Esteticista viajou quase 400 km para executar plano de vingança contra atual do ex-marido; duas crianças morreram após comer o chocolate contaminado

Um caso brutal ocorrido no Maranhão tem causado comoção nacional e foi descrito pelas autoridades como um crime de vingança meticulosamente calculado. A esteticista Jordélia Pereira Barbosa, de Santa Inês, foi presa acusada de ter matado duas crianças ao enviar um ovo de Páscoa envenenado para a residência da atual companheira do seu ex-marido, em Imperatriz, a quase 400 quilômetros de distância.
De acordo com a Polícia Civil do Maranhão, a ação foi premeditada e envolveu deslocamento interestadual, uso de disfarces, tentativa de aproximação da vítima e envio anônimo de presente com veneno. O crime resultou na morte dos irmãos Evely Rocha, de 13 anos, e Luís Fernando Rocha, de apenas 7 anos, após consumirem o chocolate contaminado. A mãe das crianças, Mirian Lira Rocha, que seria o alvo principal da criminosa, sobreviveu.
Viagem, disfarce e plano de execução
As investigações revelam que Jordélia deixou a cidade onde morava e viajou até Imperatriz no feriado prolongado da Semana Santa. Ela se hospedou em um hotel da cidade, usando uma peruca preta como disfarce. A escolha do período não foi casual: a esteticista acreditava que, por ser feriado, haveria demora na ação policial, o que lhe daria tempo para escapar.
Em imagens captadas por câmeras de segurança, Jordélia aparece chegando ao hotel. No dia seguinte, se dirigiu a um supermercado onde Mirian trabalhava como operadora de caixa e tentou se passar por representante comercial de uma marca de chocolates. Ela solicitou ao gerente autorização para realizar uma degustação exclusiva para os funcionários, mas o pedido foi negado.
Ainda assim, ela insistiu e realizou a suposta degustação no pátio do local, segundo a polícia, na tentativa de envenenar Mirian diretamente. No entanto, a vítima não participou da atividade. Frustrada, a criminosa partiu para o plano alternativo.
O envio do presente mortal
A nova estratégia foi mais direta: Jordélia comprou um ovo de Páscoa em uma loja de shopping, retornou ao hotel, adulterou o chocolate com veneno, e contratou um mototaxista para entregar a encomenda na casa de Mirian. O entregador, que não sabia do conteúdo, relatou ter recebido instruções detalhadas de Jordélia, incluindo nome completo da destinatária, endereço e pontos de referência.
Após a entrega, Jordélia ainda telefonou para a vítima para confirmar se ela havia recebido o presente. Segundo relato da própria Mirian, a esteticista manteve o anonimato e afirmou que ela “saberia quem tinha enviado”. Mirian chegou a acreditar que o presente poderia ter sido enviado por Antônio Alves Barbosa Filho, seu companheiro e ex-marido de Jordélia.
Tragédia e fuga
A tragédia se concretizou horas depois, quando Mirian e seus dois filhos comeram o ovo de Páscoa. As crianças não resistiram aos efeitos do veneno e morreram. Mirian, apesar de também ter ingerido o chocolate, sobreviveu e conseguiu relatar os acontecimentos à polícia.
O mototaxista que realizou a entrega ficou em choque ao saber do envenenamento e procurou imediatamente a delegacia para relatar sua participação involuntária no episódio. Com a ajuda das imagens de segurança do hotel e do depoimento do entregador, os investigadores identificaram Jordélia como principal suspeita.
No entanto, ao chegarem ao hotel onde ela havia se hospedado, Jordélia já havia deixado o local. A polícia iniciou buscas e conseguiu rastrear o ônibus em que ela retornava a Santa Inês. Ela foi presa no dia 17 de abril, próximo à sua cidade de origem.
Indiciamento e motivação
Jordélia foi formalmente indiciada por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio, já que o ataque tinha como objetivo principal matar Mirian, mas acabou ceifando a vida das crianças. A motivação do crime, segundo o Ministério Público, foi vingança amorosa, o que caracteriza motivo torpe.
Além disso, foram encontradas na posse da esteticista perucas utilizadas para disfarce, restos de chocolate granulado (usado para mascarar o gosto do veneno) e outros indícios que comprovam a premeditação.
Se condenada, Jordélia pode enfrentar penas que somam mais de 60 anos de prisão, considerando os crimes cometidos com dolo direto e agravantes como premeditação, uso de veneno e vítimas menores de idade.
Defesa e próximos passos
A defesa da acusada afirmou, em nota, que Jordélia nega a autoria do crime e que “os fatos serão devidamente esclarecidos no decorrer do processo judicial”. A esteticista está atualmente presa preventivamente, e o caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios de Imperatriz.
A tragédia levantou discussões nas redes sociais sobre segurança alimentar, vigilância e violência motivada por ciúmes, além de gerar comoção popular diante da morte de duas crianças inocentes em circunstâncias tão cruéis.
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Autoria: Sarah Pacini

