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Saúde mental e o risco invisível de acidentes de trabalho no Brasil

Saúde mental e o risco invisível de acidentes de trabalho no Brasil

O Brasil registrou 834 mil acidentes de trabalho em 2024, de acordo com estatísticas da Previdência Social, o que representa um acréscimo de quase 80 mil ocorrências na comparação com o período anterior. Quando um sinistro ocorre, a tendência imediata é buscar culpados visíveis em falhas de equipamentos, máquinas defeituosas ou procedimentos inadequados.

Como o esgotamento afeta a atenção

Contudo, a trajetória que culmina em um acidente laboral frequentemente se inicia dias ou semanas antes. Um funcionário cronicamente privado de sono, exausto ou submetido a níveis elevados de estresse perde a capacidade plena de discernir riscos e de responder com rapidez a imprevistos na rotina.

Essa constatação não serve para estigmatizar o colaborador ou atribuir a ele a culpa exclusiva pelo evento, mas sim para integrar a capacidade cognitiva e psicológica às condições reais de execução das tarefas, especialmente em funções que exigem foco contínuo, condução de veículos ou operação de maquinário pesado.

Sinais de alerta e a normalização do cansaço

O estresse pontual pode elevar o estado de alerta, mas a pressão crônica sem intervalos de recuperação prejudica funções vitais como memória de trabalho, tomadas de decisão e controle emocional. A insônia prolongada retarda o tempo de reação e aumenta a sonolência durante o expediente.

Na rotina, isso se traduz em esquecimentos de etapas habituais, lapsos de atenção em tarefas repetitivas ou lentidão para notar alterações no ambiente corporativo. O grande perigo reside na normalização desse cenário, onde a exaustão contínua passa a ser vista erroneamente como parte natural do ofício.

A responsabilidade estrutural das empresas

Organizações internacionais de saúde e trabalho relacionam jornadas exaustivas, pressão por prazos e falta de autonomia ao esgotamento profissional e à fadiga. Desta forma, palestras motivacionais isoladas tornam-se ineficazes se a estrutura da empresa não for revista para garantir dimensionamento adequado de equipes, pausas regulares e suporte psicológico sem receio de punições.

A segurança laboral continua exigindo equipamentos de proteção e manutenção rigorosa, mas precisa incorporar a dimensão mental e a organização das jornadas para que os acidentes sejam prevenidos em sua verdadeira raiz sistêmica.

Fonte: Revista Veja Saúde

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