
Se há algum tempo atrás alguém me dissesse que eu me tornaria palestrante, consultora e instrutora, eu com certeza responderia com uma gargalhada incrédula. A ideia parecia tão distante da minha realidade quanto a lua! Apesar de ter escolhido a comunicação como minha profissão, a timidez sempre foi uma companheira constante. Ser o centro das atenções? Definitivamente nunca esteve em meus planos.
Na minha mente, pairava a convicção de que essas áreas eram reservadas a pessoas com um conhecimento enorme, quase mágico. E eu era cheia de inseguranças, questionando as minhas habilidades, se eu teria algo de valor para compartilhar e se teria algo útil para contribuir.
Mas a vida, ah, a vida tem seus próprios caminhos…
Há uns anos atrás estive em um parque no interior de São Paulo e descobri um brinquedo que, para quem ama a firmeza do chão, personificava o puro terror: a Torre Eiffel. Uma estrutura imponente que, após nos elevar a quase setenta metros, nos presenteava com uma queda livre que parecia não ter fim. Como é de se imaginar, eu fugi, achei uma boa desculpa e fui explorar os brinquedos mais tranquilos, mas em determinado momento olhei em direção à torre e vi várias crianças subindo, descendo, gritando e saindo felizes para repetir a experiência. Aquilo mexeu comigo. Como podia eu, uma mulher na casa dos trinta, sentir um medo tão paralisante diante de algo que aquelas pequenas crianças enfrentavam com tanta alegria?
Reuni toda a minha pouca coragem e fui. Para aliviar a tensão, olhava para a paisagem, tentando não me lembrar da queda livre que me esperava. Foi então que uma voz próxima comentou com outra pessoa: “Ah, quando você ouvir um barulhinho, já era!”. Imagine a “felicidade” que essa informação me trouxe! 😨
Esperei o tal barulho com a apreensão de quem aguarda um veredicto. E então ele veio. Meus olhos se fecharam, e ali se foram os três segundos mais longos da minha vida. Para minha surpresa – e alívio! –, eu sobrevivi!
A descarga da adrenalina estava a mil quando liguei para minha mãe para contar a novidade e, como toda mãe, ela quase teve um infarto com a minha experiência.
Essa experiência banal para alguns, foi um divisor de águas para mim. A partir daquele dia eu me transformei, me tornei uma Rosana diferente, aquela que ainda tem medo, que sabe que o medo faz parte da vida e que reconhece sua presença inevitável, mas que não o deixa tomar uma proporção maior a ponto de paralisar.
Feche os olhos, confie e vá!
O medo faz parte da evolução humana, sem ele não teríamos chegado até aqui. Imagina só desafiar um animal que pesa 3 vezes mais que você, sem um pingo de medo? Seríamos apenas um traço nos livros de história do mundo.
Por ter vivido essa experiência, me permiti experimentar outras situações que antes não cogitaria sequer. Em uma viagem ao Chile (indico muito essa viagem, inclua esse destino em seus sonhos!), me deparei com uma tirolesa e, mesmo com um medo daqueles, eu fui. Pasme! Simplesmente adorei. E fui mais duas vezes.
Diante das experiências em que me desafiei e que tive resultados positivos, fiz um trato comigo mesma: deixei de lado as crenças limitantes, as expectativas irreais que me paralisavam, o fantasma da síndrome da impostora, o medo de errar e me dei uma chance. Topei o desafio de dar aulas, a princípio em cursos de oratória e liderança e atualmente marketing digital e até informática, e o mais incrível é que encontrei meu propósito. Hoje, modéstia à parte, já coleciono histórias de sucesso dos meus alunos.♥️
Pior do que tentar e descobrir que um determinado caminho não nos serve é carregar o peso do “se”. Sim, se… essa palavrinha que ficará martelando em sua cabeça, como um fantasma sussurrando: “Será que se eu tivesse feito aquilo teria dado certo?” Já imaginou chegar aos 80 anos sem histórias divertidas para contar, mas colecionando os “ses” e os arrependimentos oriundos da inatividade que o medo causou?
Tá com medo? Vá com medo mesmo! Se permita.
Ah, meu amigo leitor, já posso te chamar assim, não é? Se dê o direito a ser imperfeito, de se desafiar, deixar o medo de lado e, possivelmente, nessa trilha da imperfeição você viverá os melhores momentos da sua vida, que renderão as melhores histórias e risadas.
Desejo uma semana leve e que você se desafie, para que possa, assim como eu, colecionar histórias e não arrependimentos.
Em tempo! Se desafie, porém com segurança e responsabilidade. O brinquedo que mencionei, infelizmente, está desativado desde 2012, após um trágico acidente.
Até a próxima semana!
Com carinho e votos de ousadia,
Rosana Cambuí.
Quem é a autora:
Rosana Cambuí é filha, irmã, tia, namorada, publicitária e, mais recentemente, instrutora, consultora e palestrante, com anos de experiência em criação, planejamento e marketing. Pós-graduada em gestão de vendas, marketing e empreendedorismo, já liderou equipes e projetos em diversas empresas de MS. Recentemente, descobriu um novo propósito: compartilhar conhecimento através de aulas e palestras sobre oratória, liderança, marketing, gestão, com uma pitada de tecnologia.
A intenção com essa coluna é compartilhar conhecimento e buscar inspirar as pessoas a superarem seus medos e alcançarem seu pleno potencial.
Acompanhe os artigos de Rosana Cambuí no Portal E-Brasil.


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