades sanitárias seguem monitorando casos semelhantes e reforçando as ações preventivas em todo o país.

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Autoria: Sarah Pacini

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